Friday, May 20, 2011

Origem da palavra "forró":

A inauguração da primeira estrada de ferro no interior de Pernambuco pela companhia inglesa Great Western, foi feito um baile (ao som da sanfona e zabumba) para comemoração do acontecimento, promovido pela própria empresa, que convidava todos através dos dizeres afixados na entrada: "for all" (para todos). A partir daí então, passariam a chamar os seus bailes populares de Forró. Esta versão foi reforçada quando o cantor e compositor Geraldo Azevedo fez a canção "For all para todos" em 1983 e quando foi lançado o filme “For All- O trampolim da vitória” em 1998.

A segunda versão é dada pelo historiador e pesquisador da cultura popular Luís da Câmara Cascudo, que diz que a origem é o termo africano "forrobodó", que significaria festa, bagunça. Assim então eram chamados os bailes comuns freqüentados pelo povo e, com o tempo, por ser mais fácil pronunciar, acabou se tornando, simplesmente, “forró”. A razão de os historiadores, em sua maioria, confirmarem esta versão é o fato de que desde o século 17 já se falava em forrobodó, bem antes dos ingleses construírem suas malhas ferroviárias. Porém, como o poder de persuasão do rádio e da televisão são bem maiores que o dos livros, as pessoas tendem a acreditar na primeira versão.

O que mais constatou-se durante a pesquisa sobre a etimologia da palavra Forró, é que as pessoas conhecem Forró, como a palavra vinda mesmo de ‘for all’. Isso mais uma vez reforça a influência que os meios de comunicação de massa tem sobre as pessoas de um modo geral.

Fonte:http://www.oforro.com/Historia-do-Forro/Origem-da-Palavra-Forro--2/
Claro, a violência,
nas suas várias formas,
mentira inclusa,
é, em última análise,
o único mal;
já o bem é a ternura, o amor,
a compaixão.
Violentar
é abusar,
maltratar,
matar...
E, só acabar
com a violência
sem a violência
pode ser divinal.

Thursday, May 19, 2011

Ouvir/ler
sem ineteresse
egoísta ou por ser
agradável
é a única garantia
da completa audição
e compreensão:
ouvir/ler em segunda mão,
em diferido pode ser tão vão!
Egoísmo, individual
ou de grupo, é tão
estúpido (ninguém,
nenhum grupo
só tem sequer vida), tão
sem sentido!
Como é diferente
o ouvir,
saborear, cheirar, viver,
sentir dando nomes,
caracterizando,
contradizendo
ou aceitando,
do saborear, ouvir,
olhar, cheirar,tocar simples
e puro, e, por isso total,
vivo, extasiante!
Bem examinar
é sem julgar,
sem comparar,
sem aceitar,
sem condenar,
sem contradição,
sem reação,
sem recordação:
só sem
estes sete podemos olhar
claramente,
livremente,
verdadeiramente,
amorosamente,
atentamente,
compassivamente.

Tuesday, May 17, 2011

Mas, claro, o problema não
está propriamente nos ideais,
que até podem se bons, mas na luta,
no conflito para os concretizarmos: não
temos de lutar, os ideais
agem por si próprios: assim
que vemos clara e profundamente
a verdade imediata de algo,
por exemplo, da perigosidade
dos políticos ou dos candidatos
a políticos, e, de que os conflitos
são provocados pela divisão
entre o que deveríamos ser/fazer
e o que somos\fazemos, então
não precisamos de fazer
mais nada: "a nossa mente consciente
não pode lidar com o inconsciente
imponderável, mas, a Verdade
enxergada faz isso por nós" (K.)

Monday, May 16, 2011

Mais paixão
ou mais razão
depende da ocasião.
E medo, claro, pode
ser inteligência,
ou, paralisação.
E toda a prudência,
agora só já quase instintiva,
sem pensar,
na floresta, nossa
e da cobra e da ciência,
e, na urbanização,
nossa e do veneno, do gelo
e dos deuses(as),
e, no mar e no ar...
Mas, pensar é muito
bom, se não paralisar,
se não amedrontar,
se não acordar quando
é para dormir, com sentinela
deveras amorosa, cuidadosa,
a bem guardar.

Sunday, May 15, 2011

Todo o universo
abarcando num só olhar,
sem autoridades/guias
exteriores nem interiores,
as assim chamadas experiências
interiores, sem nada querer ser,
e, sendo tudo/todos:
sem querer ser o chefão,
sem sequer
o papa ou o(a) guru querer ser,
um estado religioso\mental de paz
perfeita querer consquistar - a paz, o amor, a verdade
não se conquistam, não
se merecem;
sem nada, nem o desejo
mais puro e venerável,
que se intrometa entre nós
e o momento, por mais simples,
remoto, famoso, ignorado ou complexo
que ele seja. Todo
o processo da idealização
é falso, incluso o da libertação gradual e um
a um
dos ideais, de ideias:
enxergando, percebendo de relance,
num instante o significado total
de que a simples e incrível verdade
de que os ideais, ou crenças ou milagres
não só são totalmente desnecessários
como completamente prejudiciais, permitimos que Ela co-opere,
livrando-nos da pequenez,do condicionado,
da pobreza,da ignorância, do encalhado, do egocentrismo,
do individualismo...

Saturday, May 14, 2011

Sem esforço,
mesmo agora:
harmonia,
inspiração,
união.
Sem ideais,
sem crenças:
verdade,
ciência,
realidade.
Sem fugas
do que é,
até
da dor
e da paixão,
que são ilusão.
Viver, observar
sem condicionamentos,
sem conflitos,
sem o que deveria ser,
sem pre-conceitos,
sem distração alguma,
mesmo "boa",
com toda a atenção.
Não só com uma ou outra fugaz
inspiração, "insight" de artista,
mas, com Toda a percepção,
com toda a Inspiração,
a Todo o momento,
até dormindo.
Apreendendo o TODO e as PARTES
num instante e em toda a eternidade,
com Todos os SENTIDOS ou com um
SÓ sentido: agindo com toda a Verdade
em Toda a Realidade que são UM(a),
com toda a fluidez, amor, beleza,
compaixão e união.

Thursday, May 12, 2011

Para os mais honestos, que falam,
por exemplo, na pescadinha
de rabo na boca, mas, não
só naquela em que outros
estão
transformados,esperamos,
vejamos:
a verdade,
é da coerência
energia,vida e fortaleza:
em última análise não
há influências externas
nem a crise externa
ou internacional
é a culpada: a energia
da crise, da depressão,
da dor tem exclusivamente
origem nas nossas contradições,
nos nossos opostos desejos,
nos nossos errados desejos.
E, basta vermos, concordarmos
com este fa(c)to (não
é uma opinião)mas de o ver
muito bem temos, e, continuamente,
até dormindo, para jamais
nos voltarmos a auto-fritar,
(pescadinha de rabo na boca)!
Viva pois a energia da verdade e da coerência
que não deprime, que não
deforma, que não
mata,que progride, que é imortal
e benfazeja, sempre!

Monday, May 09, 2011

Nunca estamos sós;
não há razão alguma para temer
a primeira vez: primeiro
é segundo e segunda é
primeira;
e, a realidade
e nós são/somos a mesma
coisa: a imagem
no espelho não é diferente
de nós, nem as couves
da sopa, nem a mulher,
nem o espantalho,
nem o espelho!...

Sunday, May 08, 2011

Primeiro o informe,
o desenho... (E, atenção
é amor: conforme
a atenção
assim é o amor).
Depois, as letras,
os pensamentos, as palavras...
Cada um(a) aparece
e reaparece; cada um(a) tece
um pedaço novo do tecido
universal, que cresce
e decresce...
Quanto mais cuidado,
quanta mais atenção,
menos dor,
seja como for.

Friday, May 06, 2011

Impressionante, não é, o modo como os pensamentos influenciam, para o bem estar e para a dor, as ações até das várias partes do nosso corpo, que é um todo dinâmico.

Tuesday, May 03, 2011

A verdade é, obviamente,absoluta e relativa.
E, somente um enormíssimo motivo pode, se é que pode,justificar a discórdia, a guerra.

Sunday, May 01, 2011

Fazemos parte do Todo,
e, somos o que somos,
nada mais nem menos:
seres que podemos ser
extraordinários,
assim assim,
ou, miseráveis.

Monday, April 25, 2011

Ser não condicionado
é compreender todos
os condicionamentos,
sendo o próprio conhecimento
comum condicionado e condicionante:
só o conhecimento
da compreensão
que apreende
o todo e tudo ao mesmo tempo
é descondicionante.

Wednesday, April 20, 2011

Compreender,
apreender
a realidade,
não dividi-la
com maldade,
ou vaidade,
é que é viver!

Tuesday, April 12, 2011

A verdade é sem oposição,
é não-dualista,
é sem medição,
sem comparação,
que é condicionamento.
Tudo se completa,
todos nos completamos:
não há pois melhor
nem pior, nem
maior, nem menor.
E, a grande, perfeita
tecnologia/ciência também é
sem tempo.

Tuesday, April 05, 2011

Nós e natureza somos um(a) só:
a natureza produz-nos e nós
produzimos a natureza.
Há quem exalte o pensamento,
a lógica, o conhecimento, a indução,
a análise, a dedução, e,o considere
a única inteligência. Ora, sendo o pensamento
importante, como certamente o é,
o seu valor é relativo. E, só
quando penetramos em toda a natureza e movimento
do nosso pensamento
e do pensamento
dos demais seres
é que descobrimos a sua relatividade.
Entretanto, ao vislumbrarmos assim
a essência do pensamento
a nossa mente fica numa quietude absoluta,
e, talvez a verdade absoluta,
não descritível\medível, nem
por palavras, nem por imagens, nem
por quaisquer outros sinais,
possa ser percebida...

Sunday, April 03, 2011

O(s) pouco(s), o núcleo
divide(m), mas, quer(em)
a unidade, portanto,
precisa(m) dominar: que tristeza!
Não me divido pois,
nem de mim,
nomeadamente querendo
e não querendo, isto é,
querendo,
nem de ti,
insultando-te
ou louvando-te,
ou sentindo-me insultado
ou louvado
por ti.
Saborear, cheirar, observar,
ouvir, tocar... sem registar,
sem recordar...
Unos, não existe em nós nada
para controlar, e, não
registando,
não desejando,
ficamos unos.
E, não
pensamos ser o que não
somos, que é ilusão.
Unos não só superficial
e momentaneamente,
mas, também lá bem no fundo
e eternamente.
A realidade é do pensamento,
e, é basicamente
conflito; já a verdade
é compreensão, apreensão
total e global,
fundamental
harmonia, fluidez,
criatividade, amor, e,
também realidade, não crença,
que é ilusão, doença.
Sendo inteligentes
não nos deixamos dominar por partes,
só pelo psicológico, só pelo físico,
só pelo coração, só pela razão,
só pelo espiritual... Somos o todo,
sabemos em cada momento
o melhor a fazermos.
A inteligência verdadeira
é portanto a que é total.
E, a verdade, operando na realidade,
faz a boa realidade; a mentira
faz a desgraça.
Onde a verdade absoluta reina
é o paraíso, o nirvana; onde
a mentira absoluta governa é o inferno.
E, pior do que a mentira só mesmo o cinismo.

Thursday, March 31, 2011

Olhar, reagindo,
é não olhar
verdadeiramente,
é faz de conta,
é egoísmo,
é falsidade,
é injustiça,
é fealdade,
próprio do carente
de amor.
Já verdadeiramente
olhar
é com clareza
e com simplicidade
ver,
é olhar abertamente,
com muita atenção,
com muito amor: não
há amor sem muitíssima
atenção, pela visão,
pelo cheiro,pela audição,
pelo saborear,
pelo tocar...
O nome, a descrição
têm a sua importância,
mas, urge experimentar
olhar sem nome,
sem memória descritiva,
ou, talvez nome perguntar...
Como é estúpido, bobo, o hábito...
Por impedir a observação sem contradição
e sem aceitação, a vivência fundamental,
real!
E, não pode existir atenção
onde há contradição;
e, onde só existe distração
é tudo tão superficial,
nada profundo,
tudo a meio gás,
tudo meio morto,
meio imundo...
Abordemos pois os factos,
por exemplo, a dívida Portuguesa,
a fome em Àfrica, na Índia...
A guerra no Médio Oriente...
de forma direta,sem rodeios,
sem lirismos, sem mistificação,
e, veremos como muito melhoram.

Wednesday, March 30, 2011

Encarar o que somos,
compreender o que somos,
sem a contradição,
sem o contraditório, não
em relação
ao que deveríamos ser,
mas ao que somos mesmo.
Examinarmos tudo/todos
os que existem sem julgamento,
sem comparação,
sem aceitação,
sem condenação,
o que não
quer dizer
com resignação...
Observação
de tudo e de todos
sem nenhuma reação,
sem qualquer comentário.
nossa recordação de há pouco não
pode destruir a percepção
de agora! (Isto é a essência
do envelhecimento, da monótona repetição,
da não criatividade,
da mediocridade.
O agora é sempre novo, mas,
a memória e o pensamento são
sempre velhos: estar a ver sempre o novo
com os olhos velhos é já ser
velho até mesmo antes de nascer.
E, o importante não somos nós, mas,
verificar que o que escrevemos\dizemos
tem fundamento, é verdadeiro, faz sentido!!

Tuesday, March 29, 2011

A vida não é, não tem de ser
a desintegração do conflito,do querer
e não querer seja o que quer que for,
do ser/ter isto e querer ter\ser
aquilo, o que não quer dizer
estagnação.
Não é possível, após termos
criado em nós a contradição
por meio do ideal, do objectivo,
eliminá-la pelo conflito, pela luta,
pelo esforço, pela reação,
pela violência: não
querermos ser
nada, o que não
quer dizer vegetarmos,
e acabarmos de uma só vez
com todos os ideais, é que é mui bom.
E, o detalhe e o todo.
E, só temos de compreender isto, não
de fazermos mais nada, para cessar
a desintegração e se iniciar
a verdadeira vida, sem contradição,
sem reconhecimento, sem tensão,
sempre nova, sem fronteiras,
eterna, activa quanto basta.

Monday, March 28, 2011

Estando em contradição,
como é óbvio,nada do estado
sem oposição,sem divisão,
que é o imensurável,
podemos conhecer.
E, é mesmo a eliminação
da contradição,
pela compreensão,
não a busca da paz
para nós mesmos.
Sem fronteiras, sem condicionamentos,
sem limites; sem compulsão
alguma de adquirir, mas não
para receber; sempre em observação
atenta sem jamais buscar,
pedir ou perguntar;
individualmente:
só do indivíduo que compreende, não
das massas, pode a mente
radicalmente
mudar,
uma novíssima corrente
criando
que gerar
vai uma série de ações original:
meia dúzia de indivíduos
levedam todas as massas...
Verdadeiramente
um só indivíduo
compreendendo todo o processo da mente,
é criatividade, liberdade,
amor, não condicionamento
capaz de libertar todas as massas,
pois, quem liberta é a Verdade, Deus,
o (Des)conhecido.
A verdade em si mesma é tudo,
os resultados nada.
E, que interessa se nascemos em conflito ou não?
O importante é o facto do conflito
poder terminar,
pela compreensão.

Sunday, March 27, 2011

Trans-formação, não simples mudança;
re-volução, não simples modificação;
e, perfeição, ou já nem sabeis bem o quê,
não um dia ou só já talvez noutra vida,
mas, agora, sempre agora.
E, destruição até, ou em particular,
do que não era necessário certamente que perfeição
não é: perfeição
é liberdade e ordem,
pela total compreensão
do todo e das partes, e: cooperação,
não competição; justiça, não
corrupção; plenitude e grande alegria, não
monotonia, tristeza e miséria; coragem, não
medo; verdadeira inteligência, não
estupidez; maturidade e reflexão,
não infantilismo.
E, isto são pistas maleáveis,
adaptáveis, não
um modelo absoluto, rígido, pois,
tudo\todos somos iguais e diferentes,
sempre a mudar e nunca mudando.
E, o espontâneo é o original;
mas, se me dizeis: isto é original,
então já não o é.
E, o importante, que amamos, é
o que é,
o que existe,
mesmo que fraquinho, não
o que devia existir.
Feliz o homem/mulher que descobre
a verdade a cada momento
por ser muito atento,
mui alerta, ou antes, feliz
o homem mui atento
a quem a verdade se revela
a cada momento...
Quietos, pois, e sem desejo
de receber a verdade, Deus, os milhões
ou seja o que que quer que for;
sem nenhuma compulsão
de adquirir, mas não
para receber:
amor, riqueza e verdade não
são compráveis
nem vendáveis.

Friday, March 25, 2011

Sentir, ver
não com o hábito
da lembrança, do desejo
e do medo, mas,
em direto,
em 1.ª mão,
no instante...
é que é viver!
A comodidade
do padrão, do hábito, da rotina
criados pela mente
não vale nada.
Viva sim a liberdade
que não é libertinagem,
que é a verdadeira vida,
libertação
pela compreensão.
Não podemos ver o facto completo na sua totalidade se estivermos divididos e, só a grande integração liberta da dor da divisão, não o como e a luta da integração.

Tuesday, March 22, 2011

Sim, a verdade directa,
sem a parafernália
da verbalização,
é que é vida, São...
Enxergar, viver
portanto objectivamente,
sem intermediários,
sem idealização,
sem criação
de ideias,
de símbolos,
ou, de desejos,
sem vontade de ser algo,
de conquistar, de vir a ser,
criativamente.
Pelo esforço nada de novo
se descobre.

Monday, March 21, 2011

Onde há desejo,
vontade
não há liberdade,
e, como podem escravizar
as imagens, e o idealizar,
as ideias!
Liberdade não é pois meta a ser
atingida,
medida,
mas,é perceber
que a mente é escrava
da experimentação
do hábito,
da permanência por si mesma.

Sunday, March 20, 2011

Vivermos a grande interdependência,
que é a verdade,
em liberdade,
não criarmos\alimentarmos
a ideia de nos livrarmos
da dependência,
e, percebendo a verdade
imediata, olhos nos olhos,
que é onde está a libertação.

Saturday, March 19, 2011

Nem ambição,
nem negação da ambição;
nem mal,
nem negação do mal;
e, compreender o mal,
que é o egoísmo, é virtude,
liberdade, e, ordem,
ordem que o mal
não pode fornecer.
Nem exploração, nem enganos,
nem espertezas, nem jogo sujo.
Nem buscando, nem lutando,
nem tentando
atingir resultados.
Enxergando
os factos, bons e maus,
e ficando
livres deles...
E... A possibilidade do contentamento,
da satisfação.
A verdade é sempre nova,
logo, intemporal. O que era verdade
ontem não o é hoje, e, o que é verdade
hoje não o é amanhã: não há verdade
contínua, rígida, inflexível.
Olhar particularmente para o(a) novo(a)
ou para o velho(a) sempre novo(a)
é das coisas mais importantes..

Tuesday, March 15, 2011

Se queremos mesmo apurar a verdade, não podemos excluir nada nem ninguém da investigação dessa mesma verdade.

Sunday, March 13, 2011

Não é enfrentar o presente,
o que é violência: é viver
o agora, ou, sem tempo viver.
E, a vida é um movimento
do todo, com cada ser
nas suas velocidades
e paragens: movimento
é dinheiro, e, dinheiro
é movimento.

Alguns grandes espelhos são,
e, enormes placas indicativas...
Mas, o percurso, a ação,
o tratamento por nós
próprios são.
Compreender e viver
vital e criativamente:
vida é relação,
complementarização,
e, bem estar,
não extinção.

Saturday, March 12, 2011

http://peritosavaliadores.ning.com/
A questão nem é propriamente
o dinheiro, é o tempo,
que não é um modo de libertação,
como não o é nem o dinheiro,
nem o sexo, nem o mangostão,
nem a destruição, o que sua exclusão
não quer dizer.
A questão também não
é o tempo,é, sempre, sim, a compreensão,
que, com atenção, deixa também de ser questão.
E, a palavra modo nem é a mais correta, pois,não
há um modo, um modelo, de libertação,
já que, só a liberdade, sempre em mutação,
liberta e cura.
Modelo, portanto, só se for "modelo actualizado
a cada momento", novo a cada momento,
se é que podemos assim falar...
E, não esqueçamos:
a descrição não
é o que é descrito, e,
expressões novas são não
só necessárias,
como extraordinárias!

Thursday, March 10, 2011

O desprezo, a obediência motivada pelo medo também são violência.
A própria cólera, ciúme, proteção e inveja justos não deixam de ser violência.
Ora, onde há violência, por mais subtil que seja, não pode haver qualidade de vida, vera comunhão.

Wednesday, March 09, 2011

Mas, o prazer por si só não pode ser o guia, a pedra de toque: veja-se, por exemplo, o gozo que pode existir na violência, em não gostar de alguém, em odiar grupos ou raças, em nutrir sentimentos hostis, e, que pode levar ao aniquilamento total (o vencedor não subsiste sozinho).
Contudo, a alegria, a felicidade podem e devem ser a pedra de toque: considere-se a alegria do estado mental em que a violência desaparece completamente, muito diferente do prazer da violência, vivificante, perene, construtiva, harmoniosa, resolutiva, contagiante, sem medo, ao invés de conflituosa, destruidora, manhosa, rancorosa, invejosa e medrosa...
E, algures, há alguém (podemos ser nós) não ávido, não ganancioso, não violento... que pode ser muito bem o que vai ganhar os milhões...
E ainda, quando Caim pergunta: "Como posso viver num mundo cheio de violência?..." está não só tentando justificar o seu assassinato, como, eventualmente, mostrando o medo de alguém lhe fazer o mesmo, o que pode, claro, não ter acontecido (pode ter sido problema ainda maior).
Enfim, a violência não resolve mesmo nada, antes só complica e agrava.
Se ainda somos violentos, na cólera, nos apetites sexuais, alimentares, de poder..., no ódio, no ciúme... como podemos chegar à não violência, à paz? Certamente não lutando arduamente por isto, o que é ainda violência. Certamente compreendendo, no mais fundo de nós mesmos, que a violência, mesmo e em especial a que dá prazer, não leva a lado nenhum a não ser ao lugar da grande e terrível dor.
E, agora sim por fim e claramente, a poesia e a prosa também são UM(a)!

Tuesday, March 08, 2011

O todo, que é o sumo bem,
é sem motivo, mesmo o bom motivo,
e sem direção, pois,inclui
todos os motivos e todas as direções.
Oh, beleza da quietude,
beleza do movimento harmonioso,
beleza do som da trompete
que de igual modo não se repete!
Há beleza quando o eu não está,
quando não há eu até o feio é belo;
sem eus é o amor, a beleza, a compaixão,
a origem, o sagrado, o eterno verdadeiros...
O som e o significado dos sons;
as palavras e o seu significado
e o seu som; o todo, o agradável;
nosso pescoço não roda trezentos
e sessenta nem trezentos e setenta
graus mas ouvidos ouvem tudo à volta.
A música, o ritmo, o compasso;
o passado, o futuro, o presente, a união...
O mundo, o universo são o mundo e o universo
dos sentidos, e, do verso!

E o carnaval é uma reação
ao fraco espiritual,
atenuando deste o mal,
seguido da pascoal contrareacção...

Carnaval é do ponto a tolerância,
é negócio, é extravagância,
e criatividade,
e, em Espanha,
redução de velocidade.

Carnaval é ver
sem ser visto,
vergonha não ter,
e, prudente ser.

Monday, March 07, 2011

A ordem do pensamento é limitada quando o pensamento é contraditório,
quando não somos unos, quando estamos divididos, em confusão.
O amor só não é prazer quando esse prazer é egoísta, e, ninguém separe o que Deus une: corpo e espírito são um, o verdadeiro prazer é espiritual e carnal ao mesmo tempo.
E, claro, só quem ama totalmente pode ter prazer sem medo da dor, pois, não fazendo mal a nenhum ser, antes fazendo bem, contribuindo para a felicidade, prazer ou bem estar de todos os seres e coisas, todos os seres e coisas, elementos da natureza incluídos, deixam de lhe fazer mal.
Que ninguém separe também as chamadas coisas ou seres inanimados das pessoas e demais seres chamados vivos: uns não são sem os outros: vejam-se os casos de terras, céus, carros, culturas, casas, roupas, músicas, escritos, jardins... muito estimados, com grande incorporação de energia, de trabalho, de amor... de tal modo que muitas pessoas e seres se identificam com eles(as), sendo que fazer bem ou mal a tais coisas é fazer bem ou mal a tais seres e pessoas.
E, sem desperdiçarmos energia comparando, mas, sem ignorarmos melhor e pior, bom e mau, observamos, escutamos, experienciamos, e, tudo melhora(mos).
E, ainda até sem às melhores experiências/fatos passados darmos toda a importância, pois, isso impede a grande compreensão/experimentação de novas experiências.
E, se procurar demais o prazer, que é vida, é desequilíbrio, logo não prazer, que é equilíbrio, não o procurar, na medida certa, também o é.

Sunday, March 06, 2011

Procurarmos, fora ou dentro,
a solução para nossos problemas,
é nunca os resolvermos, pois, só
quem os cria os pode resolver, e, somos nós
que os criamos, nomeadamente
procurando resolver problemas
que não têm solução,
que não são
para resolver,
que não são
problemas.
Procurar é pois desequilíbrio
e engano, procurar
é não encontrar,
o que não que dizer
que não nos possamos encontrar
com seres com a mesma intensidade,
e capacidade, no mesmo nível que nós,
quando o tempo e os problemas acabam
e se forma o indescritível, o intemporal, o imortal,
o imperecível, o divinal
e o êxtase, que não são desejo nem prazer.

Thursday, March 03, 2011

Pensamento é, forçosamente, tempo.
A prudência-moderação e a amizade , a afeição e o amor são o bem, o prazer supremo.
E, ideal e prática são um só também.
O êxtase, o prazer supremo, também implicam a ausência total de desejo não natural: tudo o resto, mesmo o prazer, causando sofrimento.
Os desejos naturais são os inerentes à vida, p.e., comer, sexo, beber, evacuar, dormir, não fazer mal a nenhum ser... e, a sua satisfação moderada não causa dor, antes contribui para o êxtase.
Sem apego por nada, sem desejo por nada, não há problema algum, e, há grande êxtase.
Não termos tempo é não termos problemas: ser eterno é ser sem problemas.

Wednesday, March 02, 2011

www.FilosofiaEsoterica.com
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Além da Dor e do Prazer




Como Trilhar o Caminho da
Felicidade Segundo a Filosofia Estóica


Carlos Cardoso Aveline


A primeira nobre verdade do budismo é correta:

“A vida causa sofrimento”.

Porém, quanta dor é necessária para viver?

Esta questão está sempre em aberto, porque depende da atitude de cada um a todo momento. A arte de viver ensina a transmutar a aflição em sabedoria, e torna possível uma satisfação duradoura em relação a si mesmo, aos outros e à vida.


O cidadão comum perde muita energia fugindo da dor ou buscando anestesia psicológica. Rádio, televisão, e outras formas de “diversão” ajudam, literalmente, a “passar o tempo”, como se o tempo não tivesse valor e pudesse ser jogado fora. Formas inúteis de lazer entorpecem o cidadão e desviam sua mente das questões centrais da vida. Mas o velho dilema entre dor e fuga da dor deve ser olhado com calma.

Quando a dor é exagerada e vista como algo central, podemos querer fugir dela por meio de algum dogma ou algum salvador, ou fechar os olhos através do refúgio na comodidade fácil, o que causa mais sofrimento. Podemos desenvolver uma espiritualidade mecânica e supersticiosa, ou cair no outro extremo, optando por um materialismo igualmente destituído de bom senso.

O falso abismo entre prazer e sofrimento faz com que o caminho da sabedoria seja pouco compreendido e que seja encarado de modo contraditório. De um lado, a espiritualidade é descrita como o melhor modo de alcançar a felicidade, a bem-aventurança e o bem-estar permanente. De outro lado, ela é descrita como o caminho da cruz, do sofrimento e do sacrifício.
Onde está a verdade?

O primeiro efeito prático da caminhada espiritual é que começamos a pensar mais profundamente sobre a vida. O nosso discernimento aumenta, e vemos o resultado desagradável dos prazeres promovidos pela sociedade de consumo. Eis alguns exemplos do que percebemos:

* O alcoolismo gera insensibilidade e violência.

* Comer demasiado, ou inadequadamente, é prejudicial.

* A alimentação carnívora não faz bem à saúde.

* Cigarro causa diversas doenças.

* Uma vida emocional impensada tem diversas e graves contra-indicações.

* Os sentimentos de ódio e inveja ameaçam o bem-estar físico, emocional e mental.

* A prática da mentira, seja ela dita para os outros ou para nós próprios (e mesmo que seja bondosa e “espiritual”), acaba gerando um mundo psicológico confuso, sobre o qual nada se pode construir de duradouro.


A ética e a moderação surgem como porto seguro em nossa vida quando temos a coragem necessárias para observar como funciona a lei da causa e do efeito. Mas o que acontece se, ao contrário, alguém vê as recomendações éticas como mandamentos dogmáticos e as obedece de modo mecânico e supersticioso, como se fosse membro de um rebanho de ovelhas e não tivesse direito a decisões próprias? Neste caso a prática da virtude é construída sobre a areia movediça da obediência cega, e pode quebrar-se. Na verdade, o dogma religioso e o ceticismo materialista são as duas caras da moeda falsa da ignorância espiritual.

Quando o indivíduo pensa que o caminho espiritual é feito apenas de perdas dolorosas e não traz consigo uma libertação interior e uma bênção, a experiência espiritual pode terminar em hipocrisia - ou pode levar ao extremo oposto do materialismo igualmente cego.

Em seu livro intitulado “Bem-Aventurados os Que Sofrem”, Paul Carlton trata o sofrimento como um grande mestre do ser humano:

“É o sofrimento que dá a chave dos mistérios da vida, mostrando a necessidade do abandono das paixões materiais, de maneira que o velho homem desapareça e se estabeleça o reino do homem espiritual. É por ele que se obtém a transmutação do vil metal em ouro puro. É graças a ele que se obtém a renúncia à parte inferior, animal e mortal, e que se estabelece o triunfo da parte superior e espiritual do homem”. [1]

Para Carlton, “é somente com renúncias sucessivas que as asas espirituais se desenvolvem e o homem pode voar na claridade do céu”. Carlton cita Santa Teresa, que via o sofrimento como uma bênção. Ela escreveu:

“Eu choro quando penso no tempo em que vivi sem chorar.”

De um certo ponto de vista, aceitar a dor e até mergulhar nela abre as portas para a felicidade. Grandes místicos de diversas religiões seguiram por esse caminho. O segredo está em que, quando aceitamos a dor, ela desaparece. A maior parte do sofrimento humano é, na verdade, psicológico, e surge da nossa luta infantil contra a realidade. A fantasia da resistência aos fatos acaba criando o desespero. Estamos condenados a ser impiedosamente perseguidos por tudo aquilo de que queremos fugir. A dor psicológica é como aquele cachorro que nos persegue latindo com aparência de furioso, mas que, quando paramos e o encaramos, desvia o olhar, disfarça, e afasta-se abanando discretamente o rabo.

Khalil Gibran escreveu que “a dor é o rompimento do invólucro que encerra nossa compreensão”. Para ele, do mesmo modo “que a semente da fruta deve quebrar-se para que seu coração apareça ante o sol”, nós também devemos conhecer a dor. O sofrimento pode ser uma experiência iniciática. Ele amplia nossa visão da vida e nos empurra para a transcendência, fazendo-nos alcançar um novo nível de consciência e de conhecimento. Neste nível, recuperamos a paz e o equilíbrio sobre bases mais sólidas. Diz Gibran:

“Se o seu coração pudesse viver sempre no deslumbramento do milagre cotidiano, sua dor não lhe pareceria menos maravilhosa que sua alegria, e você aceitaria as estações do seu coração como sempre aceitou as estações que passam sobre seus campos. E você contemplaria serenamente os invernos da sua aflição. Grande parte do seu sofrimento é escolhida por você mesmo: é a poção amarga com a qual o médico que está em você cura o seu eu-doente. Confie, portanto, no médico, e beba seu remédio em silêncio e tranquilidade, pois sua mão, embora pesada e dura, é guiada pela suave mão do Invisível, e a taça que ele lhe oferece, embora queime seus lábios, foi confeccionada com lágrimas sagradas.” [2]

A posição de Gibran é sábia. Porém, um exagero na aceitação do sofrimento pode levar por compensação a um salto para o extremo oposto, onde se busca o prazer fugindo infantilmente de toda dor. Por isso é recomendável manter o equilíbrio e a moderação. O pensador grego Epicuro, que viveu entre os anos 341 e 270 antes da era cristã, propôs um caminho de auto-responsabilidade.

Epicuro construiu sua filosofia em torno da idéia do “prazer verdadeiro”, que surge com a renúncia à preguiça e a outros vícios. Para ele, é no ponto intermediário entre a dor e a indulgência que se abre o caminho sólido da sabedoria, fonte da felicidade interior. Epicuro afirmou, em sua Carta a Menequeu:

“Quando dizemos que o prazer é a meta, não nos referimos aos prazeres dos depravados e dos bêbados, como imaginam aqueles que desconhecem nosso pensamento, e sim à ausência de dor na alma. Não são as bebedeiras e as festas ininterruptas que constituem a fonte de uma vida feliz, mas aquela sóbria reflexão que examina a fundo as causas de toda escolha e rejeita as falsas opiniões, responsáveis pelas perturbações que se apoderam da alma. A prudência é o princípio de tudo isso e o bem supremo.”

Durante a maior parte dos últimos 2000 anos, a mente humana oscilou contraditoriamente entre duas atitudes. De um lado, um ideal grandioso de fraternidade e de contato com a consciência divina. De outro lado, uma prática materialista que nada tinha a ver com a teoria. Céu e terra pareciam desconectados.

Estamos acordando agora, finalmente, desse longo sonho em que a consciência crística ou búdica do ser humano permanecia “crucificada” pela vida material, enquanto a figura de Jesus impotente, torturado, agonizando na cruz, ocupava o lugar de maior destaque dos templos.

Resgatar algumas idéias fundamentais da filosofia clássica ocidental é parte significativa desse renascimento. O desafio e o destino dos novos tempos é unir outra vez céu e terra, ou sonho e realidade. Os sábios da Grécia antiga não viam separação entre deuses e homens, ou ideal e prática. Reexaminando do mesmo modo a relação entre prazer e dor, ou felicidade e sofrimento, obtemos chaves úteis para compreender e acelerar a transformação que está ocorrendo na mente humana, enquanto se prepara a sociedade global e solidária do terceiro milênio.

O prazer e a felicidade, para Epicuro, são simplesmente a ausência de dor no corpo e a falta de perturbação na alma. Nesse ponto, a filosofia grega coincide rigorosamente com a Raja Ioga dos Himalaias. Para os iogues, o nirvana - o êxtase final - é apenas a ausência total de desejo. Todo o resto é ilusório e causa sofrimento.

Epicuro distinguia três tipos de prazer:

1- Os prazeres naturais e necessários - por exemplo, comer quando se tem fome, beber quando se tem sede, dormir quando se tem sono.

2- Os prazeres naturais mas não necessários - comer muito bem, beber bebidas sofisticadas e “saborosas” vestir-se com muita elegância, etc.

3- Os prazeres não naturais e não necessários - ligados à opinião dos outros, ou seja, fama, riqueza material, poder, honras e assim por diante. [3]

Cada um de nós, na sua condição de cidadão livre, deve definir o que são no seu caso concreto os prazeres adequados. A filosofia de Epicuro não é um dogma, mas um guia para a ação autônoma do ser humano. Ela dá elementos para que o indivíduo assuma plena responsabilidade sobre sua própria vida, e alcance mais felicidade interior.

Os prazeres do primeiro grupo são os que devem ser satisfeitos sempre. Sua função e seu limite natural é “eliminar a dor”, e não devem ir além desse ponto. O exagero os faria cair no segundo grupo, e neste caso o apego ao prazer passa a gerar sofrimento desnecessário através da perda de bom senso e da moderação. Deve-se, pois, reduzir as satisfações do segundo grupo.

Já os prazeres do terceiro grupo sempre acabam causando sofrimento através de ansiedade, incerteza, vaidade, ambição pessoal e outros sentimentos que são inseparáveis do medo.

Epicuro propõe uma postura madura diante da dor e do prazer, com base na ideia de evitar tanto o apego automático como a rejeição cega. O mesmo ensinamento é encontrado na filosofia estóica. Lúcio Sêneca propôs no império romano um contentamento incondicional que é item prioritário não só para os epicuristas, mas também para os estudantes de ioga, na Índia milenar. Para Sêneca, o supremo prazer “vem do alto”, porque o sábio “vive contente com seus bens, sem cobiçar coisa alguma fora de si”. O prazer autêntico surge do contato direto com nossa própria alma imortal.

Epicteto, um ex-escravo romano que fundou uma escola de filosofia estóica, manteve a tradição socrática e não colocou nada no papel. Mas um discípulo anotou seus discursos e sua sabedoria está hoje à nossa disposição. É com grande simplicidade que Epicteto explica a proposta da moderação como caminho para a real felicidade.

A seguir, sete idéias centrais do seu “Manual Para Viver”:

UM.

Saiba o que você pode controlar, e o que não pode. A felicidade e a liberdade começam com uma clara compreensão de um princípio; algumas coisas estão dentro do nosso controle, e outras não estão. Podemos controlar nossas opiniões, aspirações, desejos e ações, por exemplo. Tentar controlar outras pessoas ou circunstâncias externas é sempre fonte de preocupação, frustração e infelicidade. Devemos cumprir nosso dever e deixar que a realidade seja como é.

DOIS.

Ninguém pode ferir você. Mesmo que alguém agrida você com palavras e o insulte, é sempre sua opção sentir-se insultado ou não pelo que está acontecendo. Se alguém o irrita, na verdade é apenas a sua própria reação que irrita você. Portanto, quando alguém estiver aparentemente provocando sua raiva, lembre-se de que é a sua própria visão do incidente que o está enraivecendo - e não se deixe levar por reações automáticas.

TRÊS.

O progresso espiritual se faz confrontando a morte e a calamidade. Em vez de desviar o olhar dos acontecimentos dolorosos da vida, olhe para eles de frente e examine-os com frequência. Enfrentando as realidades da morte, das perdas e da decepção, você fica livre das ilusões e falsas esperanças e pode usar melhor sua energia vital.

QUATRO.

Dedique sua vida a um ideal digno. Tenha metas pessoais espiritualmente superiores, independentemente do que as outras pessoas pensarem. Permaneça fiel às suas melhores aspirações, seja o que for que estiver ocorrendo ao seu redor.

CINCO.

Saiba que tudo ocorre para o bem. Conforme você pensa, você é - ou se tornará. Evite interpretar os acontecimentos supersticiosamente, dando-lhes significados que não têm. Não chegue a conclusões apressadas. Parta do ponto de vista de que tudo o que lhe ocorre lhe traz algum bem, alguma lição e alguma experiência. Se decidir que terá sorte, a terá. Pense de modo calmo e vitorioso.

SEIS.

Crie o seu próprio mérito. Nunca dependa da admiração dos outros. Isso o enfraquece extremamente. O mérito pessoal nunca pode aumentar por alguma fonte externa. Seja maior do que críticas ou aplausos, mas leve em conta a opinião dos outros para identificar onde é necessário corrigir erros e como pode melhorar ainda mais.

SETE.

Focalize seu principal dever. Há um tempo para descanso e diversão, mas você nunca deve deixá-los prejudicar o seu verdadeiro propósito na vida. Deve escolher formas de lazer e outras atividades secundárias que sejam compatíveis com a missão central que escolheu para realizar. [4]

O caminho dos estóicos adota a mesma ética da filosofia esotérica de Helena P. Blavatsky.
As atividades cujas metas são apenas pessoais e de curto prazo devem ser diminuídas porque, em geral, são ineficazes e provocam sofrimentos adicionais. A verdadeira felicidade está em cumprir nosso dever assim nas vitórias como nas derrotas, tanto nos momentos agradáveis como nos desagradáveis, preservando em todos os casos a paz interior que habita o silêncio.

Como Gibran escreveu, “nossa alegria é nossa tristeza mascarada. Quanto mais profundamente a tristeza cavar suas garras em nosso ser, tanto mais alegria poderemos conter”. E ele acrescentou:

“Alguns dentre vós dizeis: ‘A alegria é maior que a tristeza’, e outros dizem: ‘Não, a tristeza é maior.’ Eu, porém, vos digo que elas são inseparáveis. Vêm sempre juntas; e quando uma está sentada à vossa mesa, lembrai-vos de que a outra dorme em vossa cama. Em verdade, estais suspensos como os pratos de uma balança entre vossa tristeza e vossa alegria. É somente quando estais vazios que estais em equilíbrio.” [5]

Evitar a euforia e o desânimo, trilhando o caminho da paz interior, é próprio de seres maduros.
A verdadeira sabedoria não se separa da arte de viver com simplicidade. Apontando na mesma direção, o antigo sábio chinês Lao-tzu, o fundador do taoísmo, afirma na obra “Wen-Tzu”:

“O caminho do céu é reverter depois que se atinge um clímax e diminuir ao atingir a plenitude; isso é ilustrado pelo sol e pela lua. Por isso os sábios se diminuem diariamente, esvaziam os seus estados de espírito e não ousam ficar satisfeitos consigo mesmos; eles progridem diariamente fazendo concessões, assim sua virtude não se desvanece. É assim que funciona o caminho do céu.” [6]




NOTAS:

[1] “Bem-Aventurados os Que Sofrem”, Paul Carlton, Organização Simões, RJ, 1953, p. 28.

[2] “O Profeta”, de Gibran Khalil Gibran, Ed. Acigi, RJ, trad. de Mansour Challita, pp. 49-50.

[3] Da seção “Antologia”, incluída na obra “Epicuro – As Luzes da Ética”, de João Quartim de Moraes, ed. Moderna, SP, p. 93.

[4] “The Art of Living”, Epictetus, a new interpretation by Sharon Lebell, Harper SanFrancisco, Harper-Collins, 1995, EUA, 114 pp., ver pp. 3, 27, 28, 29, 25, 12 e 14, respectivamente.

[5] “O Profeta”, obra citada, pp. 27 e 28.

[6] “Wen-tzu – A Compreensão dos Mistérios”, Ensinamentos de Lao-Tzu, Tradução do chinês, Thomas Cleary, Ed. Teosófica, Brasília, 2002, 198 pp., ver p. 60.


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O texto acima é uma versão - atualizada pelo autor - do artigo publicado sob o mesmo título na revista “Planeta” em junho de 2000.

Sobre o tema de como enfrentar o sofrimento, veja também o texto “As Horas Difíceis”, de Carlos Cardoso Aveline, que pode ser localizado pela Lista de Textos Por Autor no website www.filosofiaesoterica.com .

Para um estudo regular da teosofia ou sabedoria divina, escreva a lutbr@terra.com.br e pergunte como é possível acompanhar o trabalho do e-grupo SerAtento.

Tuesday, March 01, 2011

O PRAZER e a DOR em ARISTÓTELES:


Ramiro Marques

Aristóteles define prazer como "um certo movimento da alma e um regresso
total e sensível ao estado natural" (1). A dor é o seu contrário. O que produz a
disposição para o prazer é agradável e o que a destrói é doloroso. É agradável e,
portanto, dá prazer, o que tende para o estado natural e os hábitos também são
igualmente agradáveis porque o que é habitual assemelha-se ao que é natural. É,
também, agradável o que não resulta da coacção.
Por outro lado, é doloroso o que obriga ao esforço não querido ou não habitual e,
de uma maneira geral, tudo o que traz preocupações ou envolve a necessidade e a
coacção.
É essa a razão pela qual o descanso, os jogos e o sono são agradáveis, pois
ninguém descansa, joga ou dorme por obrigação.
Claro está que o agradável é, também, tudo aquilo de que temos em nós o
desejo, pois o desejo é apetite do agradável. Os desejos podem dividir-se em racionais e
irracionais. Os desejos irracionais são "os que não procedem de uma acto prévio da
compreensão; e são desse tipo todos os que se dizem ser naturais, como os que
procedem do corpo; por exemplo, o desejo de alimento, a sede, a fome, o desejo relativo
a cada espécie de alimento, os desejos ligados ao gosto e aos prazeres sexuais e, em
geral, os desejos relativos ao tacto, ao olfacto, ao ouvido e à vista" (2). Ao invés, os
desejos racionais são apenas os que procedem da persuasão.
Entre as coisas mais agradáveis, Aristóteles coloca a honra, a boa reputação e,
acima de tudo, os amigos. Os gregos usavam a palavra hedone, para dizer prazer e
hedesthai, para tirar prazer. Aristóteles opta por uma posição intermédia acerca do bem,
não o identificando com o prazer, mas também não negando que o prazer pode ser uma
espécie de bem. E o que é o bem, para Aristóteles? "Entendemos por bem o que é digno
de ser escolhido em si e por si, e aquilo em função do qual escolhemos outra coisa;
também aquilo a que todos aspiram, tanto os que são dotados de percepção e razão,
como os que puderem alcançar a razão; tudo o que a razão pode conceder a um
indivíduo, e tudo o que a razão concede a cada indivíduo em relação a cada coisa, isso é
bom para cada um; e tudo o que, pela sua presença, outorga bem-estar e autosuficiência; e a própria auto-suficiência; e o que produz ou conserva esses bens; e aquilo
que de tais bens resultam; e o que impede os seus contrários e os destrói" (3).
O prazer é, também, um bem. Se o não fosse, como é que todos os seres vivos, e
não apenas os seres humanos, o desejam? As coisas agradáveis e belas são
necessariamente boas, pois as agradáveis produzem prazer, e as belas são agradáveis.
Por que razão o prazer e a dor são tão importantes na ética aristotélica? É que
amar e odiar as coisas certas constitui o aspecto mais importante da virtude do carácter:
"o prazer e a dor prolongam-se por toda nossa vida, e são de grande importância para a
virtude e a vida feliz, uma vez que as pessoas decidem fazer o que lhes é agradável e
evitam o que lhes é penoso" (4).
Aristóteles discorda dos estóicos, mas também não concorda com os epicuristas,
porque os primeiros identificam o prazer com o que é vil e os segundos confundem
incondicionalmente o prazer com o bem. Ora, a verdade é que não podemos nem
exagerar a bondade nem a maldade do prazer. Se é certo que a dor deve ser evitada e
aquilo que dá prazer deve ser procurado, importa, num caso e noutro, combinar as
nossas escolhas com a inteligência, a compreensão e a sabedoria. Por outro lado,
embora o prazer seja um elemento da vida feliz, a felicidade não se confunde com o
1prazer. Além disso, quando os prazeres provêm de fontes vis, não podem ser procurados
pela pessoa virtuosa. É o caso da riqueza, que é um bem desejável, mas que o deixa de
ser se resulta de uma traição. Decorre de tudo isto que "o prazer não é o bem, que nem
todo o prazer merece ser escolhido, que alguns prazeres são intrinsecamente dignos de
escolha, diferindo em espécie ou nas sua fontes dos que o não são" (5).
Aristóteles identifica diferentes espécies de prazer. Quanto mais prazer temos
com uma actividade, mais aumenta a nossa vontade de continuar a actividade. Cada
prazer aumenta a actividade que lhe está associado. E pode, inclusivamente, torná-la
mais longa, exacta e melhor. É o caso do músico que tira prazer a fazer música e que,
quanto mais prazer tem na actividade, melhor músico se torna. O mesmo poderíamos
dizer do romancista, do poeta, do filósofo ou do matemático.
Ao contrário, a dor tende a reduzir ou a extinguir a actividade. É o caso do
estudante que não tira prazer com o estudo e que acaba por deixar de estudar como
forma de evitar a dor que essa actividade lhe traz.
Uma vez que as actividades diferem na decência e na maldade, há algumas que
são dignas de escolha e outras que se devem evitar; o mesmo é verdade para os
prazeres, já que o prazer é uma actividade. O prazer adequado a uma actividade
excelente é um prazer digno e o prazer próprio de uma actividade vil é vicioso. Da
mesma forma, os apetites de coisas boas são dignos de escolha e os apetites de coisas
vis são indignos de escolha. No essencial, podemos afirmar que há prazeres do
pensamento e prazeres dos sentidos e que há prazeres dignos e prazeres vis. Os prazeres
do pensamento são sempre dignos e os prazeres dos sentidos são dignos apenas quando
andam associados com a virtude do carácter.
Na verdade, há coisas que dão prazer a certas pessoas, enquanto provocam dores
noutras. Algumas pessoas consideram-nas agradáveis e estimáveis, enquanto outras
pessoas as consideram lastimáveis. Se assim é, como é possível determinar as coisas
verdadeiramente agradáveis e boas? Para Aristóteles, o que é realmente agradável e
bom é o que é assim para as pessoas virtuosas. E se o que a pessoa virtuosa considera
lamentável e indigno aparece como agradável para alguém, isso só acontece porque as
pessoas sofrem muitas formas de corrupção que as impedem de deliberar bem.
Que tipo de coisa é o prazer? Será uma actividade ou um processo? Se for
considerada uma actividade, é o prazer uma actividade completa ou incompleta?
Aristóteles procede à discussão destes assuntos, ao longo da primeira parte do
livro X da Ética a Nicómaco. Refuta a ideia de que o prazer é um processo porque o
prazer, ao contrário do processo, é uma coisa sempre completa. O processo, por
definição, necessita de tempo, enquanto o prazer é instantâneo, ou se tem logo ou não se
tem. Quanto mais completa for a actividade mais prazer ela dá. O prazer é uma
actividade, não é um movimento, nem um processo. Mas o prazer não é o bem em si
mesmo. Só é o bem quando é consequente com uma actividade boa. O prazer é muito
importante na educação ética porque ele pode enganar-nos acerca do bem e destruir a
nossa concepção do bem. Mesmo quando possuímos uma concepção correcta do bem, o
apetite pelos prazeres pode conduzir-nos à incontinência e é, por isso, que a educação
ética requer a competência para deliberar e decidir sobre os prazeres e as dores
correctas.
Aristóteles dedica todo o capítulo VII do livro II da Magna Moralia à análise da
questão do prazer. A insistência com que este assunto é abordado nas éticas aristotélicas
deve-se ao facto de, no tempo do filósofo, imperarem duas grandes correntes filosóficas
opostas sobre a relação entre o prazer e a felicidade: a escola dos epicuristas e a escola
dos estóicos. Para os primeiros, o prazer identifica-se com a felicidade, para os
segundos, o prazer pode ser um obstáculo à felicidade. Aristóteles afasta-se destas duas
2perspectivas extremistas e opta por considerar o prazer como essencial à felicidade, mas
destaca que há prazeres que valem a pena e outros que, por serem excessivos, devem ser
controlados ou evitados pelo uso da razão e da boa deliberação.
Assim sendo, Aristóteles não identifica a felicidade com o prazer, mas sim com
a virtude e com a vida conseguida e realizada, mas não deixa de acentuar que uma vida
realizada não dispensa a fruição moderada dos prazeres da alma e dos prazeres do
corpo, desde que no respeito pela justa medida, nas alturas apropriadas e das formas
correctas.
Na Magna Moralia, o filósofo terá oportunidade de defender a tese da existência
de prazeres de múltiplas espécies: prazeres da alma (os prazeres superiores, os quais
nunca pecam por excesso), os prazeres exteriores (riqueza e beleza) e os prazeres do
corpo (prazeres da mesa e do sexo, por exemplo).
Desde que usufruídos com moderação, os prazeres são necessários à virtude e,
embora não sejam o supremo bem, são necessários para que o homem possa alcançar o
bem supremo: a felicidade (6).
Na Magna Moralia, o filósofo defende a tese de que a virtude implica prazer.
Isto é, a virtude não é uma consequência do prazer, mas o contrário: "é claro que a
virtude é acompanhada de prazer ou de dor. Ora, se alguém se ressente da dor ao
realizar boas acções, quer dizer que não é um homem de bem. Por consequência, a
virtude não saberia acompanhar-se de dor, ela acompanha-se de prazer. Por isso, longe
de ser um entrave, o prazer é um estímulo para a acção. E, de maneira geral, não se pode
conceber a virtude sem o prazer que ela faz nascer" (7).
Notas
1) Aristótesles (1998). Retórica. (Tradução e notas de Manuel Júnior, Paulo Alberto e
Abel Pena). Lisboa: INCM, 1370 a, p. 83
2) idem, 1370 b, p. 84
3) Aristóteles (1998). Retórica. (Tradução e notas de Manuel Júnior, Paulo Alberto e
Abel Pena). Lisboa: INCM, 1362 a, p. 64
4) Aristóteles (1985). Nichomachean Etichs. (Introdução, tradução e notas de Terence
Irwin). Indianapolis: Hackett, 1172 a 25, p. 266
5) idem, 1174 a 10, p. 273
6) Aristóteles (1995). Les Grands Livres D`Éthique (Magna Moralia). Évreux:
Arléa, 1206 a
7) idem, 1206 a, 20, p. 178

http://www.eses.pt/usr/ramiro/docs/etica_pedagogia/O%20PRAZER%20E%20A%20DOR%20EM%20ARIST%C3%93TELES.pdf
"Para chegar à ataraxia, o homem deve perder o medo da morte. Como corpo e alma são entidades materiais, não existem sensações boas ou más depois da morte; assim, o temor da morte não se justifica. Epicuro aceitava a existência dos deuses, mas acreditava que eles estavam muito afastados do mundo humano para preocupar-se com este. Logo, o homem não tem porque temer os deuses, embora possa imitar sua existência serena e beatífica. De seus estudos científicos, Epicuro derivou uma filosofia essencialmente moral. À semelhança de outras correntes filosóficas da época, como o estoicismo e o ceticismo, suas concepções vieram ao encontro das necessidades espirituais de seus contemporâneos, preocupados com a desintegração da polis (cidade) grega. O prazer sensorial converteu-se na única via de acesso à ataraxia. Esse prazer, porém, não consiste numa busca ativa da sensualidade e do gozo corporal desenfreado, como interpretaram erroneamente outras escolas filosóficas e também o cristianismo, mas baseia-se no afastamento das dores físicas e das perturbações da alma. O maior prazer, segundo Epicuro, é comer quando se tem fome e beber quando se tem sede. O “tetrafármaco”, receita do mestre para a vida tranqüila, tem o seguinte teor: “O bem é fácil de conseguir, o mal é fácil de suportar, a morte não deve ser temida, os deuses não são temíveis.”

http://discordianismo.wordpress.com/2009/12/04/epicurismo-principios/
Quando não estamos apegados a grupos, a crenças, a nacionalidades, a famílias, a nós próprios, então somos verdadeiramente livres, e, a relação com o outro(a) brota da compaixão, da liberdade, do amor por todos os seres.
Observamos a totalidade sem direção, depois a análise torna-se importante ou não.
A verdade está onde nós estamos, e, sem condicionamentos é em silêncio e quietude, que são inteligência.

Monday, February 28, 2011

Reconhecer, mesmo as experiências mais transcendentes, é envelhecê-las, pôr-lhes fim.
E, tais experiências podem nem ser (geralmente não são) algo novo, só o novo sendo real e verdadeiramente transcendente, mas, tão só meras projeções do passado, do condicionamento, da pequenez...
Se não sabemos o que fazer coms as coisas, desejar mudar o que "está mal" para o que "deveria ser" é só uma fuga, um erro, um adiamento, uma ilusão, um conflito, uma derrota.
É o perfume e o nariz, o alimento e a boca, o som e o ouvido, o que toca e o tocado, o observado e o observador... Todos têm a mesma grande importância, e, actuam conjuntamente.
Sem fazer pois sofrer, gozando e ajudando a gozar, longe de perigos, silenciosamente ou nem tanto, sensivelmente, serenamente...
Não esforçando-nos por agir corretamente, mas,escutando\lendo|observando\experimentando sem interpretarmos, sem traduzirmos, sem distorcermos. Nem sequer tentando ter atenção.
É como o silêncio, forma extrema da mais alta ordem: não é algo que tentemos imaginar ou de que tentamos tomar consciência: no momento em que temos consciência de estarmos em silêncio, já não há silêncio. E, todavia, cérebro em silêncio é atividade das suas outras partes que têm andado desocupadas (como nas gentes); cérebro que não está em conflito, que está integrado, uno é cérebro que põe em ordem tudo o que toca; cérebro não dividido é a própria beleza, o amor.
Não é uma questão de apetecer ou não apetecer, de querer ou não querer, muito menos de evitar a experiência, mas, da melhor coisa a fazer, de fazermos efetivamente o que mais prazer nos dá, sem nos provocarmos dor, agora, logo e amanhã.
Há o bom cheiro em si mesmo, e, por exemplo, o bom cheiro para a boca ou para o toque.
E, vida é relação, que é espera, moldarmo-nos uns aos outros(as)...
Apego da dependência é escravidão e é dor, e, pensarmos sempre na mesma direção não é bom. E, é o todo e as partes, sem motivo nem registos.
Não fragmentados mas unos, igualitários, com justiça, sem comparações nem imitações.
Libertos do passado, do conhecido, dos insultos e dos louvores, sem envelhecer, portanto, e, sem dor, tranquilos.
Sem apoio em memórias, sem a inútil coleção de antiguidades, tudo sempre novo.
Sagrados, eternos, sem princípio nem fim, pela compreensão e rejeição do falso sagrado do pensamento: imagens, crenças, músicas, rituais, dogmas, sacerdotes, políticos, gurus, seguidores...
Sem conflito é sem desejo de ser, de adquirir, de alcançar, de ganhar, de chegar... Mas, não do comprazer.
E,com atenção é sem separação no eu e entre o eu e o tu, o observador e o observado.
Harmonia, perene movimento sem controlo, sem manipulações entre o conhecido e o desconhecido.
Não oposição, mas, complementaridade, cooperação, por sabermos o que fazermos/fazemos com o que é.

Saturday, February 26, 2011

Todos os seres procuram, agem no sentido de serem felizes, de terem bem estar, prazer, e de não terem dor, mal estar.
Estamos, todos os seres, todos os corpos, todas as coisas, interligados, resultando o prazer das coisas boas e corretas que fazemos e a dor das coisas erradas e más que fazemos.
E, não adianta, quem o não sabe, dizermos\desejarmos aos outros(as) que só façam coisas boas e correctas e não façam as más e as erradas, se não o fizermos primeiro.
Desejar o bem, a felicidade, o bem estar, o prazer para todas as pessoas e seres é portanto o mais importante e urgente.
Sabermos o que se passa em todo o mundo e universo é também muito importante.
Sendo a dor e a morte o resultado das coisas más e erradas que fazemos, só temos pois de deixar de as fazer, o próprio amor incondicional sendo erro/maldade como é a falta de amor, pois, amar incondicionalmente é tão ineficiente e incentivo ao erro/mal como não amar, mesmo sendo amados.
Estamos, está sempre tudo a nascer e a morrer, a rejuvenescer numas coisas e a envelhecer noutras: antes de nascermos éramos os pais e depois de morrermos somos os filhos, mas, há muito mais para além disso: antes de sermos o que somos agora, todos, mesmo os sem filhos, éramos água, terra, ar, plantas, pessoas, animais..., e, depois de mortos, mesmo em vida, voltamos a ser água, plantas, terra, animais, pessoas... Esta é a verdade verdadeira, e, só a Verdade liberta.
Claro que muito dificilmente há espíritos separados dos corpos, o que não quer dizer, como acabei de escrever, que não renasçamos como outras pessoas, não noutras pessoas, portanto. Aliás, a mudança permanente é outra das grandes e eternas verdades mui verdadeiras: com toda a certeza segura de que não somos agora o que fomos há momentos: uma ignorância e estupiz completas, pois, o anseio pela continuidade!

Friday, February 25, 2011

Coragem que nasce do esforço para sermos corajosos é ainda medo, mas, se compreendemos em profundidade e vastidão toda a nossa cobardia, então ficamos verdadeiramente corajosos e sem imprudências.
Amor não exclui prazer, mas, não é para os estarmos sempre a perseguir a qualquer custo, antes, para a união, a unidade, a justiça, a igualdade, a fusão, a actualização, a compreenssão, e, o fazer bem.
Temos cinco sentidos: um não pode tornar-se dominante, não pode existir desequilíbrio no funcionamento dos nossos sentidos: vista, sabor, audição, cheiro e toque. Os sentidos podem pois operar como um todo, o que acontece pela compreensão, não pela luta: a experiência da água, p.e.,com a qual contactamos/experienciamos com a vista, o nariz, as pupilas gostativas, os ouvidos, o corpo todo...

Thursday, February 24, 2011

A vida é imensa, sem princípio nem fim, para além de todos os conceitos e esperanças. É infinita em profundidade e vastidão, o mais sagrado que existe.
Logo, ser violento, odiar, matar é o pior que há!
Tudo e todos os seres fazem parte de nós: fazer-lhes mal, matá-los é fazermos mal nós próprios... Fazer-lhes bem, ajudá-los é fazermos bem a nós próprios. Mas, sem sermos nenhum centro: só há um centro, e, é o do todo.
Quem não sente a totaliddae e a unidade da vida está morto, mas, compreendendo-se isto muito bem, não com um supercial assentimento, vive-se rica e abundantemente.
Vida é amor, que é prazer, mas, só o de fazer bem a todos os seres e a nós também, nunca mal. Também é compaixão, o amor, que não tem opostos: onde reina o amor não existe ciúme, nem ambição, nem agressividade, nem possessividade, nem inveja.
Amor é ainda inteligência, mas, não do pensamento nem do conhecimento.
Amor é também ainda a única segurança, estabilidade, saúde e energia.

Wednesday, February 23, 2011

O oposto é muitas vezes criado pelo pensamento
na tentativa da compreensão do real,
e, também, como fuga a esse real.
O oposto não existe portanto, e, é quando
observamos mui bem a realidade sem esse ilusório oposto que não só a compreendemos com todo o nosso ser, como nasce a ordem perfeita, livre.
O pensamento é extraordinário, mas, é limitado, como se vê muito bem no sectarismo, no nacionalismo, no conflito. A que é quase ilimitada é a percepção total, consciente e inconsciente, superficial e profunda, física e espiritual, individual e coletiva, fisiológica e psicológica.
Não bastam pois muitos e bons pensamentos, associações, conclusões... São urgentemente precisos cérebros livres, com espaço, silenciosos. E, neste silêncio, nesta tranquilidade absoluta não há começo nem fim, nem criação nem destruição, nem causa nem efeito... Só Vida incrível, infinita, eterna, sereníssima...

Monday, February 21, 2011

A urgente atenção
é à verdade,à seriedade,
à serenidade,
ao amor, ao fervor,
à honestidade,à sensibilidade,
à distração, aos problemas,
a resolver logo que surgem.
Infinitos é sem centro,
sem ego: somos infinitos,
sem medo de sermos sugados pelo infinito:
estando no infinito,
perdemo-nos é sendo
finitos:
também finito é um com infinito.
Grande silêncio\paz não
provocados pelo pensamento,
por um esforço de cessar
conflitos talvez por quem
se julgue superior, mas pela compreensão
de todo o movimento da existência.
Silêncio sem perguntas nem respostas,
sem desafios, sem buscas...
E, sentido infinito de espaço, de harmonia,
de beleza, de riqueza, de eternidade, do sagrado,
do sublime, indescritíveis, não criados pelo pensamento.
Mente não ocupada
com tagarelices,
nem mesquinhices,
nem mais com seus
pequenos problemas
do que com mui graves problemas
de todos seus irmãos,
é mente em ordem,
com espaço, não egoísta,
benfeitora.

Saturday, February 19, 2011

Só o que é importante,
verdadeira segurança,
conhecimento e pensamento
no lugar que lhes compete,
ordem completa, percepção profunda,
novo modo, nova função,
nova coisa, novo organismo,
fantástica energia...
Amor não é apego
nem atração sexual
e desordem é falta de amor.
Onde há ciúme, oposição,
conflito, ambição, desejo de posição,
busca de poder, um sentido de egoísmo
não há amor. E, "a essência do egoísmo
é o processo do registo".
Do sofrimento, do castigo não
vem nada de bom (não
me façais, interpreteis mal...),
e, é no findar do sofrimento
que começam amor e compaixão,
que são o paraíso, o milénio,
e, que algo mesmo infinitamente grande tem lugar.
Espaço não
construído pelo pensamento,
espaço real, vasto, sem
limites... Observação
sem barreiras,
movimento
perpétuo,
sem
tempo.
Vitalidade original,
compreensão total
da vida, correta ação.
Silêncio mental
absoluto, eternidade.
Sem fazermos mal,
sem nos sentirmos ofendidos...
Em livre ordem:
ordem total
é liberdade,
liberdade é ordem.

Friday, February 18, 2011

O controlador é o controlado,
o pensador é o pensado:
permanecendo com esta verdade,
estando sempre com esta realidade,
sem qualquer interferência
do pensamento, com inteligência,
com cuidado atuando
e tudo bem observando,
ficamos cheios de energia e amando
afectuosamente todos os seres.

Adoração da criação
do pensamento,
não deixa de ser auto-adoração,
isolamento.

Thursday, February 17, 2011

O eterno é a ausência do tempo
pela vivência relacionada,
mui apaixonada,
do momento, sem evasão
alguma, muito menos
para o que «deveria ser».

Wednesday, February 16, 2011

Reconhecer é voltar a conhecer algo antes experienciado, mas, a verdade, o real são sempre novos, nunca são o que aconteceu ontem.
Estarmos sempre recordando o antes é portanto impedirmo-nos de experienciar o presente, o real, a beleza.
Ninguém nos pode dar a luz que nunca morre: ela só acontece com o auto-conhecimento.
Seguir é imitar e bloquear a lucidez, a investigação, a integridade e a seriedade nossas e dos seguidos.
A Verdade, Deus tão pouco é um prémio: se queremos compreendê-Los, todas as formas de recompensa, de disciplina e de punição têm de ser postas de lado.
A verdade pode ser a um, a dois, a infinitos: não nos condicionemos nem sequer admitindo a velada sugestão de que tem de ser de um só modo.
Pensamento afastado da realidade é sem valor, e, não aceitamos nem negamos.
Inconsciente não é nem mais nem menos importante do que consciente:o primeiro é resíduo/reserva cultural e técnica em memória, o segundo é o mesmo em ação.Também não afastemos pois consciente de inconsciente.
Todos os esforços, todas as compulsões, todas as direções distorcem a mente e impedem a lucidez.
A ordem, que é fundamental, é virtude e moralidade. Mas, não falamos nem da moral, nem da ética, nem na virtude, nem na deontologia comuns, que admitem a ambição, o conflito, a inveja, a competição, o matar em nome de Deus, dos países, das famílias, e, esta virtude, esta ética, esta moralidade, esta deontologia não são praticáveis como um hábito mecânico e rotineiro.
Sermos ordem, virtude, integridade significa conhecermos profundamente as nossas desordens interiores e exteriores, as nossas contradições, as opressões dos nossos prazeres, dores, ambições, orgulhos, invejas, imprudências, medos: "na profunda recusa da desordem, há ordem".
Não podemos sentir ódio por uns e amor por outros: se temos amor amamos todos os seres, não fazemos mal a nenhum, e fazemos bem a todos.
A beleza verdadeira, profunda não é do homem, não está no quadro, no edifício, na máquina na estátua, na escrita... Nem sequer na nuvem, na luz, na árvore, na água, na natureza, no mineral, no animal, na pessoa... A beleza profunda "reside onde há ordem, na ordem da mente que não está em confusão, que tem ordem completa. E só pode haver ordem onde há uma total ausência de egoísmo, quando o «eu» não é importante (cessa)".
Morrermos a cada momento para o passado, para todo o conhecido é sermos sempre novos, eternos mesmo:só do que morre para o passado e para o futuro nasce o novo. Morremos pois para dores e prazeres, para amigos e inimgos, familiares e distantes, para casas, carros, aviões, terras, animais, nomes, livros, filmes,contas bancárias, dinheiro, insultos, agressões, ofertas, ideias, elogios, ideais... naturalmente, sem medo algum, tornando-nos completamente anónimos, que é sermos sem violência alguma.
Quando existe apego, há medo que se torna autoritário, possessivo, dominante, opressivo, não podendo pois haver amor. O medo mata o amor.
O que acende portanto em nós a luz eterna é a grande, profunda compreensão da vida e da morte, que também são unas.. E, ninguém pode compreender por nós!
O amor é inocência, silêncio, frescura, juventude, serenidade, luz, ordem, lucidez, beleza e ação, nada disto sendo só do pensamento.
Esta ação é sempre nova, não é do tempo, logo não podendo ser medida/avaliada pelo pensamento: é o Imenso que não podemos alcançar, que não é descritível nem por palavras nem por símbolos que são destrutíveis, mas, que vem à ordem, à beleza e ao amor completos.

Monday, February 14, 2011

Basicamente, a atividade
do pensamento é conflituosa,
separativa, mui dolorosa,
no dogma, na fórmula, na religiosidade.

Não a idade das luzes,
mas, para nós mesmos luzes:
a moral e a lei da luz,
não as contraditórias leis do pensar sem luz.

A verdadeira moralidade
não resulta da pressão
do meio, não vem da tradição:
nasce do amor, da afetividade.

E o amor, claro, não é
desejo nem prazer: ele é afeição
e nasce da grande atenção.
E, sermos luzes de nós próprios é

estarmos libertos da estrutura
condiconante do pensamento, é não
projetarmos ideais que se sobrepõem
à realidade do presente, é não
termos "comos" nem sistemas:
é só vermos, sermos todos olhos,
mas nossos, não de outros,
nem mesmo dos maiores,
é sermos só amor.
O novo de que falamos
é pois o eterno, o que não
envelhece, o divino.
Mas, o resultante do desejo,
do medo, do homem não é a realidade,
é a ilusão.
Em tudo há níveis,
também na realidade
e na moralidade:
ser verdadeiramente moral
é ter raízes na profundidade,
que é ordem, unidade,
segurança.
Nem sequer o êxtase é para
registar, pois, todo o registo
se transforma em memória
que tanto distorce a observação.
Experiencia-se o que se deseja
experienciar, o que nos foi transmitido,
todo o nosso condicionamento, não
o novo, o criativo, o original.
Sem opiniões,
sem conclusões,
sem juízos, sem preconceitos,
sem aceitar
nem rejeitar,
sem medo, sem desejo,
sem imagens, sem controlar
o pensamento,
portanto.
Naturalmente é esvaziados
do conhecido, do passado,
de nós mesmos, do pelo homem tocado.
Só a mente tranquila,
sem movimento algum pode desfrutar
da compaixão, do amar,
e, muitíssimo mais, do sagrado,
do profundo, do divino, do incorruptível,
do ordem, do não tocado
pela humanidade,
por todo o processo do pensamento.
(Re)começando a todo o momento
sem saber, com o desconhecido, a verdade e a certeza;
Sempre com o conhecido na mente e na boca, a ignorãncia
e a dúvida sem cessar.
Sem conflito, sem repressão,
mas, não permissivamente,
tudo permitindo. Sem comparação
portanto, energicamente.

Sem desejo, sem sensação,
sem pensamento, que é limitação,
sem imagem, sem experimentação,
sem ilusão... Com vera inovação!

Sem mágoas do passado,
sem movimento do passado
em direção ao agora exaltado,
olhando todo o mapeado.

Sem nenhum motivo,
sem nenhuma direção,
sem prazer ou aflição,
sem prémio ou castigo,
sem centro emotivo,
sempre com o todo.

Sem a autoridade,
o fardo do passado;
completamente sós,
sem qualquer dependência
nem pendência,
sendo a nossa própria luz;
Completamente tranquilos,
silenciosos, mas, não ociosos;
sem mente registadora,
não por imposição
ou esforçado cultivo,
mas, pelo natural viver
diário.
Com a beleza não
da proporção
ou do estilo, da grandeza
ou da pequenez, do eu a julgar,
mas, da ausência do eu com todas as suas aflições,
ansiedades, mágoas e pobres prazeres:
eu que pode acontecer nem se expressar.
Não podemos sempre andar
a medir, a comparar...
e, depois Incomensurável desejar
facilmente encontrar.

Thursday, February 10, 2011

A reencarnação constante da memória, do passado é totalmente fútil, pois, a ação nascida da memória do medo não é livre.
Somos ainda por demais serpentes, tigres brutais, violentos, avarentos, ávidos... cada um perseguindo a sua satisfação pessoal.
Temos, ao longo de infinitas reencarnações, apostado tudo no tempo para matarmos esses tigres, essas contradições, esses conflitos, mas, para descobrirmos que morremos antes de acabarmos de os matar.
O caminho é pois outro, e, é o de VERMOS o perigo de todas as serpentes, todos os tigres, todos os crocodilos, todos os dragões,todos os javalis, todos os macacos... em suma, todos os perigos que há em nós e libertarmo-nos deles imediatamente, com uma só percepção.
E, claro, o problema não está no tempo, mas, na dor e no prazer e no desejo de acabar com a primeira e prolongar/aumentar o segundo: o tempo em si mesmo é neutro, não é nada. Dor não é portanto temida nem dela fugimos e prazer não buscamos.
E ainda, VER o perigo do medo é o findar do medo, sem sequer o intervalo/tempo de um décimo de segundo!

Wednesday, February 09, 2011

O processo gradual de nos libertarmos do medo e da violência apenas produz mais medo e mais violência.

O mesmo para a libertação gradual dos fenómenos destrutivos da poluição e alterações climáticas associadas à tecnologia: só leva a mais destruição.

E, por fim, se não for aceite a solução da libertação pela compreensão profunda, total e imediata destas questões tão urgentes e importantes, levam os dois processos à morte individual e geral.

Tuesday, February 08, 2011

Sem sermos influenciados por desprezos e por louvores;
sem fazermos sofrer injustamente;
sem deformações nem distorções de memórias,
de exclusivismos, de medos, de ambições,
mesmo "boas";
observando portanto sempre inocentemente,
como sendo sempre a primeira vez:
aprendizagem é movimento e renovação constantes, não
"aprender" e olhar a partir daí.
Esquecemo-nos do facto "nós próprios"
quando outro facto, por nossa, dele ou de ambos iniciativa
se sobrepõe a nós próprios.
E, esquecermo-nos de nós próprios é o fim da dor, o bem estar.
Mesmo comendo só,
sem matar, animal
morto sem dó,
pactuo com sua dor,
atraio para mim dor.

Monday, February 07, 2011

O que mata
é a crueldade,
a dureza,
a insensibilidade,
a pressa,
a distração.

Wednesday, February 02, 2011

Êxtase não gosta
nem deixa de gostar;
êxtase é paixão,
é intensidade;
êxtase não é pessoal:
não é "eu" nem "meu".

Tuesday, February 01, 2011

Vidas e mentes em desordem
chegam à matemática ordem
profundamente compreendendo
sua desordem,não empreendendo
grande esforço matemático.

Monday, January 31, 2011

Não pode de modo algum ser
ele(a), elas(es) sabem, podem e nós não;
nem tão pouco pode luta connosco próprios ser,
nem ainda conformação com padrão
de outros ou nosso, nem repressão
de desejos, invejas, ambição.
Serenidade da mente não
é pelo esforço, pela luta, pela tensão.
Nem sequer vale a concentração
nos princípios, nas ideias, na tradição,
nas imagens, nos símbolos excluindo tudo o mais.
O que se quer mesmo, portanto, é a compreensão
do facto pela escuta em silêncio,
sem concordar nem discordar, com todo o nosso ser,
não meramente o entendimento verbal, intelectual.
Compreensão é a verdadeira liberdade,
mesmo a libertação disto ou daquilo só sendo pela total
COMPREENSÃO.
Exclusão ou inclusão,
atenção ou concentração
dependem, é claro, da situação,
tendo em conta a função.

Mestres e discípulos de nós
próprios, sem gostarmos
ou não gostarmos;
grande liberdade, sem nós.

Naturalmente, inevitavelmente,
suavemente, adequadamente,
compreensivelmente, atentamente,
activamente ou descansadamente.

Compreensão clara, não do eu central,
mas do silêncio total,
sem concordar ou discordar:
compreensão que é acção.

Friday, January 28, 2011

Não tem comparação
a energia da grande atenção
com a do esforço da tensão,
não lhe resistindo nenhuma má habituação.

Wednesday, January 26, 2011

A verdadeira felicidade,
o verdadeiro gozo,
a verdadeira alegria,
o verdadeiro prazer
residem na beleza, na ternura,
na bondade, na profundidade,
não no efémero, na possessividade,
no egoísmo,na maldade.
E, bondade é atenção
ao agora.
O amor é eterno:
mortos para o que não
é amor,
morte é sem dor,
e, intemporais somos.
Onde só existe o amor
da grande atenção
do agora, não
pode haver nem contradição,
nem conflito, nem dor,
nem prazer com dor:
só felicidade,
gozo, alegria e prazer
verdadeiros.

Tuesday, January 25, 2011

Pensar quando é mesmo necessário;
não pensar quando pensar é prejudicial.
Pensar criativa não mecanicamente.
Completa atenção sem deformação.
Completa liberdade, não apego a tribos,
famílias, nações, religiões, tradições,
bandeiras, causas... Nem sequer a nós mesmos.
Sem nos acomodarmos... Nem nos revoltarmos...
Despertos, sensíveis e inteligentes
por sabermos quando somos estúpidos.

Monday, January 24, 2011

Sem censuras nem justificações observamos e observamo-nos, e, o amor...
Verdadeiros seres humanos livres é o que se quer e não máquinas treinadas para certas ocupações e por fim morrerem. Todos, mas mesmos todos, ladrões e roubados incluídos, sofremos porque somos Todo: só compreendendo todos isto, sem justificações nem censuras pode acabar o sofrimento e vigorar o sereno êxtase, sem dor.
Eternidade é sem pensamento: não há tempo quando não há pensamento. O que produz o tempo é pensar, pensar no que aconteceu ou não aconteceu ontem e no que pode ou não acontecer amanhã.
Pensar nas coisas ou nas pessoas torna-os importantes, dá-lhes continuidade. Já ficar quieto, pela compreensão, é o fim do medo, do prazer e da dor, mas, não o fim da vida nem do êxtase, claro.

Friday, January 21, 2011

Um pequeno esforço, e, vendo que somos um com a árvore, um com o pensamento cessa a ideia de que somos separados, e, ficamos bem unidos, sem divisão, conflito algum: então cooperamos quando é para cooperar e não cooperamos quando não é para cooperar.
E, coisas complexas, como as mentes ou outras só se compreendem quando somos muito simples, olhando o problema sem conclusões, opiniões, respostas, suposições e teorias conhecidas/preconcebidas. As soluções estão nos problemas e só neles.
Está tudo unido, tudo faz parte do mesmo Todo, não podemos pois gostar realmente de uns e não gostar de outros: se verdadeiramente amamos alguém/algum ser vemos que está tudo unido e gostamos de todos. Mas, se nos dizem que está tudo fragmentado e acreditamos nisso, aí começa o conflito, o problema.
Não faz pois nenhuma diferença ganhar um(a) ou outro(a): sofrem ambos do mesmo mal, o do conflito.
Mas, no amor\amizade verdadeiros não há divisão/conflito, não há teu e meu, eu e tu, e, também não existe medo.
Como termos esse amor? Não é bom indicar caminhos, mas, observando-nos a nós mesmos profundamente talvez surja esse perfume, esse amor. Uma flor cheia de perfume partilha-o com todos, assim é a pessoa transbordando de amor.
A vida é extraordinária, gloriosa:
falo da vida com morte/descanso, claro,
da vida completa. Da vida em que corpo,
mente e espírito são unos;
da vida em que bom e mau nunca estão
divididos. Da vida em que não
há opostos.
Da vida da plena liberdade séria
com humor e amor.

Thursday, January 20, 2011

A ordem é fundamental,
interior e exteriormente,
e, não é de qualquer ordem,
é duma ordem completa e matemática
que precisamos;
mas, a ordem só surge pela observação,
com toda a atenção,
da desordem, jamais por tentarmos
adaptar-nos a padrões
que outros ou nós próprios consideramos ordem.
Da observação,
da tomada de consciência da desordem
é que nasce a grande ordem.
O mesmo para a justiça, a vigilância,
a humildade, a beleza, a inteligência,
o trabalho, a sensibilidade,
a paz, a criatividade,
o progresso, a serenidade...
E, o prazer pode tirar ou fazer dor.
E, não andemos sempre a perguntar
como, que é forçagem: a mente que está serena
sem ter sido forçada, por ter compreendido
é muito activa, sensível, desperta e penetrante,
agora andar sempre a indagar "como" é divisão,
mecânica mortífera.

Wednesday, January 19, 2011

O caminho da humildade
não é, não pode ser o cultivo da humildade,
mas, seguramente que é vermos mui bem
que somos, caso o sejamos, orgulhosos,
presunçosos e vaidosos.

Tuesday, January 18, 2011

Medo de chegar
ao fim do superficial,
do medíocre?
Medo da morte?
Que irracional!
Morrer é só descansar,
para continuar,
para aprender,
para crescer,
para realmente viver,
não para desaparecer!!

Monday, January 17, 2011

Começando por as divisões vermos
dos nossos conflitos sem escolhermos,
sem tomarmos partido, sem esquecermos
as demais divisões, é mui bem agirmos,
é levarmos os conflituosos à união,
que ficam como nós na grande razão,
e, é beleza, justiça, paz e paixão.

Sunday, January 16, 2011

Na origem, no original
não há pensamento,
e, é no original
que está o discernimento.

É do tempo, o pensamento,
que cria coisa temporal.
Mas, o original
é eterno, intemporal,
sempre sem mal.
Primeiro, o espaço entre nós e o observado conserva-se quando observamos, escutamos, tocamos, cheiramos, saboreamos sem rejeitarmos nem aceitarmos, e, depois, dá-se a fusão entre o observado, o escutado, o tocado, o cheirado, o comido/bebido e nós.
Buscar o prazer não só não é o fim do sofrimento como é geralmente mais sofrimento. O que não quer dizer que devamos ficar inactivos: certamente que temos de nos alimentar, cheirar, tocar, escutar, observar, proteger de agressões, descansar, meditar... Ou, que não haja um gozo, um prazer sem dor. Mas, é sem ser procurado.

Monday, January 10, 2011

Por mim dispenso
a crise aguda e permanente
a fim de estar sempre profundamente
desperto: descanasar é bom, penso.

Mas, isto deve ser
mera reação ao meio:
realmente, Portugal, e não só, está, creio,
tão dormente, que não vê que mui roubado está a ser.
Para a grande melhoria, de tudo/todos a observação
silenciosa, acordados e a dormir, com total atenção,
é tão crucial, tão determinante, tão importante,
ou mais, como agir com toda a correcta acção,
no momento certo, Violante.

Saturday, January 08, 2011

A essência da boa, não violenta revolução
é a não admissão do tempo com suas mudanças evolutivas,
suas reformas, suas buscas de ideais nunca atingíveis:
contar com o tempo é continuar tudo sempre na mesma mediocridade
sobre outra forma.
Não portanto gradualmente, mas, Agora, pela beleza e pelo extraordinário
do Real e do Verdadeiro.
E, muito menos por ajustamento das mentes a padrões previamente definidos por
revolucionários da direita, da esquerda ou da centro, o que é mais uma vez o mecânico e o morto no lugar do criativo permanente.
Nem sequer se trata de acabar com corruptos pela violência, nem tão pouco de os deixar actuar livremente na sua astúcia, fealdade e ânsia de poder, mas, de os escutarmos e observarmos, bem como a nós mesmos, a todo o momento e com atenção muito cuidadosa, de modo a todas as coisas e todos os pormenores serem revelados, seja nos rostos, nos olhares, nas palavras,nos silêncios, nas fugas,nas acções, nas omissões... sem nenhun recanto ficar por observar, tudo devendo vir à luz.
A grande sensibilidade, obviamente,só se manifesta com todo este escutar, mas não só, também todo o olhar, todo o tocar,todo o cheirar,todo o saborear...
E,grande sensibilidade é igual a mente extremamente aguçada, clarividente, actuante, sem necessidade de grande esforço e conflito, a própria corrupção, que é egoísmo, cessando e sendo substituída pelo amor, pela beleza e pelo humor.

Thursday, January 06, 2011

Os cortes nos salários que o Governo está a fazer aos funcionários públicos portugueses são inconstitucionais, por violarem pelo menos os seguintes princípos:

a) Da garantia

“ Artigo 59.º, n.º3:
Os salários gozam de garantias especiais, nos termos da lei.”
Será preciso dizer que cortar os salários é precisamente o oposto de garantir especialmente os salários? Como pode alguém, perante princípio tão claro, sugerir ou dizer que cortar nos salários não é violação, qual horrenda pedofilia, deste grande princípio da Constituição Portuguesa?

b) Da igualdade

"Artigo 13.º

1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.

2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual".

Efectivamente, viola claramente este princípio da igualdade serem somente os funcionários públicos e não também os funcionários privados e os patrões a contribuírem para o desígnio da eliminação do déficit do Estado, como se tal déficit existisse somente por causa dos funcionários públicos menos bons e não também por causa dos empréstimos e isenções às empresas, dos poucos impostos pagos pelos bancos, dos subsídios de desemprego e reformas pagos pelo estado aos funcionários privados e das milhares de empresas falidas tantas vezes por culpa de maus empregados e com patrões sem pagarem impostos e dívidas. Ou, então, como se o Estado não fosse efectivamente, e neste caso, todos os portugueses…

Pelo que, os meritíssimos juízes dos tribunais para os quais os sindicatos representativos dos funcionários públicos estão apelando só podem, sem medo da maioria dos políticos que persistem em tão má e injusta governação, declarar esta mesma inconstitucionalidade.

E, admitir sequer que os senhores juízes julguem pelas suas simpatias políticas ou outras ou é pessimismo, do género de: «as coisas estão más e ainda vão piorar mais» ou cinismo, muito má fé.
Os cortes nos salários que o Governo está a fazer aos funcionários públicos portugueses são inconstitucionais, entre outros motivos, como os da confiança e da intangibilidade ou irredutibilidade dos salários, por violarem o artigo 13.º da Constituição:
"Artigo 13.º
Princípio da igualdade
1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.

2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual".

Efectivamente, viola claramente este princípio da igualdade serem somente os funcionários públicos e não também os funcionários privados e os patrões a contribuírem para o desígnio da eliminação do déficit do Estado, como se tal déficit existisse somente por causa dos funcionários públicos menos bons e não também por causa dos empréstimos e isenções às empresas, dos poucos impostos pagos pelos bancos, dos subsídios de desemprego e reformas pagos pelo estado aos funcionários privados e das milhares de empresas falidas tantas vezes por culpa de maus empregados e com patrões sem pagarem impostos e dívidas. Ou, então, como se o Estado não fosse efectivamente, e neste caso, todos os portugueses…

Pelo que, os meritíssimos juízes dos tribunais para os quais os sindicatos representativos dos funcionários públicos estão apelando só podem, sem medo da maioria dos políticos que persistem em tão má e injusta governação, declarar esta mesma inconstitucionalidade.

E, admitir sequer que os senhores juízes julguem pelas suas simpatias políticas ou outras ou é pessimismo, do género de: «as coisas estão más e ainda vão piorar mais» ou cinismo.

Wednesday, January 05, 2011

Grandes, inspirados, reais,
justos momentos nas artes,
na política, na vida...
Sem medo, em liberdade
compreensiva, descobrindo
a verdade por nós próprios,
em primeira mão, originais...
Sérios por não desistirmos,
até à raiz das coisas irmos,
florescendo em beleza,
em justiça, em bondade...
Escutando no instante,
captando imediatamente
todo o significado
do que se está a ouvir
e do que não se está a ouvir...
Não podemos considerar a coisa/pessoa para onde fugimos mais importante do que a pessoa/coisa donde fugimos; verdadeiramente, fugir não adianta nada.

Tuesday, January 04, 2011

Os cortes nos salários que o Governo está a fazer aos funcionários públicos portugueses são inconstitucionais, entre outros motivos, por violarem o artigo 13.º da constituição:
"Artigo 13.º
Princípio da igualdade
1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.

2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual".

Efectivamente, viola claramente este princípio da igualdade serem somente os funcionários públicos e não também os funcionários privados e os patrões a contribuirem para o desígnio da eliminação do déficit do Estado, como se tal déficit existisse somente por causa dos funcionários públicos menos bons e não também por causa dos empréstimos e isenções às empresas, dos poucos impostos pagos pelos bancos, dos subsídios de desmprego e reformas pagos pelo estado aos funcionários privados e das milhares de empresas falidas tantas vezes por culpa de maus empregados e com patrões sem pagarem impostos e dívidas.

Pelo que, os meritíssimos juízes dos tribunais para os quais os sindicatos representativos dos funcionários públicos estão apelando só podem, sem medo da maioria dos políticos que persistem em tão má e injusta governação, declarar esta mesma inconstitucionalidade.

Monday, January 03, 2011

A morte só existe quando queremos
continuidade, que é insónia,
falta de morte para a memória,
retratos, fórmulas, crenças.
E, pensar pouco se pode sobre
a «essência espiritual», de outro modo
ela não mais é do que mais um fruto do pensamento,
uma ilusão.
Morrendo a cada segundo para cada prazer, cada dor, cada
hábito, bons ou maus, então sabemos por nós mesmos
o que existe para além da morte...e, que é a Vida!
Ambição, competição, vir a ser são sofrimento, e,
onde existe sofrimento e por falta de amor
nada se cria, nada medra, nada floresce...
E o facto é que tem de ser soberano, não as palavras,
os símbolos, as opiniões, as avaliações, as imagens, as memórias.
E, que beleza não há em vermos as coisas como elas deveras são!

Sunday, January 02, 2011

Queres ainda ser eterno,
ou, já nem por isso? Ainda queres?
Então, há que veres tempo como ele é.
Não amanhã, portanto, mas agora;
não ontem pois, mas agora.
Só o Agora, e... Eternidade!
Sim, sim sem passado e sem futuro
porque incrivelmente unos, plenos de riqueza,
de amor, de energia, Agora.
Mas, se é o ideal além e nós aqui,
o mal, a dor, a morte além e nós aqui
então é o medo e o enredo no tempo outra vez.
Não tens tempo? Ótimo!
Para que precisas de tempo para essa vida
de repetição, de dor, de prazer, de cansaço, de morte?
Felicidade e êxtase não precisam de tempo, e, são
para quem compreende isto.
E, acabamos assim de levar o tempo à crise:
pelo entendimento a ilusão do tempo acaba, e, ficamos eternos.
E, na eternidade, não de mil anos, mas, onde não há tempo, que é o Céu,
não há nem sofrimento nem prazer, só ÊXTASE, por só existir AMOR.
E, claro, eternidade é Infinito, como quando estamos completamente sós,
sem relação com nada nem ninguém, nem com nós próprios,
quando também só há êxtase,felicidade sem sofrimento algum.
E com música, meu Deus!
Brota a sensibilidade
da imensa compreensão,
com grande atenção,
do desejo, em toda a idade.

E, só os sensíveis
cooperam, ou não,
pois,eficientes são,
além de compreensíveis.

E, comunicação
ao mesmo tempo, com igualdade
e com a mesma intensidade
é que é comunicação.

De observação em observação,
portanto,não por conceitos,
fórmulas ou juízos já feitos,
que não são da vera comunhão.

E grande atenção
é a que é sem exclusão
nem sequer do barulhão
que nela não consegue influir, não.

Experimentando diretamente,
não só verbalmente,
com uma só visão, uma só mente,
um só olhar, intensamente...

Saturday, January 01, 2011

Compreender os problemas profunda e realmente
é resolvê-los.
Se não os compreendermos por falta de inteligência,
há que reconhecermos mesmo nossa estupidez,
que pode assim ser substituída pela inteligência,
não esforçarmo-nos por sermos inteligentes.
Não devemos de modo algum adiar a compreensão\resolução
do problema, apesar da existência de falsos
problemas, pois, fazê-lo é permitir que eles se enraizem
nas mentes, submetendo não só as células cerebrais a esforços
fatigantes, como até os pescoços:
cérebros cansados não podem compreender;
cérebros que compreendem são os que estão frescos e renovados
em cada dia e em cada momento.
Compreender portanto o desejo, que é resposta
a um desafio, não fugir ou reprimi-lo, o próprio encantamento
da apreciação da beleza sendo desejo, sensibilidade.
Se não nos alegramos/entristecemos com um belo nascer
do sol, um bom carro, uma mansão, uma música
inspirada, um filme bem feito, um riacho,
uma árvore carregada de vivos frutos, uma grande miséria,
acidentes vários, pobreza extrema... Não somos sensíveis.
Resolver problemas não é pois: "tenho de resolver, tenho
de encontrar uma saída a qualquer custo...", nem inquietação com eles
como cão com osso.
Enfrentar completa e imediatamente
um problema não é tentar
resolvê-lo com base na experiência passada, nem fugir-lhe, nem compará-lo;
encarar os problemas de modo cabal e completo
é escutá-los, sermo-lhes mui sensíveis.
Esforço não é sensibilidade, e, acumulação de conhecimentos
e experiências é inimiga da compreensão:
precisamos de espaço na mente a fim de compreendermos.
É no próprio desejo, no próprio problema, na
própia «coisa» que está a sua compreensão,a sua solução,
se tão somente amarmos o problema,
como amamos e damos festa a filho(a), sol, mulher(marido),pai (mãe), namorado(a), ou chuva após separação.