Friday, April 17, 2009

Carlota Joaquina de Bourbon

Rainha de Portugal, Infanta de Espanha,
Princesa do Brasil, Imperatriz honorária do Brasil

Reinado
20 de Março de 1816 – 10 de Março de 1826
Nascimento
25 de Abril de 1775
Aranjuez, Madri, Espanha
Consorte
João VI
Filhos
Maria Teresa
Francisco António
Maria Isabel
Pedro IV
Maria Francisca
Isabel Maria
Miguel I
Maria da Assunção
Ana de Jesus
Casa Real
Bourbon
Pai
Carlos IV de Espanha
Mãe
Maria Luísa de Parma
O Espaço - tempo

Nós somos o senhor,
O eu superior, eternos,
Presentes, sem dor,
Sem fugas.


Não gradual, mas continuadamente
É que é: imediata e totalmente.
Não logo, mas agora, Mente!
Não dormente!


Acção imediata:
Dor, prazer não cessam!
Mexe-te Agora,
Que não te impeçam!


O tempo é o Ente
contínuo: esquece isso
de passado, futuro
e, Presente!


O mesmo com espaço,
um com tempo,
e com vida e morte,
Sorte!

Mas, não te atires,
não, de cabeça;
nem te retires,
Eça.


Inocentemente, paremos,
Ouçamos, cheiremos,
Fechemos, olhemos...
P’ra dentro!


Problemas e prazer
com dor só no tempo,
de encontro exagerado,
incompleto ou ignorado.


Não um destes dias,
Mas sem intervalo
Entre ideias e acções.
Não é "chavalo"?

Tempo dividir
E espaço, oh porvir,
É dor! Qual dividir,
Qual carapuça!


Tens medo do incerto?
Compra o cão, João!
Ou tem-no por perto,
DiZ o e(x)perto!


Ideia – Intervalo-
-Acção...Cavalo
Pensa e age, alado!
Não "chalado"!


Amanhã serei feliz !!!
Mas o tempo não pára!!
Tem de ser agora, Moniz!!
Agora, Mara!


Deter o tempo? Viver
Ou de viver parar
tão completamente
que para pensar
amanhã ausente?


Sempre pensando naquele prazer
ou naquela dor, sempre
a olhar para trás e a desejar,
a esperar, a lamentar...
E, assim, o pensamento,
ruminando continuamente,
gera o tempo, e...
o sofrimento!


Cessem logo as ideias,
Até a ideia de pensar!
Mas... E a morte?
Não é cessar,
Só mudar!
Sorte!


Impermanência, mudança...
Tudo está mesmo sempre a mudar...
Esquece esse arraigado desejo de não mudança!!
Só então há infinito lugar
Para a liberdade,
Para a felicidade,
Para o maior dos prazeres, ó Mocidade!


Medo do desconhecido?
Não faz sentido!
Medo de um fantasma
Como a asma?
Governo sobe incentivo ao abate de carros
Hoje



O Governo aprovou ontem, em Conselho de Ministros, uma proposta de lei que aumenta o valor do incentivo destinado ao abate de veículos em fim de vida para a compra de carros novos.
Esta proposta de lei introduz "um regime transitório de majoração em 250 euros do incentivo fiscal à destruição de automóveis ligeiros em fim de vida, a utilizar através da redução do imposto sobre veículos (ISV) devido pelo proprietário na compra de automóvel ligeiro novo", diz o comunicado do Conselho de Ministros.
Assim, até ao final deste ano passa a ser possível reduzir o ISV devido na compra de um automóvel ligeiro em 1250 euros (até agora era 1000 euros) ou 1500 euros (era de 1250 euros), consoante o proprietário entregue para abate um automóvel em fim de vida cuja matrícula tenha 10 anos ou 15 anos, respectivamente.
"Esta medida visa incentivar a aquisição de automóveis novos, num esforço de reanimação das empresas que constituem e que dependem do sector automóvel, não deixando, no entanto, de considerar as preocupações de Portugal em matéria de política ambiental", explica o Governo.
Recorde-se que a falta de medidas de incentivo à procura impedia, até agora, a implementção da totalidade do plano de apoio ao sector. Existiam vários incentivos à indústria automóvel em três eixos de acção, mas o quarto eixo, de incentivo à procura, continuava a ser discutido entre o Governo e as associações do sector.
Este é o primeiro apoio efectivo do Estado ao comércio automóvel desde o anúncio do plano para o sector, em Dezembro de 2008.
http://dn.sapo.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=1203637
ELEITORALISMO?

Pronto, "tenho" um cão,
uma cadela... Não
é grande coisa, tão
ladrador é, e é preto, o cão!

Não passa fome
e tem por comboio obsessão;
mas é livre, o cão,
que não se some!

Claro que é liberdade
a mais: continue assim
e de ficar há-de
debaixo do trem, sim.

Cão destes, com tantos
donos e sem dono
é feliz, e, quando tem sono
dorme, o sono dos santos.

E corre, e corre, e corre...
De avc ce ecrteza não morre?...
Mas, quantas vezes te socorre
maquinista na linha, "morr"?

É uma merda,
como tanto(a)s merdas,
aquele cão; mas, merda,
se não mal cheirosa, é só cáca!

Fim do segredo do balcão
contra a corrupção
é elitoralismo, diz o cão...
Mas, não se faz nada, então?

Quais as fezes mal cheirosas?
Não são as da violência, rosas?
Come menos carne, e, posas
então, saudável e belo,
como as maravilhosas!

E evitas podridão
nos intestinos, cão;
e és são,
não anão.

E, males vêm por bem
se não temos medo,
e somos prudentes
e pacientes.

Thursday, April 16, 2009


O Tempo - O PRAZER - A Morte
Sou tentado a repetir a história de um grande discípulo que foi a Deus pedir que lhe ensinasse a verdade.
Disse o "pobre" Deus: "Meu amigo, hoje está fazendo muito calor; por favor, vai buscar-me um copo d'água". O discípulo sai e vai bater à porta da primeira casa que encontra e uma linda jovem lhe abre a porta. O discípulo dela se enamora, os dois se casam e têm vários filhos. Então, um dia começa a chover, a chover sem parar. Os rios se engrossam, as ruas se inundam, as casas são arrastadas pelas águas. O discípulo se agarra à mulher, põe sobre os ombros os filhos e. ao sentir-se arrastado pela torrente, brada: "Senhor, imploro-vos que me salveis". E o Senhor responde: "Que é do copo d'água que te pedi?"
"Nós somos o senhor,
O eu superior, eternos,
Presentes, sem dor,
Sem fugas."
É uma história bastante instrutiva, porquanto, em geral, pensamos em termos de tempo. O homem vive do tempo. A invenção do futuro se tornou seu favorito jogo de fuga.
Pensamos que as mudanças em nós mesmos só podem ser efetuadas no tempo, que a ordem só pode ser estabelecida em nós mesmos pouco a pouco, aumentada dia por dia.
"Não gradual, mas continuadamente
É que é: imediata e totalmente.
Não logo, mas agora, Mente!
Não dormente!"
Mas, o tempo não traz a ordem nem a paz e, portanto, temos de deixar de pensar em termos de gradualidade. Isso significa que não há um amanhã em que viveremos em paz. Temos de alcançar a ordem imediatamente.
Quando se apresenta um prazer ou um perigo reais, o tempo desaparece, não é verdade?
"Acção imediata:
Dor, prazer não cessam!
Mexe-te Agora,
Que não te impeçam!"
Mas, nós não percebemos o perigo/prazer existente em muitas das nossas situações e, por conseguinte, inventamos o tempo como um meio de superá-los. O tempo é um embusteiro, porquanto nada faz para nos ajudar a promover uma melhoria em nós mesmos.



"O tempo é o Ente
contínuo: esquece isso
de passado, futuro
e, Presente!


O mesmo com espaço,
um com tempo,
e com vida e morte,
Sorte!"

E, enquanto fizer essa divisão, o homem viverá sempre em conflito.
O aprender depende do tempo? Após tantos milhares de anos, ainda não aprendemos que existe uma maneira de vida melhor do que odiarmos e matarmos uns aos outros. Muito importa compreender o problema do tempo, se desejamos uma solução para a dor que cada um de nós contribuiu para tornar tão monstruosa e sem significação como é.


"Mas, não te atires,
não, de cabeça;
nem te retires,
Eça."


A primeira coisa, pois, que se deve compreender é que só podemos olhar o tempo com aquele vigor e aquela inocência da mente, que já estivemos considerando. Vemo-nos confusos a respeito de nossos numerosos problemas, e perdidos no meio desta confusão. Ora, quando uma pessoa se perde numa floresta, qual a primeira coisa que faz? Pára e olha em torno de si. Mas nós, quanto mais nos vemos confusos e perdidos na vida, tanto mais corremos em todos os sentidos, buscando, indagando, rogando.

"Inocentemente, paremos,
ouçamos, cheiremos,
fechemos, baixemos,
olhemos...
P’ra dentro!"


A primeira coisa que deveis fazer, se me permitis sugeri-lo, é fazer alto, interiormente. E, quando parais, interiormente, psicologicamente, vossa mente se torna muito tranqüila e clara. Podeis então considerar verdadeiramente a questão do tempo.

"Os problemas e o prazer
com dor só existem no tempo,
isto é, quando nos encontramos
com um facto de maneira incompleta
ou quando fazemos que não o sentimos.

Esse encontro incompleto ou desencontro
com o fato cria o problema.
Quando enfrentamos um desafio parcial,
fragmentariamente, ou dele tentamos fugir - isto é,
quando o enfrentamos com atenção incompleta - criamos um problema.
E o problema continua
existente enquanto continuarmos a dar-lhe incompleta atenção,
enquanto esperarmos resolvê-lo um dia destes.

"É agora, olhemos AGORA
Completamente para o problema...
Ideia, acção...Ideia, acção...
É o nosso lema!
Fonema."


Sabeis o que é o tempo? - Não o tempo medido pelo relógio, o tempo cronológico, porém o tempo psicológico? É o intervalo entre a ideia e a ação. Uma ideia visa, naturalmente, à

"Autoproteção, bem estar,
gozo, segurança... Acção
sempre imediata há que festejar,
São-São!"

Wednesday, April 15, 2009

À PORTUGUESA

Um miúdo,
mesmo pequeno,
feliz, mui compenetrado,
famoso, ao lado
do maquinista
transgredindo,
quase de certeza,
à boa maneira portuguesa,
num dos extremos;e,
no nosso outro, no do cão cadela,
sem trela,
um jovem atrasado,
com bicileta entalado
na porta do comboio eléctrico,
mas não frenético.
O Valor da Vida - uma entrevista rara de Freud
19 Março, 2008 por Profª Cristiana de B. Passinato

S. Freud: Setenta anos ensinaram-me a aceitar a vida com serenahumildade.
(Quem fala é o professor Sigmund Freud, o grande explorador da alma. Ocenário da nossa conversa foi uma casa de verão no Semmering, umamontanha nos Alpes austríacos. Eu havia visto o pai da psicanálisepela última vez em sua casa modesta na capital austríaca. Os poucosanos entre minha última visita e a atual multiplicaram as rugas na suafronte. Intensificaram a sua palidez de sábio. Sua face estava tensa,como se sentisse dor. Sua mente estava alerta, seu espírito firme, suacortesia impecável como sempre, mas um ligeiro impedimento da fala meperturbou. Parece que um tumor maligno no maxilar superior necessitouser operado. Desde então Freud usa uma prótese, para ele uma causa deconstante irritação).
S. Freud: Detesto o meu maxilar mecânico, porque a luta com o aparelhome consome tanta energia preciosa. Mas prefiro-o a maxilar nenhum.Ainda prefiro a existência à extinção. Talvez os deuses sejam gentisconosco, tornando a vida mais desagradável à medida que envelhecemos.Por fim, a morte nos parece menos intolerável do que os fardos quecarregamos.
(Freud se recusa a admitir que o destino lhe reserva algo especial.)
Por que ( disse calmamente) deveria eu esperar um tratamento especial?A velhice, com suas agruras, chega para todos. Eu não me rebelo contraa ordem universal. Afinal, mais de setenta anos. Tive o bastante paracomer. Apreciei muitas coisas - a companhia de minha mulher, meusfilhos, o pôr-do-sol. Observei as plantas crescerem na primavera. Devez em quando tive uma mão amiga para apertar. Vez ou outra encontreium ser humano que quase me compreendeu. Que mais posso querer?
George Sylvester Viereck: O senhor teve a fama. Sua obra influi naliteratura de cada país. O homem olha a vida e a si mesmo com outrosolhos, por causa do senhor. E recentemente, no seu septuagésimoaniversário, o mundo se uniu para homenageá-lo - com exceção da suaprópria Universidade.
S. Freud: Se a Universidade de Viena me demonstrasse reconhecimento,eu ficaria embaraçado. Não há razão em aceitar a mim e a minha obraporque tenho setenta anos. Eu não atribuo importância insensata aosdecimais. A fama chega apenas quando morremos e, francamente, o quevem depois não me interessa. Não aspiro à glória póstuma. Minhamodéstia não é virtude.
George Sylvester Viereck: Não significa nada o fato de que o seu nomevai viver?
S. Freud: Absolutamente nada, mesmo que ele viva, o que não é certo.Estou bem mais preocupado com o destino de meus filhos. Espero quesuas vidas não venham a ser difíceis. Não posso ajudá-los muito. Aguerra praticamente liqüidou com minhas posses, o que havia poupadodurante a vida. Mas posso me dar por satisfeito. O trabalho é minhafortuna.
(Estávamos subindo e descendo uma pequena trilha no jardim da casa.Freud acariciou ternamente um arbusto que florescia.)
S. Freud: Estou muito mais interessado neste botão do que no que possame acontecer depois que estiver morto.
George Sylvester Viereck: Então o senhor é, afinal, um profundopessimista?
S. Freud: Não, não sou. Não permito que nenhuma reflexão filosóficaestrague a minha fruição das coisas simples da vida.
George Sylvester Viereck: O senhor acredita na persistência dapersonalidade após a morte, de alguma forma que seja?
S. Freud: Não penso nisso. Tudo o que vive perece. Por que deveria ohomem constituir uma exceção?
George Sylvester Viereck: Gostaria de retornar em alguma forma, de serresgatado do pó? O senhor não tem, em outras palavras, desejo deimortalidade?
S. Freud: Sinceramente não. Se a gente reconhece os motivos egoístaspor trás da conduta humana, não tem o mínimo desejo de voltar à vida;movendo-se num círculo, seria ainda a mesma. Além disso, mesmo se oeterno retorno das coisas, para usar a expressão de Nietzsche, nosdotasse novamente do nosso invólucro carnal, para que serviria, semmemória? Não haveria elo entre passado e futuro. Pelo que me toca,estou perfeitamente satisfeito em saber que o eterno aborrecimento deviver finalmente passará. Nossa vida é necessariamente uma série decompromissos, uma luta interminável entre o ego e seu ambiente. Odesejo de prolongar a vida excessivamente me parece absurdo.
George Sylvester Viereck: Bernard Shaw sustenta que vivemos muitopouco. Ele acha que o homem pode prolongar a vida se assim desejar,levando sua vontade a atuar sobre as forças da evolução. Ele crê que ahumanidade pode reaver a longevidade dos patriarcas.
S. Freud: É possível que a morte em si não seja uma necessidadebiológica. Talvez morramos porque desejamos morrer. Assim como amor eódio por uma pessoa habitam em nosso peito ao mesmo tempo, assimtambém toda a vida conjuga o desejo de manter-se e o desejo da própriadestruição. Do mesmo modo como um pequeno elástico esticado tende aassumir a forma original, assim também toda a matéria viva, conscienteou inconscientemente, busca readquirir a completa, a absoluta inérciada existência inorgânica. O impulso de vida e o impulso de mortehabitam lado a lado dentro de nós. A Morte é a companheira do Amor.Juntos eles regem o mundo. Isto é o que diz o meu livro: Além doPrincípio do Prazer. No começo, a psicanálise supôs que o Amor tinhatoda a importância. Agora sabemos que a Morte é igualmente importante.Biologicamente, todo ser vivo, não importa quão intensamente a vidaqueime dentro dele, anseia pelo Nirvana, pela cessação da "febrechamada viver", anseia pelo seio de Abraão. O desejo pode serencoberto por digressões. Não obstante, o objetivo derradeiro da vidaé a sua própria extinção.
George Sylvester Vierneck: Isto é a filosofia da auto-destruição. Elajustifica o auto-extermínio. Levaria logicamente ao suicídio universalimaginado por Eduard von Hartamann.
S. Freud: A humanidade não escolhe o suicídio porque a lei do seu serdesaprova a via direta para o seu fim. A vida tem que completar o seuciclo de existência. Em todo ser normal, a pulsão de vida é forte obastante para contrabalançar a pulsão de morte, embora no finalresulte mais forte. Podemos entreter a fantasia de que a Morte nos vempor nossa própria vontade. Seria mais possível que pudéssemos vencer aMorte, não fosse por seu aliado dentro de nós. Neste sentido(acrescentou Freud com um sorriso) pode ser justificado dizer que todaa morte é suicídio disfarçado.
(Estava ficando frio no jardim. Prosseguimos a conversa no gabinete.Vi uma pilha de manuscritos sobre a mesa, com a caligrafia clara deFreud).
George Sylvester Viereck: Em que o senhor está trabalhando?
S. Freud: Estou escrevendo uma defesa da análise leiga, da psicanálisepraticada por leigos. Os doutores querem tornar a análise ilegal paraos não médicos. A História, essa velha plagiadora, repete-se após cadadescoberta. Os doutores combatem cada nova verdade no começo. Depoisprocuram monopolizá-la.
George Sylvester Viereck: O senhor teve muito apoio dos leigos?
S. Freud: Alguns dos meus melhores discípulos são leigos.
George Sylvester Viereck: O senhor está praticando muito psicanálise?
S. Freud: Certamente. Neste momento estou trabalhando num caso muitodifícil, tentando desatar os conflitos psíquicos de um interessantenovo paciente. Minha filha também é psicanalista, como você vê…
(Nesse ponto apareceu Miss Anna Freud, acompanhada por seu paciente,um garoto de onze anos, de feições inconfundivelmente anglo-saxônicas).
George Sylvester Viereck: O senhor já se analisou a si mesmo?
S. Freud: Certamente. O psicanalista deve constantemente analisar a simesmo. Analisando a nós mesmos, ficamos mais capacitados a analisar osoutros. O psicanalista é como o bode expiatório dos hebreus. Os outrosdescarregam seus pecados sobre ele. Ele deve praticar sua arte àperfeição para desvencilhar-se do fardo jogado sobre ele.
George Sylvester Viereck: Minha impressão é de que a psicanálisedesperta em todos que a praticam o espírito da caridade cristã. Nadaexiste na vida humana que a psicanálise não possa nos fazercompreender. "Tout comprendre c’est tout pardonner"(compreender é perdoar tudo).
S. Freud: Pelo contrário (bravejou Freud - suas feições assumindo aseveridade de um profeta hebreu), compreender tudo não é perdoar tudo.A análise nos ensina não apenas o que podemos suportar, mas também oque podemos evitar. Ela nos diz o que deve ser eliminado. A tolerânciacom o mal não é de maneira alguma um corolário do conhecimento.
(Compreendi subitamente porque Freud havia litigado com os seguidoresque o haviam abandonado, porque ele não perdoa a sua dissensão docaminho reto da ortodoxia psicanalítica. Seu senso do que é direito éherança dos seus ancestrais. Uma herança de que ele se orgulha como seorgulha de sua raça).
Minha língua é o alemão. Minha cultura, minha realização é alemã. Eume considero um intelectual alemão, até perceber o crescimento dopreconceito anti-semita na Alemanha e na Áustria. Desde então prefirome considerar judeu.
(Fiquei algo desapontado com esta observação. Parecia-me que oespírito de Freud deveria habitar nas alturas, além de qualquerpreconceito de raças, que ele deveria ser imune a qualquer rancorpessoal. No entanto, precisamente a sua indignação, a sua honesta ira,tornava-o mais atraente como ser humano. Aquiles seria intolerável,não fosse por seu calcanhar!)
George Sylvester Viereck: Fico contente, Herr Professor, de que tambémo senhor tenha seus complexos, de que também o senhor demonstre que éum mortal!
S. Freud: Nossos complexos são a fonte de nossa fraqueza; mas, comfreqüência, são também a fonte de nossa força.
George Sylvester Viereck: Imagino, observei, quais seriam os meuscomplexos!
S. Freud: Uma análise séria dura ao menos um ano. Pode durar mesmodois ou três anos. Você está dedicando muitos anos de sua vida à "caçaaos leões". Você procurou sempre as pessoas de destaque para a suageração: Roosevelt, o Imperador, Hindenburg, Briand, Foch, Joffre,Georg Bernard Shaw…
George Sylvester Viereck: É parte do meu trabalho.
S. Freud: Mas é também sua preferência. O grande homem é um símbolo. Asua busca é a busca do seu coração. Você está procurando o grandehomem para tomar o lugar do seu pai. É parte do seu "complexo do pai".
(Neguei veementemente a afirmação de Freud. No entanto, refletindosobre isso, parece-me que pode haver uma verdade, ainda não suspeitadapor mim, em sua sugestão casual. Pode ser o mesmo impulso que me levoua ele). Gostaria, observei após um momento, de poder ficar aqui obastante para vislumbrar o meu coração através do seus olhos. Talvez,como a Medusa, eu morresse de pavor ao ver minha própria imagem!Entretanto, receio ser muito informado sobre a psicanálise. Eufreqüentemente anteciparia, ou tentaria antecipar suas intenções.
S. Freud: A inteligência num paciente não é um empecilho. Pelocontrário, às vezes facilita o trabalho.
(Neste ponto o mestre da psicanálise diverge de muitos dos seusseguidores, que não gostam de excessiva segurança do paciente sob oseu escrutínio).
George Sylvester Viereck: Às vezes imagino se não seríamos maisfelizes se soubéssemos menos dos processos que dão forma a nossospensamentos e emoções. A psicanálise rouba a vida do seu últimoencanto, ao relacionar cada sentimento ao seu original grupo decomplexos. Não nos tornamos mais alegres descobrindo que nós todosabrigamos o criminoso e o animal.
S. Freud: Que objeção pode haver contra os animais? Eu prefiro acompanhia dos animais à companhia humana.
George Sylvester Viereck: Por quê?
S. Freud: Porque são tão mais simples. Não sofrem de uma personalidadedividida, da desintegração do ego, que resulta da tentativa do homemde adaptar-se a padrões de civilização demasiado elevados para o seumecanismo intelectual e psíquico. O selvagem, como o animal, é cruel,mas não tem a maldade do homem civilizado. A maldade é a vingança dohomem contra a sociedade, pelas restrições que ela impõe. As maisdesagradáveis características do homem são geradas por esseajustamento precário a uma civilização complicada. É o resultado doconflito entre nossos instintos e nossa cultura. Muito mais agradáveissão as emoções simples e diretas de um cão, ao balançar a cauda, ou aolatir expressando seu desprazer. As emoções do cão (acrescentou Freudpensativamente) lembram-nos os heróis da Antigüidade. Talvez seja essaa razão por que inconscientemente damos aos nossos cães nomes deheróis antigos como Aquiles e Heitor.
George Sylvester Viereck: Meu cachorro é um doberman Pinscher chamadoAjax.
S. Freud: (sorrindo) Fico contente de que não possa ler. Elecertamente seria um membro menos querido da casa, se pudesse latir suaopinião sobre os traumas psíquicos e o complexo de Édipo!
George Sylvester Viereck: Mesmo o senhor, Professor, sonha aexistência complexa demais. No entanto, parece-me que o senhor seja emparte responsável pelas complexidades da civilização moderna. Antesque o senhor inventasse a psicanálise, não sabíamos que nossapersonalidade é dominada por uma hoste beligerante de complexos muitoquestionáveis. A psicanálise torna a vida um quebra-cabeçascomplicado.
S. Freud: De maneira alguma. A psicanálise torna a vida mais simples.Adquirimos uma nova síntese depois da análise. A psicanálise reordenaum emaranhado de impulsos dispersos, procura enrolá-los em torno doseu carretel. Ou, modificando a metáfora, ela fornece o fio que conduza pessoa fora do labirinto do seu inconsciente.
George Sylvester Viereck: Ao menos na superfície, porém, a vida humananunca foi mais complexa. E a cada dia alguma nova idéia proposta pelosenhor ou por seus discípulos torna o problema da condução humana maisintrigante e mais contraditório.
S. Freud: A psicanálise, pelo menos, jamais fecha a porta a uma novaverdade.
George Sylvester Viereck: Alguns dos seus discípulos, mais ortodoxosdo que o senhor, apegam-se a cada pronunciamento que sai da sua boca.
S. Freud: A vida muda. A psicanálise também muda. Estamos apenas nocomeço de uma nova ciência.
George Sylvester Viereck: A estrutura científica que o senhor ergueume parece ser muito elaborada. Seus fundamentos - a teoria do"deslocamento", da "sexualidade infantil", do "simbolismo dos sonhos",etc. - parecem permanentes.
S. Freud: Eu repito, porém, que nós estamos apenas no início. Eu souapenas um iniciador. Consegui desencavar monumentos soterrados nossubstratos da mente. Mas ali onde eu descobri alguns templos, outrospoderão descobrir continentes.
George Sylvester Viereck: O senhor ainda coloca a ênfase sobretudo nosexo?
S. Freud: Respondo com as palavras do seu próprio poeta, Walt Whitman:"Mas tudo faltaria, se faltasse o sexo" ("Yet all were lacking, if sexwere lacking"). Entretanto, já lhe expliquei que agora coloco ênfasequase igual naquilo que está "além" do prazer - a morte, a negociaçãoda vida. Este desejo explica por que alguns homens amam a dor - comoum passo para o aniquilamento! Explica por que os poetas agradecem a
Whatever gods there be,That no life lives foreverAnd even the weariest riverWinds somewhere safe to sea.
("Quaisquer deuses que existam/ Que vida nenhuma viva para sempre/ Queos mortos jamais se levantem / E também o rio mais cansado/ Desaguetranqüilo no mar".)
George Sylvester Viereck: Shaw, como o senhor, não deseja viver parasempre, mas à diferença do senhor, ele considera o sexodesinteressante.
S. Freud: (sorrindo) Shaw não compreende o sexo. Ele não tem a maisremota concepção do amor. Não há um verdadeiro caso amoroso em nenhumade suas peças. Ele faz brincadeira do amor de Júlio César - talvez amaior paixão da História. Deliberadamente, talvez maliciosamente, eledespe Cleópatra de toda grandeza, reduzindo-a uma insignificantegarota. A razão para a estranha atitude de Shaw diante do amor, para asua negação do móvel de todas as coisas humanas, que tira de suaspeças o apelo universal, apesar do seu enorme alcance intelectual, éinerente à sua psicologia. Em um de seus prefácios, ele mesmo enfatizao traço ascético do seu temperamento. Eu posso ter errado em muitascoisas, mas estou certo de que não errei ao enfatizar a importância doinstinto sexual. Por ser tão forte, ele se choca sempre com asconvenções e salvaguardas da civilização. A humanidade, em uma espéciede auto-defesa, procura negar sua importância. Se você arranhar umrusso, diz o provérbio, aparece o tártaro sob a pele. Analise qualqueremoção humana, não importa quão distante esteja da esfera dasexualidade, e você certamente encontrará esse impulso primordial, aoqual a própria vida deve a perpetuação.
George Sylvester Viereck: O senhor, sem dúvida, foi bem sucedido emtransmitir esse ponto de vista aos escritores modernos. A psicanálisedeu novas intensidades à literatura.
S. Freud: Também recebeu muito da literatura e da filosofia. Nietzschefoi um dos primeiros psicanalistas. É surpreendente até que ponto asua intuição prenuncia as novas descobertas. Ninguém se apercebeu maisprofundamente dos motivos duais da conduta humana, e da insistência doprincípio do prazer em predominar indefinidamente. O Zaratustra diz:"A dor grita: Vai! Mas o prazer quer eternidade Pura, profundamenteeternidade". A psicanálise pode ser menos amplamente discutida naÁustria e na Alemanha do que nos Estados Unidos, a sua influência naliteratura é imensa, porém. Thomas Mann e Hugo von Hofmannsthak muitodevem a nós. Schnitzler percorre uma via que é, em larga medida,paralela ao meu próprio desenvolvimento. Ele expressa poeticamente oque eu tento comunicar cientificamente. Mas o Dr. Schnitzler não éapenas um poeta, é também um cientista.
George Sylvester Viereck: O senhor não é apenas um cientista, mastambém um poeta. A literatura americana está impregnada dapsicanálise. Hupert Hughes Harvrey O’Higgins e outros fazem-se de seusintérpretes. É quase impossível abrir um novo romance sem encontrarreferência à psicanálise. Entre os dramaturgos, Eugene O’Neill eSydney Howard têm profunda dívida para com o senhor. A "The SilverCord", por exemplo, é simplesmente uma dramatização do complexo deÉdipo.
S. Freud: Eu sei e aprecio o cumprimento que há nessa constatação. Mastenho receio da minha popularidade nos Estados Unidos. O interesseamericano pela psicanálise não se aprofunda. A popularização leva àaceitação superficial sem estudo sério. As pessoas apenas repetem asfrases que aprendem no teatro ou na imprensa. Pensam compreender algoda psicanálise porque brincam com seu jargão! Eu prefiro a ocupaçãointensa com a psicanálise, tal como ocorre nos centros europeus. AAmérica foi o primeiro país a reconhecer-me oficialmente. A ClarkUniversity concedeu-me um diploma honorário quando eu ainda eraignorado na Europa. Entretanto, a América fez poucas contribuiçõesoriginais à psicanálise. Os americanos são julgadores inteligentes,raramente pensadores criativos. Os médicos nos Estados Unidos, eocasionalmente também na Europa, procuram monopolizar para si apsicanálise. Mas seria um perigo para a psicanálise deixá-laexclusivamente nas mãos dos médicos, pois uma formação estritamentemédica é, com freqüência, um empecilho para o psicanalista. É sempreum empecilho, quando certas concepções científicas tradicionais ficamarraigadas no cérebro estudioso.
(Freud tem que dizer a verdade a qualquer preço! Ele não pode obrigara si mesmo a agradar à América, onde está a maioria de seusadmiradores. Apesar da sua intransigente integridade, Freud é aurbanidade em pessoa. Ele ouve pacientemente cada intervenção, nãoprocurando jamais intimidar o entrevistador. Raro é o visitante quedeixa a sua presença sem algum presente, algum sinal de hospitalidade!Havia escurecido. Era tempo de eu tomar o trem de volta à cidade queuma vez abrigara o esplendor imperial dos Habsburgos. Acompanhado daesposa e da filha, Freud desceu os degraus que levavam do seu refúgiona montanha à rua, para me ver partir. Ele me pareceu cansado etriste, ao dar o seu adeus).
S. Freud: Não me faça parecer um pessimista (disse ele após o apertode mão). Eu não tenho desprezo pelo mundo. Expressar desdém pelo mundoé apenas outra forma de cortejá-lo, de ganhar audiência e aplauso.Não, eu não sou um pessimista, não, enquanto tiver meus filhos, minhamulher e minhas flores! Não sou infeliz - ao menos não mais infelizque os outros.
(O apito de meu trem soou na noite. O automóvel me conduziarapidamente para a estação. Aos poucos o vulto ligeiramente curvado ea cabeça grisalha de Sigmund Freud desapareceram na distância).
REVOLUÇÃO

Mudança, melhoria
AGORA, revolução:
dar, receber alegria,
não ser glutão!

Ordem, comunicação
JÁ, não amanhã,
e, justificação
e amarração!

Não à fragmentação
a não ser a da digestão:
efectiva desarmamentação.
Parar de ferir por diversão!

E, não mijes fora
do penico: guardião
não dorme... E, alcatrão
põe no caminho, juiz de fora!
SESTA

Dormir profundamente...
Que cura, que divinal !
A sesta também, Prudente.
Pois, se é mais competente
até trabalho e estudo... Juvenal.
E mais seguro... Particularmente
a condução... Paternal
e maternal sesta,
canção de embalar,
almofada fraternal,
lar, doce lar!
MONTARGIL

Revolução, capitão,
Che... cristão,
médico(a), morfina,
ateu, morfeu,
camafeu.
SEM MEDO

Medo, o movimento
Do certo p’ró incerto,
A preocupação pensamento:
A possível repetição daquele mau suposto certo...
É que te faz o medo.
O pensamento é responsável pelo medo,não é Humberto?
Quando nos vemos directamente,sem mente,
na Presença da coisa, ser ou gente não há medo:
vivente de maneira total no presente é corajoso,o que é bem vantajoso!
Usemos pois memória e mentesem criar nem medo, nem tempo,nem barreiras, nem velho, nem novo, nem andrajoso.
Pensamento é reacção da memória: há que parar,se medo e dor querem entrar!
Não temamos os nossos temores,
nem os nossos amores,
mesmo os mais profundos,
de outros mundos.
Nada de fragmentar,
de dividir:
unir é urgente e preciso,
e também estar quieto, calado,
não ralado, antes de bem agir.
Nem coragem, nem medo,
nem prazer, nem dor,
mas, uma pacificação infinita,
um gozo sobrenatural e natural.
Amar a dor, o medo e o prazer, o belo e o bestial!
Não separemos vivo de morto,
nem coragem de medo, nembom de mau,
nem nada de nada!
Não gastemos mais energia do que a que temos,
nem acumulemos se não gastamos.
Momento a momento é que é,
sem futuro nem passado.
Só o Presente eterno!
Percebamos que somos o medo
e desaparece o medo!

Tuesday, April 14, 2009

NÃO SOU...

Não sou um centro
constituidor de espaço
que divida: dentro,
nem tempo nem paço.

É contínuo tudo,
tempo-espaço
é mudo,
uno o que faço.

Vem cá, meu amor,
minha dor,
meu senhor:
que deseja, doutor?

Sabes vender prazer
disfarçado de dor.
Quem pode contender?
Eu não, monsenhor!

Vives o momento
e queres-me impor
o tempo: não te aguento,
hipócrita, estupor!
http://www.jiddu-krishnamurti.net/pt/038/jiddu-krishnamurti-liberte-se-do-passado-11.php
O Tempo - O PRAZER - A Morte
Sou tentado a repetir a história de um grande discípulo que foi a Deus pedir que lhe ensinasse a verdade.Disse o "pobre" Deus: "Meu amigo, hoje está fazendo muito calor; por favor, vai buscar-me um copo d'água". O discípulo sai e vai bater à porta da primeira casa que encontra e uma linda jovem lhe abre a porta. O discípulo dela se enamora, os dois se casam e têm vários filhos. Então, um dia começa a chover, a chover sem parar. Os rios se engrossam, as ruas se inundam, as casas são arrastadas pelas águas. O discípulo se agarra à mulher, põe sobre os ombros os filhos e. ao sentir-se arrastado pela torrente, brada: "Senhor, imploro-vos que me salveis". E o Senhor responde: "Que é do copo d'água que te pedi?"É uma história bastante instrutiva, porquanto, em geral, pensamos em termos de tempo. O homem vive do tempo. A invenção do futuro se tornou seu favorito jogo de fuga.Pensamos que as mudanças em nós mesmos só podem ser efetuadas no tempo, que a ordem só pode ser estabelecida em nós mesmos pouco a pouco, aumentada dia por dia. Mas, o tempo não traz a ordem nem a paz e, portanto, temos de deixar de pensar em termos de gradualidade. Isso significa que não há um amanhã em que viveremos em paz. Temos de alcançar a ordem imediatamente.Quando se apresenta um prazer ou um perigo reais, o tempo desaparece, não é verdade? A ação é imediata. Mas, nós não percebemos o prazer existente em muitas das nossas situações e, por conseguinte, inventamos o tempo como um meio de superá-los. O tempo é um embusteiro, porquanto nada faz para nos ajudar a promover uma melhoria em nós mesmos. O tempo é um movimento contínuo que o homem erradamente dividiu em passado, presente e futuro. E, enquanto fizer essa divisão, o homem viverá sempre em conflito.O aprender depende do tempo? Após tantos milhares de anos, ainda não aprendemos que existe uma maneira de vida melhor do que odiarmos e matarmos uns aos outros. Muito importa compreender o problema do tempo, se desejamos uma solução para a dor que cada um de nós contribuiu para tornar tão monstruosa e sem significação como é.A primeira coisa, pois, que se deve compreender é que só podemos olhar o tempo com aquele vigor e aquela inocência da mente, que já estivemos considerando. Vemo-nos confusos a respeito de nossos numerosos problemas, e perdidos no meio desta confusão. Ora, quando uma pessoa se perde numa floresta, qual a primeira coisa que faz? Pára e olha em torno de si. Mas nós, quanto mais nos vemos confusos e perdidos na vida, tanto mais corremos em todos os sentidos, buscando, indagando, rogando. A primeira coisa que deveis fazer, se me permitis sugeri-lo, é fazer alto, interiormente. E, quando parais, interiormente, psicologicamente, vossa mente se torna muito tranqüila e clara. Podeis então considerar verdadeiramente a questão do tempo.Os problemas e o prazer com dor só existem no tempo, isto é, quando nos encontramos com um facto de maneira incompletaou quando fazemos de não o sentimos. Esse encontro incompleto ou desencontro com o fato cria o problema. Quando enfrentamos um desafio parcial, fragmentariamente, ou dele tentamos fugir - isto é, quando o enfrentamos com atenção incompleta - criamos um problema. E o problema continua existente enquanto continuarmos a dar-lhe incompleta atenção, enquanto esperarmos resolvê-lo um dia destes.Sabeis o que é o tempo? - Não o tempo medido pelo relógio, o tempo cronológico, porém o tempo psicológico? É o intervalo entre a ideia e a ação. Uma ideia visa, naturalmente, à autoproteção, ao bem estar, ao gozo, à segurança. A ação é sempre imediata; não é do passado nem do futuro; o agir deve estar sempre no presente; mas a ação é tão perigosa, tão incerta, que preferimos ajustar-nos a uma idéia que nos promete uma certa segurança.Olhai isso em vós mesmo. Tendes uma idéia do que é certo ou errado, ou um conceito ideológico relativo a vós mesmos e à sociedade, e de acordo com essa ideia ides agir. A ação, por conseguinte, ajusta-se àquela idéia, aproxima-se da idéia, e por essa razão existe sempre conflito. Há a idéia, o intervalo, e a ação. Nesse intervalo encontra-se todo o campo do tempo. Esse intervalo é, essencialmente, pensamento. Quando pensas que amanhã serás feliz, tendes então uma imagem de vós mesmos a alcançar um certo resultado no tempo. O pensamento, pela observação, pelo desejo, e pela continuidade desse desejo, sustentado por mais pensamento, diz: "Amanhã serei feliz; amanhã terei sucesso; amanhã o mundo será um belo lugar." Dessa maneira, o pensamento cria esse intervalo que é o tempo.Agora, perguntamos: Pode-se deter o tempo? Podemos viver ou parar de viver tão completamente que não haja um amanhã para o pensamento pensar nele? Pois a divisão do tempo é sofrimento. Isto é, ontem ou há um milhar de "ontens", amastes ou tínheis um companheiro que se foi, e essa memória perdura e ficais pensando naquele prazer ou naquela dor; estais a olhar para trás e a desejar, a esperar, a lamentar, e, assim, o pensamento, ruminando continuamente aquilo, gera essa coisa que se chama sofrimento e dá continuidade ao tempo.Enquanto existir esse intervalo de tempo, gerado pelo pensamento, tem de haver sofrimento, tem de haver a continuidade do medo. Assim, perguntamos a nós mesmos: Pode esse intervalo terminar? Se disserdes: "Terminará ele algum dia?", isso então já é uma ideia, uma coisa que desejais conseguir e, por conseguinte, tendes um intervalo e de novo vos vedes na armadilha.Agora, considere-se a questão da morte, um problema imenso para a maioria das pessoas. Conheceis a morte, pois a vedes todos os dias, andando a vosso lado. Será possível encararmos a morte de maneira tão completa, que não façamos dela um problema? Para a encararmos dessa maneira, todas as crenças, todas as esperanças, todos os temores a ela relativos devem acabar, senão estareis encarando essa coisa extraordinária com uma conclusão, uma imagem, com uma ansiedade premeditada e, por conseguinte, a estareis encarando com o tempo. O tempo é o intervalo entre o observador e a coisa observada. Isto é, o observador - vós - tem medo de enfrentar essa coisa chamada "morte". Não sabeis o que ela significa; tendes esperanças e teorias de toda espécie a respeito dela; credes na reencarnação ou na ressurreição, ou numa certa coisa chamada alma, "atman", uma entidade espiritual, eterna, a que chamais por diferentes nomes. Ora, já descobriste por ti mesmo se existe alguma alma? Ou trata-se de uma ideia que vos foi dada pela tradição? Existe alguma coisa de permanente, de contínuo, além do pensamento? Se o pensamento pode pensar nela, ela se acha no campo do pensamento e, por conseguinte, não pode ser permanente, porque, no campo do pensamento, não existe nada permanente. É de enorme importância descobrir que nada é permanente, porque só então a mente estará livre, só então se poderá olhar; e nisso há uma imensa alegria, o maior dos prazeres.Não podeis ter medo do desconhecido, pois não sabeis o que ele é e, portanto, não há nada que temer. A morte é uma palavra, e é a palavra, a imagem que cria o medo. Assim, podeis olhar a morte sem a imagem da morte? Enquanto existir a imagem, que dá origem ao pensamento, o pensamento haverá sempre de criar medo. Tratais então de racionalizar o vosso medo da morte e de levantar uma resistência contra o inevitável, ou inventais inumeráveis crenças para vos protegerdes do medo da morte. Há, portanto, um vão entre vós e a coisa de que tendes medo. Nesse intervalo de espaço-tempo tem de haver conflito, ou seja medo, ansiedade, autocompaixão. O pensamento, que gera o medo da morte, diz: "Adiemo-la, evitemo-la, mantenhamo-la o mais distante possível, não pensemos nela" - mas vós estais pensando nela. Ao dizerdes "Não quero pensar nela", já pensastes numa maneira de evitá-la. Tendes medo da morte, porque a tendes adiado.Separamos o viver do morrer, e o intervalo entre o viver e o morrer é - medo. Esse intervalo, esse tempo, é criado pelo medo. Viver é nossa tortura diária - insultos, sofrimentos, confusão, e, ocasionalmente, uma janela aberta nos mostra mares encantados. É a isso que chamamos "viver", e temos medo de morrer, que é o fim dessa aflição. Preferimos aferrar-nos ao conhecido a enfrentar o desconhecido - o conhecido, que é nossa casa, nossos móveis, nossa família, nosso caráter, nosso trabalho, nossos conhecimentos, nossa fama, nossa solidão, nossos deuses - essa coisa insignificante que incessantemente gravita em torno de si própria, com seu limitado padrão de amargurada existência.Pensamos que o viver está sempre no presente e que o morrer é algo que nos aguarda num tempo distante. Mas nunca indagamos se essa batalha da vida diária é de fato viver. Queremos saber a verdade a respeito da reencarnação, desejamos provas da sobrevivência da alma, prestamos ouvidos às asserções dos clarividentes e às conclusões das pesquisas psíquicas, porém nunca perguntamos, nunca perguntamos como viver - viver com deleite, com encantamento, com a beleza, todos os dias. Aceitamos a vida tal qual é, com toda a sua agonia e desespero, com ela nos acostumamos, e pensamos na morte como uma coisa que devemos diligentemente evitar. Mas, a morte se assemelha extraordinariamente à vida, quando sabemos viver. Não podeis viver sem morrer. Isso não é um paradoxo intelectual. Para se viver completa e totalmente, de modo que cada dia, cada momento sejam uma nova beleza, um novo gozo temos de de morrer para todas as coisas de ontem, de há um minuto pois, de contrário, viveremos mecanicamente, e uma mente mecânica jamais saberá o que é o amor ou o que é a liberdade ou o gozo.Em geral tememos a morte, porque não sabemos o que significa viver. Não sabemos viver, e por isso não sabemos morrer. Enquanto tivermos medo da vida, teremos medo da morte. O homem que não teme a vida não teme a insegurança, porque compreende que, interiormente, psicologicamente, não existe segurança nenhuma. Quando não há segurança, há um movimento infinito, e então a vida e a morte são uma só coisa. O homem que vive sem conflito, que vive com a beleza e o amor, não teme a morte, porque amar é morrer.Se morreis para tudo o que conheceis, inclusive vossa família, vossa memória, vossas dores, vossos amores, vossos prazeres até, tudo o que sentistes, a morte é então uma purificação, um processo de rejuvenescimento, um prazer; traz então a morte a inocência, e só os inocentes são apaixonados, e não aqueles que crêem e que desejam descobrir o que acontece após a morte.Para descobrirdes o que realmente acontece quando se morre, tendes de morrer. Isto não é pilhéria (piada). Tendes de morrer, não real, mas aparentemente, interiormente, morrer para as coisas que vos são caras e para as coisas que vos amarguram. Se morrestes para cada um dos vossos prazeres, tanto os insignificantes como os mais importantes, sem nenhuma compulsão ou discussão, então sabereis o que significa morrer. Morrer é ter uma mente completamente vazia de si mesma, vazia de seus diários anseios, prazeres e agonias. A morte é uma renovação, uma mutação, em que o pensamento não funciona, porque o pensamento é coisa velha. Quando há a morte, há uma coisa totalmente nova. Estar livre do conhecimento é morrer; e, então, estais VIVENDO, VIVENDO!....

Krishniamurti e eu
COMPREENDER o prazer

Prazer, bem estar, gozo, alegria e bem aventurança não são coisas diferentes, mas sinónimas, idênticas que nem importa muito definir: felizmente que todos sabemos o que é, que todos(as) já os(as) experimentamos, que todos somos prazer e alegria. É todavia também conhecido que eles(as) se podem transformar em dor, a qual nos pode vir até a dominar. Como evitar este mal, todo o mal?Vejamos, com Krishnamurti:"... Estamos, todos nós, empenhados na busca do prazer, nesta ou naquela forma - prazer intelectual, sensual ou cultural; o prazer de reformar, de dizer aos outros o que devem fazer, de atenuar os males da sociedade, de fazer o bem; o prazer de ter conhecimentos mais vastos, maior satisfação física, mais experiências, mais compreensão da vida, de possuir todas as qualidades engenhosas e subtis da mente; e, naturalmente, o prazer supremo: a posse de Deus.O prazer é a estrutura da sociedade. Da infância à morte, secreta ou ardilosa, ou abertamente, buscamos o prazer. Assim, qualquer que seja a nossa presente forma de prazer, acho que devemos vê-la muito claramente, porque será ela que irá guiar e moldar a nossa vida. Por conseguinte, o importante é que cada um de nós investigue com atenção, cautela e precisão, a questão do prazer, porque achar o prazer e depois nutri-lo e mantê-lo constitui uma necessidade básica da vida e sem ele a existência se torna monótona, estúpida, ensombrada pela solidão e dor e sem nenhum significado.Perguntareis: "Então por que razão não deve a vida ser guiada pelo prazer?" - Pela razão muito simples de que esse é necessariamente o caminho da dor, da frustração e do sofrimento, e, como resultado do medo da violência e de mais sofrimento. Se desejais viver dessa maneira, vivei; aliás, é o que muitos fazem. Mas, se desejais o prazer sem o sofrimento, deveis compreender a inteira estrutura do prazer e da dor.Compreender o prazer não significa negá-lo. Não o estamos condenando ou dizendo que é bom ou mau, mas, se o temos de cultivar, façamo-lo de olhos abertos, sabendo que a mente que está sempre a buscar o prazer encontrará inevitavelmente a sua sombra - a dor. As duas coisas não podem ser separadas, embora busquemos o prazer e procuremos evitar a dor.Ora, por que é que a mente está sempre a exigir prazer? Por que razão fazemos coisas nobres e ignóbeis sempre com esse desejo secreto de prazer? Por que nos sacrificamos e sofremos, sempre pendentes desse ténue fio do prazer? Que é o prazer, e como nasce? Não sei se alguns dentre vós já fizeram a si próprios estas perguntas e foram até às últimas conseqüências das respostas.O prazer se torna existente em quatro fases: percepção, sensação, contato e desejo. Vejo um belo automóvel, por exemplo; vem em seguida uma sensação, uma reação; depois o toco com as mãos ou imagino tocá-lo; e vem então o desejo de possuir o carro e ostentar-me com ele. Ou vejo uma nuvem formosa, uma montanha claramente delineada contra o céu, uma folha que acaba de brotar na primavera, um vale profundo, cheio de encantos e esplendor, um glorioso pôr-do-sol, um belo rosto, inteligente, vivo .... Olho essas coisas com intenso deleite e, enquanto as observo, não há observador, porém, tão-só a beleza pura, qual a do amor. Claro que esta eterna verdade se aplica aos demais sentidos da audição, sabor, tacto e olfacto... Por um momento estou ausente com todos os meus problemas, ansiedades e aflições; só existe aquela coisa maravilhosa. Posso olhá-la com alegria e no próximo momento esquecê-la, ou, então, a mente pode interferir erradamente- e aí começa o problema: a minha mente pensa naquilo que viu, ouviu, cheirou, comeu ou tocou e no prazer que dá; digo de mim para mim que gostaria de tornar a senti-lo muitas vezes. O pensamento começa a comparar, a julgar, a dizer: "Quero repetir isso amanhã". A continuidade de uma experiência que por minutos proporcionou deleite é mantida pelo pensamento.O mesmo sucede em relação ao desejo sexual ou outro. Não há nada de mau no desejo. Reagir é perfeitamente normal. Se me picais com um alfinete, eu reajo, a não ser que esteja paralisado. Mas, se o pensamento fica exageradamente a ruminar aquele deleite e vai desejar repetir a experiência, fica perturbado, tendendo a repeti-la mecanicamente; quanto mais pensais nela, tanto mais força o pensamento confere ao prazer. Desse modo, o pensamento cria e mantém o prazer através do desejo e dá-lhe continuidade; por conseguinte, a reação natural do desejo, ante uma coisa óptima pode ser pervertida pelo pensamento. O pensamento a converte em memória, que é então nutrida pelo pensar repetidamente naquela coisa.Naturalmente, a memória tem seu lugar próprio, num certo nível. Sem ela, não teríamos possibilidade de atuar na vida de cada dia. Em sua própria esfera, a memória tem de ser proficiente. Mas, memória a mais ou a menos não é bom. A mente que não está tolhida pela memória excessiva nem pela falta dela tem a verdadeira liberdade.Já notastes que, quando reagis a uma dada coisa totalmente, com todo o coração, quase não fica memória? É só quando não respondeis a um desafio com o vosso médio ser que se apresenta o conflito, a luta exagerados que acarretam prazer que leva à dor. A luta gera memória. Essa memória é continuamente acrescentada por outras memórias, e são essas memórias que reagem. Memória em excesso faz-nos velhos, e por conseguinte, não livres. Liberdade de pensamento é algo que não existe; é puro contra-senso.O pensamento nunca é novo, porque o pensamento é a resposta da memória, da experiência, do conhecimento. O pensamento, que é velho, torna também velho aquilo que olhastes com deleite e que por um momento sentistes profundamente, do velho vem o prazer que leva à dor; do eterno vem o prazer sem dor. No eterno não existe o tempo.Assim, se puderdes vivenciar todas as coisas sem permitir a intrusão do tempo - olhar uma rosa, uma ave, a cor de um sari, a beleza de uma extensão de água rutilando ao sol, ou qualquer coisa deleitável; ouvir um fado, um acordeon, um Bethoven; saborear um cozido, um ananás, uma imperial um cacau quente; fundir-vos com o vosso homem, a vossa mulher; cheirar uma rosa, um cravo, um tremoçal... - se puderdes sentir assim, sem desejardes demasiado que a experiência se repita, então não haverá dor, nem medo e, por conseguinte, haverá uma alegria infinita.É a luta exagerada ou a falta dela para repetir e perpetuar o prazer que o converte em dor. Observai isso em vós mesmos. Pensar e procurar o prazer somente repetindo também produz dor, porque ainda nada nem ninguém é a mesma coisa de ontem. Lutais para alcançar o mesmo deleite não só para o vosso senso estético, mas também para a vossa mente e corpo e ficais magoado e desapontado, porque ele vos é negado.Já observastes o que acontece quando vos é negado um pequeno prazer? Esquecendo o prazer do descanso? Quando não tendes o que desejais, vos tornais ansiosos, invejosos, rancorosos. Já notastes que quando vos é negado o prazer de fumar ou de beber, o prazer sexual ou outro qualquer - já notastes as lutas que tendes de sustentar? E tudo isso é uma forma de medo, não é verdade? Tendes medo de não obter o que desejais ou de perder o que possuis. Quando uma dada fé ou ideologia que cultivais há muitos anos é abalada ou vos é arrebatada pela lógica da vida, não tendes medo de vos verdes só? Essa crença vos proporcionou durante anos satisfação e prazer, e quando vos é retirada ficais desgovernados(as), vazios, e o medo perdura até achardes outras formas de prazer, outra crença.Isso me parece muito simples, e, por ser tão simples, não queremos ver a sua simplicidade. Gostamos de complicar tudo. Se vossa esposa ou marido vos abandona, não sentis ciúme? Não sentis raiva? Não odiais o homem que a seduziu? E que é tudo isso senão o medo de perder o que vos dava muito prazer, de perder essa companhia, perder aquela segurança e satisfação conferidas pela posse?"

Monday, April 13, 2009

Garantia Safra
13.04.09 Produção Rural
Assessoria de Imprensa
A Secretaria de Produção Rural do Município de Santa Luzia informa que entre 16 à 30 de abril serão pagas, de uma única vez, duas das cinco parcelas do Garantia Safra do ano 2007/2008, correspondente ao valor de R$ 220,00 reais, e as três parcelas restantes, no valor de R$ 110,00 reais cada, serão pagas nos meses de maio, junho e julho do corrente ano.
Segundo Ricardo Amâncio de Lima, secretário de Produção Rural, o município de Santa Luzia esta em dias com o pagamento das parcelas da contra-partida de responsabilidade dos municípios em relação Garantia Safra 2007/2008.
Ricardo disse que o município de Santa Luzia terá uma injeção de aproximadamente 170 mil reais nos próximos meses com o pagamento do Garantira Safra a cerca de 309 agricultores.

http://www.santaluzia.pb.gov.br/index.php?pg=noticias&id=1170
TU e ELA

Tu, tu és a sociedade,
e, por que aceitas a ruindade
da dor, se, a felicidade
menor é mui melhor que maldade?

Ele, ele é a dor, a fraqueza,
o sofredor que riqueza
tem de ter mais, mesmo com vileza!
E, só mais dor lhes dá a Realeza.

Oh, o prazer do verde, do verdinho,
da compreensão, do jeitozinho,
da lourinha, do negrinho,
do dar, da justiça, do engraçadinho,
do receber, do parecer, do fininho!...
PERDIDO CÃO

Cedeste à dor
em demasia;
ou, quiseste, seja como for,
acabar com a doentia,
aguda dor... E, doutor
rima com dor!
Uma jovem
fez hoje com que o cão
perdido caísse à linha.
Uma cena! Artistas,
perigo!... Então,
o que valeu ao cão
foi o maquinista são
e a sua agilidade
(cão não tem muita idade!).
Fez aflição,
a menina sem atenção,
e, o desesperado, louco cão!

ENGENHEIRO
DO PRAZER
Tens de ser
como os outros,
superior até, e saber mais,
ganhar sempre mais!
De certeza, madrinha?
De certeza!
Mas e então a alegria,
o efémero, o jogo,o momento?...
Vem depois, vem depois...
E, assim veio a magreza,
e a dor e a doença....
Pois, do que pensa
que vive o dom doutor?
Do prazer?
Prazer é para abater nos outros,
e, é pecado.
Prazer só em privado!
Mas, ouvi falar
dum engenheiro do prazer,
ouvi sim!
Diga-me lá, seu maroto,
onde vive esse garoto...
Sim, porque rapazola
deve ser.
É lá p'rás bandas de Benfica.
E, dá à sola!
Posted by JoaquimMarquesMachoqueira at 08:12 0 comments

HOMENS DEUS

Há sempre uma perspectiva,
uma saída, nem que seja
uma contagem, o iva,
a ida... Olhe e veja!

Saúde, diz Lariche,
"é a vida (pense),
no silêncio dos órgãos", e "iche"
é o espanto do Montargilense.

Flores do campo, lilases,
amarelas, brancas, verdes, roxas,
vermelhas.. Na cidade! Fazes
ideia, não fazes? E, trouxas!

E, cidade no campo, à beira rio,
à beira mar. Quem tais flores faz
só pode ser gente de paz,
homens Deus talvez, Dario.


NOVA CIÊNCIA

Doença é dor, e, medicina
para a tirar: nova ciência
há que criar com paciência,
a do prazer, Josefina.

Há mais dor do que prazer,
dizes; digo-te: também
podes só gozo ser,
dor: vem comigo, vem.

Paz e harmonia,
sementeira e fecundação,
libertação e folia
eu dou, e, salvação.

Falas, falas... Com medo
de mim, mas, iguais
somos, não és só tu que cedo
vens ou tarde vais.

Só vês mal, crise e dores;
isso dá-te gozo?
Fica com os teus amores,
mas, tem cuidado, Barroso.

Dar prazer é agradar
e ser agradado: prazer
e dor bem juntar
é que é Ser!

Dois prazeres para um
e para o outro nenhum?
Que falta de ciência,
Paciência!

Prazer é expansão
da energia
da concentração.
Certo, ó orgia?

Sunday, April 12, 2009

RECANTOS DA MINHA TERRA

Montargil ó vila, flor do meu sentido...
Não negaste aos meus olhos a dignidade;
Nem eu rogo outro chão à divindade,
Mesmo em ti que me sinta empobrecido.

Entre sonhos o meu destino em ti vivido:
- Foste cença, foste berço em realidade;
Foste graça sem negar intimidade,
O amor que em menino me foi querido.

Ó terra mor de encantos enamorada!
Quantas eras tu me rezas na memória
Ruas sóbrias de pedras soltas na calçada.

Candeeiros em brasão da tua história!
Luz singela a cintilar emocionada;
Fé aos ventos realçando a tua glória.

Foutinho: 2º Livro


CONCENTRAÇÃO

Conhecer, atrair,
concentrar, fazer vir
saber e arte,
que não farte.

Eu poema,
tu Ema fonema:
Páscoa, lagartixa,
rosa, Ticha.

Faz-me rir,
aquela tristeza;
faz-me sorrir
a bela Tereza!

A obra vai
começar: memória,
mostra tua oratória:
será que vai cair?

Starbucks, jaz,
Almada, Che Guevara...
Tarte de maçã, tara,
peso bruto, tanto faz!

Nova, preto e branco,
figura, figurão;
gelado, picolé, calmeirão,
ligeiro ou manco...

Wednesday, April 08, 2009

Tuesday, April 07, 2009


(Capitão de Mar e Guerra - Médico Naval)
Manuel Máximo Prates foi filho de Manuel Máximo Prates, da antiga família Montargilense dos Raposos, e de Maria José Nogueira. Nasceu em Aldeia Velha em 11.12.1886. Foi Capitão-de-mar-e-guerra médico, especialista em doenças tropicais, condecorado com o grau de oficial de Torre e Espada, o grau de oficial da Ordem de Avis, com a Comenda da Ordem de Santiago, com a medalha da Vitória, com a medalha de Mérito de prata, etc..
In: Carvalho, A. M. P. G. de – “ Genealogias Alentejanas “, Edição do Autor, 2003
Foi irmão do professor Manuel Máximo Prates, José Máximo Prates, Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Montargil por volta de 1911, por mais de um mandato. (http://scmm.com.sapo.pt/Provedores.htm)
Já o pai, Manoel Máximo Prates, médio proprietário (pagava em 1890, 24$110 de contribuições prediais) era, em 1885, vogal eleito efectivo da Junta de Parochia - futura Junta de Freguesia - de Aldeia Velha.
Fonte:
pt:8080/dspace/bitstream/10071/621/23/Anexo+14.pdf , e,loki.iscte.pt:8080/dspace/bitstream/10071/621/12/Anexo+3.pdf
Livros sobre e de Manuel Máximo Prates, na Biblioteca Nacional:

Monday, April 06, 2009

Conexão da Semana:
A Travessia 05 à 11/04
Essa semana temos uma pausa na leitura da Torá, para que possamos celebrar um momento muito especial, deflagrado pela lua cheia de Áries, que acontecerá entre os dias 08 e 09 de Abril. Em termos astrológicos, o momento é exatamente o mesmo em que tivemos na Torá o relato do grande milagre da abertura do mar.A Cabala explica que não se trata somente de algo que aconteceu ha 3.500 anos, mas de uma possibilidade, que se repete todos os anos, de removermos o poderoso Faraó que habita cada um de nós. É ele que nos mantem escravos de comportamentos circulares e repetitivos. Um ser que habita dentro de nós e que jamais se contenta, precisando se comparar com tudo e com todos.Nessa semana ganhamos força extra para nos livrarmos dos mecanismos desse Faraó e realizar a travessia para uma nova existência. Mas para isso precisamos caminhar juntos, concentrados em trocar a reclamação pelo agradecimento, a crítica pelo elogio e o orgulho pela humildade.Shalom!http://w0.mail.sapo.pt/imp/message.php?mailbox=INBOX&index=3178
SATÍRICO

Satírico impassível:
"castigat ridendo moris":
castigar os costumes pelo riso,
melhorando o possível;
públicas virtudes
de personagens importantes,
vicios/corrupções escondidos,
castigos científicos;
os papa almoços,e,
o camarão alentejano: tremoços;
Zé da Ponte - comunista?
Castiga-se vigarista?
Sepulcros caiados;
dar a volta ao mundo;
ele e ela: eu e tu;
amizade só com justiça,
igualdade;
e,quem não se sente
não é filho de boa gente.
Sátira
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

A sátira é uma técnica literária ou artística que ridiculariza um determinado tema (indivíduos, organizações, estados), geralmente como forma de intervenção política ou outra, com o objectivo de provocar ou evitar uma mudança. O adjectivo satírico refer-se ao autor da sátira.A paródia pode estar relacionada com a sátira. A paródia imita outra forma de arte, de uma forma exagerada, para criar um efeito cómico, ridicularizando, geralmente, o tema e estilo da obra parodiada. Ainda que por vezes as técnicas próprias da sátira e da paródia se sobreponham, não são sinónimas. A sátira nem sempre é humorística - por vezes chega a ser trágica. A paródia é, inevitavelmente de carácter cómico. A paródia é imitativa por definição - a sátira não tem de o ser. O humor satírico tenta, muitas vezes, obter um efeito cómico pela justaposição da sátira com a realidade. O principal objectivo da sátira é político, social ou moral - e não cómico... O humor satírico tende, pois, para a subtileza, ironia e uso do efeito cómico do deadpan (impassibilidade do humorista, como se não percebesse o ridículo das situações que apresenta).Nas sociedades célticas, cria-se que uma sátira composta por um bardo tinha efeitos físicos, semelhantes a uma maldição.Hoje ainda podemos falar de sátiras e paródias audiovisuais, que nada mais são do que as reproduções da sátira ou da paródia como as conhecemos através de meios audiovisuais, como a televisão, o cinema e mais recentemente a internet. A sátira e a paródia aqui ganham elementos novos, pois passa-se a trabalhar com o jogo de imagens e sons, sendo esses dois os principais elementos com que se irá criar o efeito cômico ou o efeito crítica-ironia, e não mais através somente do texto e de sua interpretação. O leitor da sátira e da paródia passa ao espectador desses estilos que em última análise podem se manifestar em qualquer linguagem.Uma das características da sátira antiga é a apropriação paródica dos mais diversos gêneros literários da Antiguidade, incluindo uma heterogeneidade estilística em que prosa e verso encontravam misturados no mesmo texto. Mas outra etimologia, ligada à língua grega, associa a sátira à figura mítica do sátiro, lembrando uma de suas características mais importantes, já encontrada na comédia antiga e transmitida ao romance: a irreverência. O que caracteriza a irreverência satírica é o seu caráter denunciador e moralizador. De fato, o objetivo da sátira é atacar os males da sociedade, o que deu origem à expressão latina: castigat ridendo moris, que se pode traduzir livremente como "castigar os costumes pelo riso". Por seu caráter denunciador, a sátira é essencialmente paródica, pois constrói-se através do rebaixamento de personalidades (reais ou fictícias), instituições e temas que, segundo as convenções clássicas, deveriam ser tratados em estilo elevado. Ou seja: a sátira ri de assuntos e pessoas "sérias", para denunciar o que há de podre por trás da fachada nobre impingida à sociedade. Portanto o riso satírico é diametralmente oposto à idealização épica.Sendo o riso satírico em geral extremamente sarcástico, o grotesco é um dos procedimentos favoritos do satirista, que costuma mostrar a deformação grotesca do corpo do personagem satirizado como uma alegoria dos seus defeitos morais.Um poeta muito conhecido por suas sátiras foi Gregório de Matos e Guerra, poeta de estilo barroco.[editar] Técnicas satíricas mais utilizadasDiminuição - Reduz o tamanho ou grandeza de algo de forma a tornar a sua aparência ridícula ou de forma a fazer sobressair os defeitos criticados. Por exemplo, quando alguém, num discurso político, decide chamar "bando de garotos" aos membros de outro partido, usa a diminuição. A primeira parte de As Viagens de Gulliver, passada na ilha fictícia de Liliput, é também uma sátira diminutiva.outro exemplo: Ah?? O Derrota do Jahia (nome satírico do E. C. Bahia)?? Sei... aquele timeco que ainda pensa que é grande...Inflação - Quando se exagera, aumentando, algum aspecto da coisa satirizada. Tal como a diminuição, é uma forma de hipérbole (negativa no primeiro caso, positiva, no segundo). O exagero das dimensões de algo serve também para acentuar os defeitos daquilo que se pretende satirizar. Como exemplo desta técnica, podemos considerar a obra de Alexander Pope, The Rape of the Lock.outro exemplo: " Os Rolling Stones são tão velhos, mas tão velhos que ja viraram múmias vivas!Justaposição - Coloca ao mesmo nível coisas de importância desigual, de forma a rebaixar algumas, supostamente "elevadas" ao nível de outras consideradas menos nobres. Por exemplo, quando alguém diz que as suas disciplinas preferidas na escola são Cálculo Diferencial, Física e "micar as gajas" (expressão usada, no calão, em Portugal, e que significa: olhar para as garotas), estará a colocar as disciplinas científicas, supostamente mais elevadas e edificantes, ao mesmo nível de um passatempo que apela a instintos mais básicos. ParódiaA Paródia é uma imitação, na maioria das vezes cômica, de uma composição literária, (também existem paródias de filmes e músicas), sendo portanto, uma imitação que geralmente possui efeito cômico, utilizando a ironia e o deboche. Ela geralmente é parecida com a obra de origem, e quase sempre tem sentidos diferentes. Na literatura a paródia é um processo de intertextualização, com a finalidade de desconstruir um texto.A paródia surge a partir de uma nova interpretação, da recriação de uma obra já existente e, em geral, consagrada. Seu objetivo é adaptar a obra original a um novo contexto, passando diferentes versões para um lado mais despojado, e aproveitando o sucesso da obra original para passar um pouco de alegria. A paródia pode ter intertextualidade.
Posted by JoaquimMarquesMachoqueira at 04:26 0
São José de Sabugi (Nordeste do Brasil)
Dados Históricos
PRÉ-HISTÓRIA
As evidências da presença do homem pré-histórico estão presentes por todo o Estado da Paraíba. Em nosso município essa presença está registrada nas Itaquatiaras existentes nos sítios arqueológicos Tapuio e Pedra Lavrada. As Itaquatiaras de São José do Sabugi,constituem uma herança enormemente significativa para a compreensão da vida passada e caminhar para a vida futura.Além das inscrições ruprestes encontradas em nosso município, contamos ainda com outras belezas naturais tais como:A Pedra da tartaruga , O olho d'água no Chupadouro e Serra do Exu ,nesta a paisagem é contemplada pelas gravuras formadas pelas pedras salientes que sobressaem da vegetação.
ORIGEM DO MUNICÍPIO:
O município de São José do Sabugi, tem suas origens no ano de 1916com a implantação do sítio São José de propriedade do Sr. Raul Aprígio. Em 1926chega ao local o Sr. Manoel Rodrigues Pinto e compra esta propriedade com a finalidade de aqui fixar morada, constuindo então a 1ª casa. No ano de l927, é celebrada a 1ª missa pelo Cônego Viana, no local que ficou conhecido como São José de Manoel Pinto. Neste mesmo ano é realizada a 1ª feira em baixo de uma latada.Em 1928, deu-se início a construção de uma capela que recebeu a imagem de São José como padroeiro.Nas divisões administrativas do Brasil no triênio de l936 a l938,é mencionado como distrito de Santa Luzia, com o nome de São José do Sabugi, sendo que no qüinqüênio de 1939 a 1943, aparece com o topônimo der Caapoã , voltando a antiga denominação no qüinqüênio de1944 a 1948.O seu desenvolvimento obrigou seus líderes a lutarem por sua emancipação, o que só foi conquista em 22 de dezembro de l961, através daLei Estadual Nº2.682, com o nome de São José do Sabugi , sendo administrado interinamente pelo Sr. Pedro Avelino de Lucena, até a realização das eleições realizadas em 03 de outubro do mesmo ano.
APRESENTAÇÃO:
O município de São José do Sabugi, está localizado na mesoregião da Borborema e na microrregião do Seridó Ocidental Paraibano, com uma área de 216,3 Km², conta com uma população de 3.916 habitantes, limita-se ao norte e leste com o Estado do Rio Grande do Norte, ao Sul com Junco do Seridó e ao Oeste com Santa Luzia. Seu clima é quente e seco apresentando médias pluviométricas que oscilam de 150 e 350 mm, e temperatura que oscilam de 26ºC à 36ºC. Seu relevo é constituído basicamente por planícies de pouca declividade, suavemente onduladas sendo que ao norte encontra-se a serra do Exu, aos pés da qual encontra-se edificada a nossa querida cidade.
Fonte: http://www.portalpublico.com/pmsjsabugi/

Sunday, April 05, 2009

APRECIAÇÃO

Que cena triste
na televisão: missa.
Verdadeira conversão?
Hipocrisia?
Atenção é precisa.
De qualquer modo,
salvação
é para todos.
Mas, que são
suspeitos, aqueles, são!
Pois, são opressores,
herdeiros
de opressores.
Comida, informação,
comunicação,
amor, apreciação...
Criação não é erro
mesmo que possa parecê-lo.
É força, caminho inverso,
prosa, verso
ou mistura de ambos.

Friday, April 03, 2009

OBRAS e RESTAURAÇÕES...
Como é sabido, o bem antigo concelho de MONTARGIL foi extinto em 1855 e integrado nesse ano no de Avis, e em 1871 no de Ponte de Sôr. Entretanto, pelo que pode ajudar à compreensão do processo, aqui se transcreve um artigo do Site do vizinho e belo Município de Marvão que, tendo passado por idêntica crise, a ultrapassou com grande sucesso.
24 de Janeiro - Restauração do Concelho de Marvão
A revolução Liberal de 1820 trouxe consigo alterações profundas ao nível da organização administrativa do território. Desde esse período e até aos nossos dias subsiste a divisão territorial: Os distritos que se desdobram em concelhos e estes em freguesias. No entanto, ao longo de todo o séc. XIX e principalmente no interior do país, sentia-se a falta de pessoal habilitado para o exercício dos cargos políticos, bem como carência de recursos para responder às necessidades das populações.Para os Municípios de 3ª ordem (como Marvão) era muito complicado captar recursos financeiros necessários à administração corrente, e pelo alto índice de analfabetismo da população, era também muito difícil recrutar indivíduos aptos para participarem nas vereações. Foi então sem grande surpresa que a 26 de Setembro de 1895 foram suprimidos diversos concelhos por todo o país, no âmbito de uma reorganização política e administrativa do território português. Neste contexto, o Concelho de Marvão ficou anexado ao de Castelo de Vide. A extinção do Concelho de Marvão não foi assim um caso isolado nem no distrito nem no país. Com esta reforma pretendia-se a racionalização dos recursos financeiros e humanos. No entanto, com esta alteração, foram extintos municípios com raízes seculares. Marvão era um destes casos.Na altura, na documentação, não consta que a população de Marvão se tenha revoltado com a situação, até porque os tempos eram de constante mudança. Numa das poucas referências que surge na documentação acerca deste assunto, o então Administrador do Concelho de Marvão (Manuel Luís da Costa Afonso) relatava aoGovernador Civil:(…) há já tres mezes que eu e os empregados d’esta administração não recebem os seus vencimentos, dizendo o secretario da camara que se não pagava em vista das folhas não estarem feitas e não haver aqui quem as assignassem (…) Em Fevereiro de 1897, o governo caiu, enfraquecido pela acção da oposição e pela sua própria inoperância. Em 13 de Janeiro de 1898, depois de novas eleições para o governo e várias reclamações um pouco por todo o país, o concelho de Marvão foi reintegrado e portanto desanexado do concelho vizinho. A 24 de Janeiro regressaram para Marvão os símbolos do concelho e também o seu espólio documental, facto que foi considerado de tal importância que deu origem durante muitos anos, ao feriado municipal.Nas actas de vereação da Câmara de Castelo de Vide de 24 de Janeiro de 1898 pode ler-se que : “na melhor ordem foi feita a entrega de utensilios, mobilia e archivo que pertenciam ao concelho de Marvão” . Quando da extinção do concelho, António de Matos Magalhães era vereador da Câmara Municipal. Após a sua restauração, foi ele que assumiu a presidência da comissão administrativa e mais tarde a presidência da Câmara, depois das eleições municipais.António de Matos Magalhães foi portanto o líder dos desígnios marvanenses durante este importante período da nossa história concelhia.O evento da restauração do concelho de Marvão ocorreu em 1898, mas actualiza-se sempre que a Câmara Municipal e cada um dos Marvanenses recupera a sua memória e o seu simbolismo.Publicada por Catarina em 9:45
Fonte: http://municipiodemarvao.blogspot.co...staura_24.html
ObservaçãoMaratona mundial de astronomia até domingopor CFILOMENA NAVES São cem horas seguidas de observações nocturnas do céu, palestras, sessões de planetário, construção de relógios de sol e até actividades através da Net. A maratona de astronomia está a decorrer desde ontem, e até domingo, em 130 países. Portugal tem mais de meia centena de iniciativas, sendo um dos países que na Europa mais se dinamizou para o projectoHaverá mais de 1500 actividades em 130 países, i e os participantes esperados poderão ultrapassar um milhão em todo o mundo. São as "100 horas de Astronomia", que estão a decorrer até domingo. Em Portugal irão decorrer 51 iniciativas, sendo um dos países europeus mais activos. Estes não são números astronómicos, no sentido literal da palavra, mas com eles batem-se recordes absolutos e a iniciativa "100 horas de Astronomia", que ontem se iniciou, torna-se a maior observação colectiva de estrelas de sempre, (e à escala planetária). Isto desde que Galileu apontou pela primeira vez os seus telescópios para o céu nocturno e com isso deu início a uma nova etapa na História humana."Esta uma maratona dentro de outra maratona, que é Ano Internacional da Astronomia", disse ao DN Nelma Silva, uma das coordenadoras das "100 horas" em Portugal, explicando que "o objectivo é divulgar as várias facetas da astronomia, desde as actividades amadoras às observações dos profissionais com os maiores e melhores telescópios do mundo, junto do maior número de pessoas possível". A ideia, diz Nelma Silva, do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto, "é pôr toda a gente a falar de astronomia durante estes quatro dias".Por isso, as actividades são muitas e variadas e em Portugal acontecem por todo o País. Há palestras, sessões de planetário, observações nocturnas do céu com astrónomos amadores e outros profissionais (ver caixa)."As pessoas não precisam de saber astronomia para participar, basta que o queiram fazer", diz Nelma Silva. Por outro lado, e porque se trata de uma maratona em que toda a gente pode participar, para promover estas actividades também não é necessário ser profissional: "Um astrónomo amador pode pegar no seu telescópio e organizar uma sessão de observações nocturnas, basta para isso que inscreva a sua actividade no site da iniciativa".Até à noite de quarta-feira, havia 51 registos de actividades na maratona das "100 horas" para Portugal, mas esse número poderia aumentar.Para quem gosta de ver estrelas e não quer sair de casa, também há programas aliciantes nesta maratona de cem horas, até domingo. Os astrónomos de sofá (e toda a gente claro) têm a oportunidade de observar em tempo real como se trabalha nos maiores observatórios na Terra. É a iniciativa "Volta ao mundo em 80 telescópios", que decorre hoje a partir das 10.00, e só termina amanhã. Basta ter a Internet à mão. Tags: CiênciaFonte: dnonline

Thursday, April 02, 2009

Religião,dor (e prazer) ...

"... Na tradição bíblica (e até na budista, com o carma: uma boa acção será sempre recompensada e uma acção injusta ou imperfeita será nesta ou noutra vida sempre castigada), a doença e a dor surgem depois de Adão e Eva terem cedido à sedução da serpente... (isto é desobedecido a Deus, terem querido ser como Deus- veja-se Babel – o que faz muito sentido, apesar de a quase revolta contra Deus, mais ou menos assim terá proferido Moisés: «mata-me, Senhor, ou salva este povo!» Lhe poder ser bastante grata!).

Na tradição cristã... a dor não é castigo divino infligido aos homens com menos méritos, não é consequência do pecado ou da mácula... a aceitação da dor é uma forma possível de devoção que aproxima de Deus e purifica a alma... O cristianismo afasta-se do orgulho soberano de um Job (o judeu ainda hoje?) que não pára de argumentar, convencido de estar a ser injustamente perseguido...Também se pensava que os sofrimentos dos justos correspondiam a um sinal de eleição. Uma comparação instaurava-se, era feita uma assimilação entre os sofrimentos dos justos e os de Cristo, Virgem Maria e os santos.» Tal ideia está hoje bastante enfraquecida. A dor é agora vivida como um distúrbio que merece desde logo ser aliviado [não esquecer a questão do alívio dos sintomas, da cura das causas e dos efeitos secundários. E, se o Dr. Alfacinha diz que se fizéssemos tudo bem feito íamos até aos 120 anos, porque não dizer que se fizéssemos como Matusalém (logo após a queda de Adão e Eva - Bíblia) íamos até aos mil?].

Como outras religiões do Livro de Job (judaica e muçulmana) o cristianismo adapta-se a condições que se transformam. A modernidade ( e a evolução) impõe aos crentes uma nova interpretação dos textos fundadores, de preferência a uma fidelidade à letra. «As concepções cristãs», escreve Buytendijk, «reconhecem à dor o seu extraordinário significado, enquanto realização da condição humana, mas não se opõem à confiança absoluta na medicina e na higiene, nem na sua ampla técnica de prevenção e de luta contra a dor.»...A dor é, no espírito do Livro de Job, uma prova infligida por Deus que permite o amadurecimento do fiel...

De tradição frequentemente católica (mas ultrapassados pelas orientações de Roma)(?), os médicos franceses tiveram durante muito tempo a tendência para prescrever fracas doses de morfina para aliviar a dor crónica ou as dores de fim de vida. Em 1987, a Dinamarca e outros países escandinavos utilizavam, proporcionalmente, 20 vezes mais de morfina. Com o mesmo sentimento da inutilidade e do carácter nefasto da dor, os ingleses criaram o movimento dos hospícios com o fim de aliviar os sofrimentos relacionados com o final da vida e ajudar os moribundos, prescrevendo doses consideravelmente mais elevadas do que as dadas pelos médicos franceses, preservando sempre a lucidez e a personalidade dos doentes. A rainha Vitória foi uma das primeiras, em 1853, a pedir uma anestesia de clorofórmio para trazer ao mundo o seu segundo filho. Renovou a experiência com o terceiro parto, E, isso, apesar da força da palavra cristã: «Darás á luz com a dor» e do carácter experimental da anestesia naquela época. Um outro país protestante, a Holanda, entende legitimar a eutanásia se a doença for implacável, a dor demasiado intensa e mutiladora..."

In Pgs. 84, 92, 93, 96 97, 98 e 99, de "Compreender a Dor", de David Le Breton, da estrelapolar, Cruz Quebrada.

Comentário: não conseguiram ainda Epicuro nem demais hedonistas fazer vingar a ideia não só da total inutilidade da dor, como da necessidade absoluta do triunfo da felicidade, do gozo e do prazer. Mas, à semelhança da cabala, outrora perseguida, e hoje abertamente ensinada, também parece estar chegando a hora do hedonismo (doutrina que atribui ao prazer uma predominância quer de facto quer de direito).

Wednesday, April 01, 2009

A dor ainda existe? Ou não?Não existe se não estou a sofrer.E como estou? Mais gozando do que sofrendo,Pois se Deus é prazer, suma felicidade, e, o seu quererÉ que sejamos sumamente felizes com Ele(a)!E Deus somos todos os seres e coisas.Não é isto que estás vendo?Como é importante a verdade para a felicidade,E, como nos fazem felizes as boas recordações,Os bons sabores, as boas sensações,Uma mente quieta, tranquila e tranquilizadora!...Faço mesmo ioga, não penso em coisas nem em loisas,Nem em nada, nem em ninguém:Caso o feito com o por fazer, vão-se aflições!
Posted by JoaquimMarquesMachoqueira at 09:41 0
Deus é prazer, suma felicidade: não há nele(a) dor alguma!
PRAZER

Que erro pensar
que a dor termina
com a morte,
pois, se morte,
no sentido de aniquilar
não existe!
Mas, onde germina
o prazer, desiste
a dor!
E, o prazer
de uma certa tristeza
será o prazer do descanso?
Mas, descansar
demais dá em desprazer.
Ou, é o prazer
suspeito do masoquista?