Sunday, September 30, 2007

MUSAS
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Uma marcha nupcial:
A trágica Melpomene,
A séria, a solene,
E Tália, pastoral.
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Melpomene, a poetisa;
Da coméda a Tália…
Gregas, do pé da Itália.
Qual é a que profetisa?
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Uma marcha marcial:
Orfeu, filho de Apolo,
Já chegou ao Norte Pólo?
Já acalmou visual?
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Seu talento musical,
De Orfeu, até demónios
Acalmou; tinha neurónios
Iluminados, jornal.
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Erato, a mui amável,
Da lírica poesia,
Com lira é que fazia
Os versos: muito louvável.
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No pensamento, no desejo
É que tudo realmente
Começa, profundamente.
Se é mau, não dê ensejo!
AS MUSAS NA ARTE
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“Após a vitória dos deuses do Olimpo sobre os seis filhos de Urano, conhecidos como titãs, foi solicitado a Zeus que se criassem divindades capazes de cantar a vitória e perpetuar a glória dos Olímpicos. Zeus então partilhou o leito com Mnemósine, a deusa da memória, durante nove noites consecutivas e, um ano depois, Mnemósine deu à luz nove filhas em um lugar próximo ao monte Olimpo. Criou-as ali o caçador Croto, que depois da morte foi transportado, pelo céu, até a constelação de Sagitário. As musas cantavam o presente, o passado e o futuro, acompanhados pela lira de Apolo, para deleite das divindades do panteão. Eram, originalmente, ninfas dos rios e lagos. Seu culto era originário da Trácia ou em Pieria, região a leste do Olimpo, de cujas encostas escarpadas desciam vários córregos produzindo sons que sugeriam uma música natural, levando a crer que a montanha era habitada por deusas amantes da música. Nos primórdios, eram apenas deusas da música, formando um mavioso coro feminino. Posteriormente, suas funções e atributos se diversificaram.


Clio (a quem confere fama) era a musa da História, sendo símbolos seus o clarim heróico e a clepsidra. Costumava ser representada sob o aspecto de uma jovem coroada de louros, tendo na mão direita uma trombeta e na esquerda um livro intitulado "Tucídide". Aos seus atributos acrescentam-se ainda o globo terrestre sobre o qual ela descansa, e o tempo que se vê ao seu lado, para mostrar que a história alcança todos os lugares e todas as épocas.
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Euterpe (a que dá júbilo) era a musa da poesia lírica e tinha por símbolo a flauta, sua invenção. Ela é uma jovem, que aparece coroada de flores, tocando o instrumento de sua invenção. Ao seu lado estão papéis de música, oboés e outros instrumentos. Por estes atributos, os gregos quiseram exprimir o quanto as letras encantam àqueles que as cultivam.
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Tália (a festiva) era a musa da comédia que vestia uma máscara cômica e portava ramos de hera. É mostrada por vezes portando também um cajado de pastor, coroada de hera, calçada de borzeguins e com uma máscara na mão. Muitas de suas estátuas têm um clarim ou porta-voz, instrumentos que serviam para sustentar a voz dos autores na comédia antiga.

Melpômene (a cantora) era a musa da tragédia; usava máscara trágica e folhas de videira. Empunhava a maça de Hércules e era oposto de Tália. O seu aspecto é grave e sério, sempre está ricamente vestida e calçada com coturnos.

Terpsícore (a que adora dançar) era a musa da dança. Também regia o canto coral e portava a cítara ou lira. Apresenta-se coroada de grinaldas, tocando uma lira, ao som da qual dirige a cadência dos seus passos. Alguns autores fazem-na mãe das Sereias.

Érato (a que desperta desejo) era a musa do verso erótico. É uma jovem ninfa coroada de mirto e rosas. Com a mão direita segura uma lira e com a esquerda um arco. Ao seu lado está um pequeno Amor que beija-lhe os pés.
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Polímnia (a de muitos hinos) era a musa dos hinos sagrados e da narração de histórias. Costuma ser apresentada em atitude pensativa, com um véu, vestida de branco, em uma atitude de meditação, com o dedo na boca.
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Urânia (celeste) era a musa da astronomia, tendo por símbolos um globo celeste e um compasso. Representam-na com um vestido azul-celeste, coroada de estrelas e com ambas as mãos segurando um globo que ela parece medir, ou então tendo ao seu lado uma esfera pousada uma tripeça e muitos instrumentos de matemática. Urânia era a entidade a que os astrônomos/astrólogos pediam inspiração.
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Calíope (bela voz), a primeira entre as irmãs, era a musa da eloqüência. Seus símbolos eram a tabuleta e o buril. É representada sob a aparência de uma jovem de ar majestoso, a fronte cingida de uma coroa de ouro. Está ornada de grinaldas, com uma mão empunha uma trombeta e com a outra, um poema épico. Foi amada por Apolo, com quem teve dois filhos: Himeneu e Iálemo. E também por Eagro, que desposou e de quem teve Orfeu, o célebre cantor da Trácia.
Suas moradas, normalmente situadas próximas à fontes e riachos, ficavam na Pieria, leste do Olimpo (musas pierias), no monte Helicon, na Beocia (musas beocias) e no monte Parnaso em Delfos (musas délficas). Nesses locais dançavam e cantavam, acompanhadas muitas vezes de Apolo Musagetes (líder das musas - epíteto de Apolo). Elas eram bastante zelosas de sua honra e puniam todos os mortais que ousassem presumir igualdade a elas na arte da música. O coro das musas tornou o seu lugar de nascimento um santuário e um local de danças especiais. Elas também freqüentavam o Monte Hélicon, onde duas fontes, Aganipe e Hipocrene, tinham a virtude de conferir inspiração poética a quem bebesse de suas águas. Ao lado dessas fontes, as Musas faziam gracioso movimentos de uma dança, com seus pés incansáveis, enquanto exibiam a harmonia de suas vozes cristalinas. “

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Musas#As_musas_na_arte
ABUNDÂNCIA
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A abundância é
Para todos, e, as flores
Com chuva são meus amores;
Como anima, café!
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As famílias inteiras
Vêm hortas e jardins
Fazer: Belmiros, Quins
E Adélias, mais eiras.
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Nove dias, nove musas:
Da História é Clio,
E clio é Renault, vi-o.
Não perderás se os usas.
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Fossem todos como nós
No essencial, e mal
Em homem e animal
Acabaria; força, voz!
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Pessoas, vistas, odores,
Barreirinhas, azeitona
Preta, não mui valentona…
Perde-se com os sabores?
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Narciso Eco despreza,
Só dele gosta, nas fontes;
Vamos por vales e montes,
Boa comédia preza!

Saturday, September 29, 2007

NATURALMENTE
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Naturalmente, nos vamos
De quem nos quer fazer mal
Para quem nos quer bem: tal
E qual, se não erramos.
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Naturalmente, os pais
Dos filhos cuidam, amam;
E, filhos pais ajudam:
Jamais podem ser rivais.

Friday, September 28, 2007

==As nove musas=={{Ninfas}}Após a vitória dos deuses do [[Monte OlimpoOlimpo]] sobre os seis filhos de [[Urano]], conhecidos como [[Titã (mitologia)titãs]], foi solicitado a Zeus que se criassem divindades capazes de cantar a vitória e perpetuar a glória dos Olímpicos. Zeus então partilhou o leito com Mnemósine, a deusa da memória, durante nove noites consecutivas e, um ano depois, Mnemósine deu à luz nove filhas em um lugar próximo ao monte Olimpo. Criou-as ali o caçador [[Croto]], que depois da morte foi transportado, pelo [[céu]], até a [[constelação]] de [[Sagitário]]. As musas cantavam o presente, o passado e o futuro, acompanhados pela lira de [[Apolo]], para deleite das divindades do panteão. Eram, originalmente, ninfas dos rios e lagos. Seu culto era originário da [[Trácia]] ou em Pieria, [[região]] a [[leste]] do Olimpo, de cujas encostas escarpadas desciam vários córregos produzindo sons que sugeriam uma música natural, levando a crer que a montanha era habitada por deusas amantes da música. Nos primórdios, eram apenas deusas da música, formando um mavioso coro feminino. Posteriormente, suas funções e atributos se diversificaram.[[image:musas.jpgthumbright250pxMusas dançam com [[Apolo]] ([[Baldassare Peruzzi]])]]* Clio ('''a quem confere fama''') era a musa da História, sendo símbolos seus o [[clarim]] heróico e a [[clepsidra]]. Costumava ser representada sob o aspecto de uma jovem coroada de louros, tendo na mão direita uma trombeta e na esquerda um livro intitulado "Tucídide". Aos seus atributos acrescentam-se ainda o globo terrestre sobre o qual ela descansa, e o tempo que se vê ao seu lado, para mostrar que a história alcança todos os lugares e todas as épocas. * Euterpe ('''a que dá júbilo''') era a musa da poesia lírica e tinha por símbolo a flauta, sua invenção. Ela é uma jovem, que aparece coroada de flores, tocando o instrumento de sua invenção. Ao seu lado estão papéis de música, oboés e outros instrumentos. Por estes atributos, os gregos quiseram exprimir o quanto as letras encantam àqueles que as cultivam. * Tália ('''a festiva''') era a musa da comédia que vestia uma máscara cômica e portava ramos de hera. É mostrada por vezes portando também um cajado de pastor, coroada de hera, calçada de borzeguins e com uma máscara na mão. Muitas de suas estátuas têm um clarim ou porta-voz, instrumentos que serviam para sustentar a voz dos autores na comédia antiga. * Melpômene ('''a cantora''') era a musa da tragédia; usava máscara trágica e folhas de videira. Empunhava a maça de Hércules e era oposto de Tália. O seu aspecto é grave e sério, sempre está ricamente vestida e calçada com coturnos. * Terpsícore ('''a que adora dançar''') era a musa da dança. Também regia o canto coral e portava a cítara ou lira. Apresenta-se coroada de grinaldas, tocando uma lira, ao som da qual dirige a cadência dos seus passos. Alguns autores fazem-na mãe das Sereias. * Érato ('''a que desperta desejo''') era a musa do verso erótico. É uma jovem ninfa coroada de mirto e rosas. Com a mão direita segura uma lira e com a esquerda um arco. Ao seu lado está um pequeno Amor que beija-lhe os pés. [[Image:Eustache Le Sueur 002.jpgthumbright300pxEustache Le Sueur]]* Polímnia ('''a de muitos hinos''') era a musa dos hinos sagrados e da narração de histórias. Costuma ser apresentada em atitude pensativa, com um véu, vestida de branco, em uma atitude de meditação, com o dedo na boca. * Urânia ('''celeste''') era a musa da [[astronomia]], tendo por símbolos um globo celeste e um compasso. Representam-na com um vestido azul-celeste, coroada de estrelas e com ambas as mãos segurando um globo que ela parece medir, ou então tendo ao seu lado uma esfera pousada uma tripeça e muitos instrumentos de matemática. Urânia era a entidade a que os astrônomos/astrólogos pediam inspiração. * Calíope ('''bela voz'''), a primeira entre as irmãs, era a musa da eloqüência. Seus símbolos eram a tabuleta e o buril. É representada sob a aparência de uma jovem de ar majestoso, a fronte cingida de uma coroa de ouro. Está ornada de grinaldas, com uma mão empunha uma trombeta e com a outra, um poema épico. Foi amada por Apolo, com quem teve dois filhos: Himeneu e Iálemo. E também por Eagro, que desposou e de quem teve Orfeu, o célebre cantor da Trácia. Suas moradas, normalmente situadas próximas à fontes e riachos, ficavam na [[Pieria]], [[leste]] do Olimpo (musas pierias), no monte[[Helicon]], na Beocia (musas beocias) e no monte [[Parnaso]] em Delfos (musas délficas). Nesses locais dançavam e cantavam, acompanhadas muitas vezes de Apolo Musagetes (líder das musas - epíteto de Apolo). Elas eram bastante zelosas de sua honra e puniam todos os mortais que ousassem presumir igualdade a elas na arte da música.O coro das musas tornou o seu lugar de nascimento um santuário e um local de danças especiais. Elas também freqüentavam o Monte Hélicon, onde duas fontes, Aganipe e Hipocrene, tinham a virtude de conferir inspiração poética a quem bebesse de suas águas. Ao lado dessas fontes, as Musas faziam gracioso movimentos de uma dança, com seus pés incansáveis, enquanto exibiam a harmonia de suas vozes cristalinas.
PRAZER E DOR
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Como pode o prazer,
O puro prazer, pecado
Ser? Deus não é um coitado!
Deus é o mesmo prazer!
.
E, a dor, é por amor
Que Deus a dá, se não há
Outro modo que se vá
Aprender. Deus é amor!

OBRA PRIMA
.
Para a gripe, vírus,
Não fazer mal a formigas
Mais METAVIR com as migas.
Abandonarás os tiros.
.
Verdade e amor
Vivos, encarnados, prima
Obra é, perfeita rima,
E, também o destemor!
.
Arroz integral e couve,
Shoyu, doce e pão,
Com chá de hipericão,
E mui higiene. Louve!
.
E também o grão de bico,
Com música verdadeira;
Foge da salgadeira,
Isola-te lá no pico.
PÃO INTEGRAL
.
Grandes corpos ou pequenos,
Ou só cinzas, ou só ossos
É igual, e, os nossos
Espíritos, bem serenos,
.
Poderão reencarnar
Ou não logo após morte;
E, não depende da sorte,
Mas de com quem se morar.
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Foge bem da violência,
Da falta de higiene,
Do deficiente gene:
Tem correcta paciência.
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Dois, combinados, passaram
No Metro com mesmo passe:
Tipo: os maiores, cace
Se puder! Não o notaram?
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Insisto: come o pão
Integral, sofrer não faças...
Para que é que tu maças,
E por que és aldrabão?

Thursday, September 27, 2007

FELICIDADE
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O princípio esquece;
Não há tal coisa, eterno
É tudo e tudo terno
Se quer. E, não esmorece.
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O alvo número um
É finar a violência,
Divulgar a convivência,
Muito dissolver o rum.
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Tudo é dual: calor,
Frio; sim, não; alegria,
Dor; parado, correria...
Sê um equilibrador...
.
E, equilibradamente,
Conforme nos for possível,
Procurar o aprazível,
Esquecer arduamente.
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Mestre dá conhecimento;
O aluno o receber
Vai, quando aprender
Que é enriquecimento.
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Suportar, não suportar
Dualidades da vida...
E teremos garantida
A vida de invejar...
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Satisfazer o desejo
Todo que só dá prazer
É fácil, como de ver
É bom: vês como eu vejo?


Inspiração: http://www.linguagemsanscrita.pro.br/cantico_antes.shtml


A ESCRITA

“As crianças, desde cedo, devem perceber que há uma relação muito estreita entre fala e escrita.
A escrita é o esforço cultural e civilizatório do homem de representar, através de sua percepção visual, os sons da fala, da sua expressão oral. A alfabetização não vem apenas do olhar, mas da escuta ativa dos sons da fala.
A boa alfabetização não viria, pois, a rigor, nem se justificaria mesmo, com cartilhas de ABC, mas com a expressão oral: isto é, defendo aqui que a alfabetização escolar se dê inicialmente com os sons da fala, uma alfabetização fonológica, para, em seguida, transformar-se em alfabetização ortográfica.
A fala precede a escrita na vida e na escola, quer queiramos ou não. É um fato lingüístico, mas nem por indução, é lógica para escola e para muitos eduadores.
O segundo ponto que considero importante é a formação para
consciência fonológica e o domínio das habilidades metafonológicas para o desenvolvimento da leitura fluente.
A consciência fonológica vem com o ensino formal e sistemático da correspondência entre letras e fonemas da língua. Existem mais sons da fala do que letras para representa-los, Daí, a correspondência entre letras e fonemas não ser unívoca, mas equívoca.
Por exemplo, o som /a/ é, em boa parte, na escrita, representado pela letra “a”. O som /b/ (leia-se bê) é representado na escrita pela letra b. Mas, a letra “c” pode representar o som /s/ (leia-se sê) ou o som /k/ (leia-se cá), dependendo do ambiente fonológica. Em casa, a letra “c” representa o som /k/, mas em cebola, a letra “c” representa o som /s/. Ora, isso, sim, que precisa ser bem ministrado pelos docentes e não pode ser ensinado, outrossim, por qualquer pessoa, por uma pessoa sem habilitação e, a rigor, é um rigor exclusivo para um pedagog(o)a com formação lingüística ou para um(a) lingüista com formação pedagógica. Quem pretende ser alfabetizador ou alfabetizadora deve conhecer a fonologia da língua materna, especialmente os fonemas consonantais...”

Fonte: http://www.malhatlantica.pt/ecae-cm/VicenteMartins92.htm

MÚSICA
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Fazer sons, brincar com sons...
E teremos audiência
Se não for a violência
Que saia; haja bons sons!
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Não tenhas medo, amiga:
Faz música, assobia,
Trauteia, faz bateria...
Que tudo seja cantiga!
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Mas, sê bem cuidadoso,
Baixa a voz, a voz cala,
Quando vem invejoso,
Ou outro que também fala!


A MÚSICA
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“... O Erro de Dom Afonso Henriques e A Prosódia na Música Portuguesa
Prosódia: "pronúncia regular das palavras em harmonia com a acentuação."in Cândido de Figueiredo, Grande Dicionário da Língua Portuguesa.
Abundam na música portuguesa exemplos em que a letra é atropelada pela música dando origem a erros na métrica do texto. Habituá-mo-nos a cantar e a ouvir "pássaro feridú na asa" e "houve alegria e foguetees no ar" com toda a naturalidade. Claro que isso se deve à importação acrítica de modelos anglo-saxónicos de formas musicais aplicadas à nossa língua, sem ter em conta que o português tem características próprias, que deviam ser postas em evidência em vez de reprimidas.
A maior parte das palavras portuguesas têm uma acentuação na penúltima sílaba, e não na última como seria mais conveniente em música de influência anglo-saxónica. Para além disso, e ao contrário do português do Brasil, onde todas as sílabas têm valor, em Portugal quase que se omitem as sílabas fracas, num efeito parecido com aquilo a que os músicos de Jazz chamam "ghost-note". Isto levanta um desafio maior para quem escreve música vocal no nosso país.
Será que teremos que aceitar estes sucessivos atentados à prosódia nacional com resignação? A resposta tem de ser preocupante uma vez que somos talvez o único país em que duas das mais emblemáticas canções populares, o hino nacional e o "parabéns a você" têm, desse ponto de vista, erros claros: "ó pátria sentee-se a voz" no primeiro caso, e "para o meenino..." no segundo.
Gerações sucessivas de portugueses aprendem estas músicas como se fosse a coisa mais natural do mundo cantar com textos que não encaixam correctamente na música, ou em que somos forçados a dizer o texto incorrectamente sem que ninguém se importe com isso (podemos sempre invocar o facto de que o Alfredo Keil nem português era, triste sina esta!...).
A verdade é que as crianças continuam a aprender músicas com letras a martelo, e a questão é saber por quanto mais tempo.
Vem isto a propósito da nova colecção do jornal Expresso dedicada aos Reis de Portugal. Edição bonita, ilustrada por André Letria, uma leitura pedagógica e divertida para os mais novos. Excepto que, mais uma vez a música é muito mal tratada. Já não me refiro ao facto de a produção musical ser extremamente limitada, com tudo ou quase tudo ser feito em computador, em vez de ter músicos a tocar instrumentos reais. Como habitualmente, dá-se muita importância ao aspecto gráfico e visual, escolhe-se um nome mediático para fazer a narração, e no fim não há orçamento para uma produção musical decente. Não quero com isto dizer que a música não tenha alguma qualidade em termos de composição, mas a produção de facto é muito fraca.
Aliás a letra, isoladamente, também seria possível. O problema é quando se junta essa letra à música. E de facto seria difícil encontrar exemplo mais representativo de má prosódia: em quase todos os versos há um erro. Ou seja a pronúncia não está em harmonia com a acentuação. Neste momento talvez centenas ou mesmo milhares de crianças estejam a aprender aquelas músicas e letras perante o olhar comovido dos pais. Mas será que os pais as ouvem mesmo?
Neste primeiro volume dedicado a Dom Afonso Henriques somos de facto levados a pensar o que teria acontecido caso ele não tivesse feito frente à sua mãe. Ainda estão por estudar as consequências do ponto de vista psicanalítico de um país ter visto a sua origem num matricídio (num sentido figurado, claro), mas isto constitui de facto uma originalidade lusitana.
Talvez não tivéssemos expulsado do território uma civilização brilhante, com grandes poetas e músicos, talvez fôssemos galegos, castelhanos, espanhóis ou mesmo muçulmanos, mas, quem sabe, talvez tratássemos melhor a nossa música vocal.Ou talvez não. Em todo o caso, é feio bater na mãe.
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Friday, April 07, 2006

Pensamento Musical I - Introdução
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(conferência na Universidade Lusíada, curso de Arquitectura, Fevereiro de 2003)
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Falar de música para não-músicos é um desafio em que a essência das coisas tem de ser apurada, em vez do conforto da discussão de especificidades técnicas, que só a músicos interessam. Passamos tanto tempo a decifrar e analisar o detalhe e a complexidade da construção musical, que corremos o risco de nos esquecermos do que é afinal mais importante: os aspectos psicológicos, emocionais, artísticos, e até sociais que fazem com que a música esteja tão presente nas nossas vidas.
A música atravessa uma fase interessante. Nunca na história houve tanta divulgação e sucesso comercial como hoje. Nunca houve tantas pessoas a ouvir e a consumir música. Nunca houve tantos músicos, profissionais e amadores. E no entanto, nunca foi tão desvalorizada, nem a consciência da sua importância foi tão apagada como agora. Ouvimos música em restaurantes, cafés, e até bombas de gasolina, mas não existem discussões sérias em roda da música, da sua estética, da sua educação. Tornámo-nos indiferentes à música. Há quantos anos não se verifica um escândalo na estreia de uma peça? A música teve outra relevância noutros tempos, ocupando um lugar central no pensamento, na política, religião, e até na ciência. Música utilizada para formar guerreiros na antiguidade. Compositores da Idade Média queimados na fogueira por usarem dissonâncias que representavam o diabo nas suas peças. Bach quase que foi preso por causa de um improviso entusiasmado ao orgão num hino que confundiu a congregação que o cantava. Na estreia da Sagração da Primavera em Paris, Stravinsky teve que gritar dos bastidores para o palco os números de ensaio para os bailarinos, porque estes não conseguiam ouvir a orquestra devido aos distúrbios na plateia, que acabaram em pancadaria.
Hoje em dia, a música tornou-se num fenómeno rodeado de indiferença. E no entanto, a relação da humanidade com a música tem uma história gloriosa, em que o pensamento e a prática musicais andaram de mãos dadas desde o início.
O pensamento musical começa com o próprio pensamento. A cultura europeia sempre teve uma enorme atracção pela antiguidade clássica. Com a música não foi diferente. Ao longo da Idade Média, os autores gregos e romanos foram fonte de sabedoria e inspiração para os criadores nas várias áreas. Mas enquanto que na filosofia, literatura, arquitectura e belas artes os exemplos existiam e podiam ser estudados (através de estátuas e monumentos, por exemplo), na música não existia uma única peça ou fragmento sobrevivente. Para os que acreditam que a história da música começa verdadeiramente com a notação musical, essa história começa apenas no século VIII, em plena idade média.
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Pensamento Musical II - Os Poderes Mágicos da Música
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A relação da música com as outras artes remonta aos primórdios do pensamento humano. Apolo, um dos mais belos e gloriosos de todos os antigos deuses, era deus do sol, da medicina, da música, da poesia, e das belas artes. Com qualidades musicais reconhecidas, era o maestro do coro das 9 musas (era também conhecido como Musageta). As Musas reuniam-se no Monte Parnasso para debaterem questões de poesia, ciência e música. Cada uma tinha um pelouro diferente: Clio, musa da história; Euterpe, música; Thalia, poesia pastoral; Melpomene, tragédia; Terpsichore, dança; Erato, poesia lírica; Polyhymnia (retórica), que usava um ceptro para mostrar o poder irresistível da eloquência; Calíope, poesia heróica; e Urânia, musa da astronomia.Apolo era ele próprio um ideal de beleza, representado como um extraordinário jovem imberbe, vestindo pouco mais que uma coroa de louros (em homenagem ao seu amor por Dafne, transformada em loureiro), e uma lira.
Apolo apaixonou-se por Calíope, e desse amor nasceu Orfeu, cujos talentos musicais são conhecidos. Com a sua lira conseguiu acalmar os demónios do Hades e quase trazer Eurídice de regresso do mundo dos mortos, não fosse a sua distracção fatal no último momento. Quando morre, despedaçado pelas bacantes por ter tocado música triste, os deuses colocam a sua lira no céu, onde se transforma em constelação.
Outro exemplo famoso é o de Amphion, filho de Júpiter e Antíope. Quando se torna rei de Tebas, quer fortificar a sua cidade construindo uma muralha à sua volta. O seu talento musical era de tal forma que, ao cantar, as pedras se deslocavam ao ritmo da voz, marchando para as suas posições na fortificação. Talvez seja a mais antiga referência escrita à importância do ritmo como elemento primordial da música.Nada representa melhor o sublimar do processo de criação musical do que o episódio de Eco, que, devido ao seu amor não correspondido por Narciso, se enche de melancolia e tristeza, e desaparece gradualmente, num autêntico liebestod clássico, até ficar só a sua voz, a entoar um melodioso lamento, perdida em locais solitários para sempre.Para os hebreus, a música também tinha poderes mágicos. David, músico, maestro e poeta brilhante (para além de ser provavelmente o primeiro produtor musical), cura as depressões de Saúl tocando a sua harpa (1 Samuel 16: 14-23). Também famoso é o episódio em que o som de 7 trompetes, misturado com os gritos dos israelitas, destrói as paredes de Jericó (Josué 6: 12-20), num dos primeiros confrontos registados entre música e arquitectura, em que a primeira leva nitidamente a melhor.
O Antigo Testamento refere igualmente o Lamento, ou Cântico do Arco, em que os guerreiros se treinam a atirar com o arco com a cadência do ritmo de um poema, um canto fúnebre de David sobre a morte de Saúl e seu filho Jónatas (2 Samuel 1: 17).Desde os seus primórdios que a música esteve ligada à prática religiosa. Apolo aparece com uma lira, Dionísio (Baco) com um aulo (instrumento de palheta dupla, precursor do moderno oboé). Esses instrumentos eram tocados a solo ou a acompanhar a recitação de poemas épicos. A utilização de coros e secções instrumentais nas tragédias de Ésquilo, Sófocles e Eurípides deriva do culto a Dionísio com o referido aulo.
A partir do século VI a.c. desenvolvem-se festivais e competições de música vocal e instrumental com enorme sucesso. Cedo apareceram músicos profissionais, e a sua proliferação e virtuosismo crescente, levou a um maior grau de complexidade na música.Aristóteles, no seu livro Política, alerta para o perigo de, na educação musical se dar demasiada importância aos aspectos técnicos, para evitar os excessos característicos dos profissionais, tão em voga. Excessos esses apreciados, segundo ele, por crianças, escravos, e até animais! Para Aristóteles, a educação deveria estimular o gosto e a fruição de melodias e ritmos nobres, e evitar a superficialidade da técnica pela técnica. Trata-se assim do primeiro exemplo de maneirismo musical. No fim do período clássico (entre 450 e 325 a.c.) dá-se uma reacção contra essas complexidades, levando a uma simplificação do estilo, à semelhança do que mais tarde se passaria na transição da Renascença para o Barroco, e do Barroco tardio para o Clássico do século XVIII. O início da era cristã assiste assim a uma prática musical menos elaborada.Para termos uma ideia de como soava a música desta altura, temos 2 exemplos musicais: um fragmento de um coro de Orestes, de Eurípides (de ca. 200 a.c.), e o famoso Epitáfio de Seikilos, uma "canção de beber" (Skolion), inscrito numa pedra tumular (século II a.c.). A associação da música com os estímulos sensoriais (sobretudo com o vinho) é antiga, e inúmeros músicos e compositores se esforçaram, nalguns casos com grande êxito, a preservar essa tradição.
Se a música da Idade Média não foi muito influenciada pela música da antiguidade, o pensamento musical foi, e bastante. Os textos incidem sobre dois aspectos essenciais: a filosofia (a sua natureza), e a ciência da música. O fundador da teoria musical grega, Pitágoras (ca. 500 a.c.) não fazia distinções entre música e a ciência dos números, que, segundo ele, regulava todos os aspectos do universo espiritual e material. Da mesma forma, a organização dos sons, obedecendo a leis matemáticas, demonstra a harmonia do cosmos. Platão desenvolve estas e outras ideias nos diálogos Timeu e Républica. Dentro deste quadro de harmonia universal, é natural a associação da música com a astronomia. Ptolomeu (século II d.c.) acreditava que certas escalas, modos e notas estavam associados a certos planetas, e seus movimentos. Claro que esta ideia deriva do mito da "música das esferas" de Platão, aquela música silenciosa produzida pelo movimento dos planetas.
Boécio (século VI) conta o episódio em que Pitágoras descobre as leis físicas das consonâncias, ao passar perto de uma oficina de ferreiros. Ao ouvir os sons dos martelos a bater, aproxima-se e após alguma investigação descobre que os sons produzidos dependem do peso do martelo. Descobre igualmente que os ratios dos pesos de dois martelos correspondem às procuradas consonâncias naturais: 1/2 para a oitava, 2/3 para a quinta, 3/4 para a quarta, etc. Esta é uma das leis fundamentais da acústica, facilmente verificável com uma corda vibrante, e o comprimento de corda que vibra.Para os gregos, música e poesia eram praticamente sinónimos. Para Platão, melos era uma combinação de discurso, ritmo e harmonia. O termo "poesia lírica" designa poesia para cantar ao som da lira. Aristóteles define poesia como tendo melodia, ritmo e linguagem, e refere que "existe outra arte que utiliza só a linguagem, em prosa ou em verso" (Poética, 1.1447a-b). Ou seja, não existia um termo para declamação de poesia sem música.
Para além disso, os pensadores gregos acreditavam que a música tinha qualidades morais, e podia influenciar o comportamento e o carácter dos seus praticantes e ouvintes. Aristóteles, com a sua teoria da imitação, em que a música imita, isto é, representa os estados de alma (doçura, raiva, coragem, etc.) defende que o sentimento imitado é transposto para o ouvinte. Música que imita violência gera sentimentos violentos em quem a ouve. Daí a necessidade de ouvir a música "correcta" para desenvolver o carácter.
Para Platão e Aristóteles, uma educação correcta deve contemplar, em doses equivalentes, música para disciplinar a mente e ginástica para disciplinar o corpo. Na Républica (ca. 380 a.c.), Platão defende que as duas vertentes devem estar equilibradas. Música a mais torna as pessoas neuróticas, e ginástica a mais violentas e ignorantes. Ora aì está um estudo por fazer nos relatórios sobre educação: o ratio de frequentadores de ginásios e praticantes de música. Outro: dentre as vítimas de neuroses, quantas estudam música? Mas Platão vai mais longe. Ele recomenda que os que forem treinados para governar devem evitar melodias que exprimam moleza e indolência. Em vez disso aconselha os modos Frígio e Dórico, que inspiram coragem e determinação. Acima de tudo, as convenções devem ser respeitadas. Uma coisa é certa: a falta de leis na arte e educação leva à anarquia na sociedade. Nas Leis, Platão refere a conhecida máxima "Deixem-me fazer as canções de uma nação, e não me importa quem faz as suas leis", trocadilho com a palavra nomos, que significa lei, mas também designa a estrutura melódica de uma peça.
Já Aristóteles admite que a música possa ser utilizada para diversão, prazer intelectual, para além da educação. Tudo isto dentro de certos limites. Por isso as primeiras constituições de Atenas e Sparta regulavam a utilização da música. Não mais que um precedente muitas vezes repetido ao longo da história, incluindo os nossos dias.Para os romanos a música era igualmente importante. Cícero e Quintiliano deixaram bem claro que as pessoas cultas tinham obrigatoriamente de ter educação musical. De entre os numerosos imperadores que apoiavam a música, Nero destaca-se em notoriedade, por ter sérias aspirações nessa área, e por outras razões menos honrosas. Curiosamente, sabemos mais sobre música grega do que sobre música romana, da qual não sobreviveu nenhum fragmento. Este facto explica-se em parte pelo esforço deliberado de eliminar todos os vestígios da cultura pagã levado a cabo pelos primeiros séculos do domínio cristão.
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Pensamento Musical III - Música Para Servir Deus
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Em 312 d.c . o Imperador Constantino converte-se ao Cristianismo, dando início a mais de 10 séculos de domínio absoluto da cultura europeia, incluindo a prática musical. Com efeito, à medida que o Império se desmoronava, a Igreja consolidava o seu poder, tornando-se na principal força unificadora da Europa. Vários Papas tentaram uniformizar as numerosas liturgias locais, e a música não fugiu a essa normalização. O Papa Gregório II (715-31) teve particular importância nesse processo, ao reorganizar o repertório litúrgico, dando origem ao que mais tarde veio a ser conhecido por canto gregoriano.Vários pensadores, conhecidos como os Padres da Igreja, deixaram testemunhos sobre a importância da música, influenciando a sua prática durante os séculos seguintes. São João Crisóstomo, São Basílio, Santo Ambrósio, Santo Agostinho e São Jerónimo acreditavam que o poder da música residia na capacidade de inspirar pensamentos divinos, para além de influenciar, para o bem e para o mal, a personalidade do ouvinte. Santo Ambrósio orgulha-se de usar a música para cativar fiéis. "Alguns dizem que já seduzi pessoas [para a fé] com as melodias dos meus hinos. Não o nego."Mas mais importante era a necessidade de evitar o prazer da música só pelo prazer. A música devia servir apenas a religião, e nada mais. O próprio Santo Agostinho, num texto famoso, confessa-nos amargamente que cedeu ao pecado de se deixar comover pelo canto em vez do que era cantado:
"Quando recordo as lágrimas que derramei na psalmodia da Tua igreja, quando recuperei a minha fé, e como mesmo agora me deixo comover não pelo canto mas por aquilo que é cantado, quando é cantado por uma voz clara e uma melodia conveniente, então compreendo a grande utilidade deste costume. Por isso hesito entre prazer perigoso e plenitude provada, embora me sinta inclinado a aprovar a utilização do canto na igreja (apesar de não ter em relação a esse assunto uma opinião irredutível), para que as mentes mais fracas possam ser estimuladas para pensamentos devotos pelo deleite auditivo. Mas quando me comovo mais pelo canto do que pelo que é cantado, confesso ter pecado gravemente, e então lamento ter ouvido o canto. Vê o estado em que me encontro! Chora comigo, e chora por mim, tu que controlas os teus sentimentos mais íntimos da melhor forma. Para aqueles de vós que não reagem desta maneira, este problema não é vosso. Mas Tu, Senhor meu Deus, ouve, tem piedade de mim, e cura-me-Tu em cuja imagem me tornei um problema para mim próprio; e esta é a minha fraqueza."Santo Agostinho, Confissões 10:33
No seu tratado De Musica (começado em 387 d.c.), defende as 3 principais características da música: claritas, integritas, veritas, qualidades que têm faltado a muitas peças ao longo dos tempos, incluindo o nosso.
A maior autoridade em música na Idade Média foi sem dúvida Boécio (ca. 480-524). No seu tratado De Institutione Musica, recupera ideias de teoria musical e filosofia da Grécia antiga. Para ele, a música divide-se em 3 tipos: musica mundana, ou cósmica, que regula as relações numéricas do movimento dos planetas e dos elementos; musica humana, que controla a união do corpo e da alma; e musica instrumentalis, ou música produzida por instrumentos (incluindo a voz humana), que deve reflectir a mesma ordem cósmica.
A imagem do Cosmos resultante das discussões de musica mundana e musica humana inluenciaram, entre outros, a estrutura do Paraíso na Divina Comédia de Dante. A doutrina da musica humana sobreviveu durante séculos, podemos dizer aliás até aos nossos dias: Boécio não deixaria de ter orgulho, mas também alguma estupefacção, ao ler a secção de astrologia nos jornais diários. Curiosamente, para Boécio, musica instrumentalis (a música tal como a conhecemos hoje) era a categoria menos importante das três. Música era, acima de tudo, a disciplina e compreensão dos fenómenos a ela associados, e não necessariamente a sua prática.
Tal como diz Donald Jay Grout, os cânticos da Igreja Romana são um dos maiores tesouros da civilização ocidental. Tal como a arquitectura românica, são monumentos à fé religiosa, e personificam o sentido comunitário e sensibilidade estética dessa época. Foram a fonte e inspiração da esmagadora maioria da música erudita na Europa até ao século XVI. Só recentemente foram abandonados, sobretudo a seguir ao Concílio Vaticano II (1962-65), em que o latim foi substituído pelo vernáculo local nos serviços da Igreja Católica.
A relação da música ocidental com a Igreja Cristã continuará nos séculos seguintes, atingindo o apogeu com um dos maiores génios de sempre: Johann Sebastian Bach. Bach escrevia no final das suas partituras as 3 letras SDG (Solo Deo Gloria). E no início: JJ (Jesu Juva).
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Pensamento Musical IV - A Música Como Abstracção (1)
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Polifonia VS. Harmonia
Um frade do século XI, Guido de Arezzo, teve uma importância extraordinária no desenvolvimento da música quando, para ajudar os seus alunos de canto, decide designar cada nota musical por uma sílaba: ut, re, mi, fa, sol, la. Estas sílabas derivam de um texto para o qual ele compôs música para ilustrar o padrão de tons e meios tons que caracterizam a moderna escala maior.
Ut queant laxis
resonare fibris
Mira gestorum
famuli tuorum,
Solve polluti
Labii reatum, Sancte Joannes.
[Para que os teus servos possam livremente cantar as maravilhas dos teus feitos, limpa as nódoas de culpa dos seus sujos lábios, oh São João.]
Tal como Guido, vejo a necessidade desta oração antes das aulas de solfejo, apesar de alguns alunos insistirem em pôr à prova a sua utilidade.
Mas as contribuições para a pedagogia de Guido não se ficaram por aqui. Para aprenderem melhor os intervalos que as várias notas produzem, os seus seguidores utilizavam a "mão de Guido": o professor aponta com o indicador da mão direita os nós da mão esquerda aberta, onde cada nó representa uma das 20 notas do sistema musical de Guido, baseado em hexacordes. Uma nota que não pertencesse ao sistema era considerada "fora da mão".
Mas o século XI vê surgir, para além das inovações de Guido, dois fenómenos de primordial importância no desenvolvimento da Música: notação musical e polifonia. Polifonia designa música em que várias vozes se combinam não em uníssono, mas em partes diferentes. Após as primeiras tentativas improvisadas, foi possível sistematizar a maior complexidade resultante através da notação musical recentemente desenvolvida, permitindo a repetição e aperfeiçoamento das execuções. Este desenvolvimento da polifonia tem um suporte histórico, não sem alguma ironia, pois a mesma Igreja Cristã onde ele tem lugar se divide em duas, quando o Patriarca de Constantinopla é excomungado pelo Papa em 1054. Uma das primeiras referências à prática da polifonia, que Guido conhecia bem, aparece num tratado anónimo do século IX conhecido por Musica Enchiriadis (Manual de Música), com a descrição do conceito de diafonia (2 vozes), ou organum.
Com a polifonia a música ocidental conhece um fenónemo único, e que estará na base de algumas das maiores realizações artísticas da humanidade. O seu desenvolvimento é considerado por alguns como a fase mais decisiva da história da música ocidental.A partir desta altura, a música ocidental vai alternar momentos em que o estilo dominante é muito marcado pelo contraponto, enquanto que noutros, será a harmonia a dominar. Há essencialmente 3 momentos na história em que o contraponto chega a níveis de complexidade e sofisticação muito elevados, tendo sido rejeitados pelas gerações que se lhes seguiram: final do Renascimento com Palestrina; final do Barroco com Johann Sebastian Bach; e início do século XX com Arnold Schoenberg. A seguir a estas fases, a música homofónica (baseada em harmonia) destronou o contraponto e a polifonia, que por sua vez se desenvolveram novamente num contexto diferente.Mas para além da questão do estilo musical, a discussão em roda da polifonia assenta em ideias mais profundas, a saber, se a polifonia deriva, ou não, das leis naturais, tal como, supostamente, a harmonia, ou se é apenas uma construção intelectual para deleite da mente.
Críticas à polifonia existiram desde cedo. Bernardo Cirillo, um padre do século XVI, queixava-se em 1549, do rumo que a música tinha tomado:
"Sabes quanto a música era apreciada pelos antigos como a mais nobre das artes. Com ela produziam grandes efeitos que hoje não conseguimos igualar, seja com retórica ou oratória, controlando as afecções [emoções] da alma [...]. Vejo e oiço a música de hoje, que é suposto ter chegado a níveis de refinamento e perfeição sem precedentes. No entanto não vejo vestígios de nenhum dos modos antigos...Kyrie Eleison significa "Senhor tende piedade de nós". Um músico antigo teria expressado o seu pedido de perdão no modo mixolídio, o que teria comovido qualquer disposição mais emperdenida, senão às lágrimas, pelo menos até uma afecção piedosa [...]. Hoje tudo é cantado em promiscuidade e de forma incerta [...]. Gostaria que a música consistisse de certas harmonias e ritmos aptos a inspirar os nossos sentimentos para a religião e piedade, de acordo com o significado das palavras. Hoje os esforços vão no sentido de fazer uma peça em fuga estricta, de forma que quando um diz "Sanctus" outro pronuncia "Sabath", enquanto que um terceiro canta "Gloria Tua", com certos efeitos que mais parecem gatos em Janeiro [...]."
Bernardino Cirillo, carta de 1549 a Ugolino Gualteruzzi
Lettere Volgari di Diversi Nobilissimi Huomini, ed. Aldo Manuzio, Vol. 3 (Veneza,
1564)Entre 1545 e 1563, a Igreja Romana reuniu-se intermitentemente em Trento, no norte de Itália, para discutir a Reforma, e sobretudo para tentar corrigir alguns dos excessos que estiveram na sua base, ou seja as 95 teses de Martim Lutero em Wittenberg. Com este Concílio organizou-se a Contra-Reforma, onde também se discutiu, como não podia deixar de ser, o papel da música na Igreja. Mais uma vez a polifonia era criticada: tornava-se impossível compreender as palavras, que eram, afinal, mais importantes. Havia quem defendesse que a música deveria ser banida da Igreja. No entanto, a deliberação final do Concílio sobre esse assunto é muito geral..."

Fonte: http://musicanasesferas.blogspot.com/

Wednesday, September 26, 2007

REALIDADE
.
A morte não é real,
Nunca desaparecemos
Totalmente, e, seremos
Cinza, terra natural,
.
Como o somos agora;
Mas, somos do todo parte,
Somos grandes, somos arte…
E eternos, não da hora!
.
Até somos gloriosos,
De Deus parte fazemos,
E, gozo geral queremos:
Mal faz todos ruinosos!
.
E não tenhas ilusões:
Nunca terás verdadeiro
Gozo com mal: justiceiro
Não deixa, não há perdões.


O medo de morrer não faz qualquer sentido, porque a morte não existe, já que nunca desaparecemos totalmente. Verdadeiramente, não é só depois de morrermos que nos transformamos num punhado de cinzas: já somos esse punhado de cinzas agora. Por outro lado, fazemos parte de um todo, e, de todos, no qual somos grandes e gloriosos. Mesmo de Deus e do diabo somos parte, como não podia deixar de ser. Consequentemente, a tudo\todos os seres influenciamos e por todos/tudo somos influenciados. Logo, atrair boas influências e afastar as más é fundamental. Um equilibrado, uma verdadeira, um sábio, uma justa, um não abusador, uma que faz felicidade verdadeira são sempre boas influências. Pelo contrário, uma comilona, um beberrão, uma fumadora, um enganador, uma ignorante, um justo, uma desequilibrada, um que faz sofrer injustamente são sempre más influências.
Fazer-nos e a todos os demais seres felizes é o grande objectivo da existência, da vida. É uma grande estupidez pensar que se pode ser feliz à custa da dor de outro ser. Poder-se-á talvez sê-lo durante uns momentos, mas, o sofrimento a receber será sempre maior.
Por outro lado, temos de saber quem fomos no passado e quem seremos no futuro.

Tuesday, September 25, 2007

WWW.MONTARGIL.COM
FAZER DINHEIRO
.
O gigante e o pigmeu,
Grande sorte, terminação;
Tudo é meu, tudo teu:
Há sempre combinação.
.
Qualidade do serviço,
Organização, amor
Pelo cliente, e, isso
Irá bem, com protector.
.
Nem vimos a este mundo
Sós, nem vamos dele sós:
Uma pequena flor, fundo
Sem fim, isso somos nós.
DAR E RECEBER

O que quer receber mais
Do que aquilo que dá,
Só repreensões reais
Pode levar, coisa má.
.
Oliveiras com hormonas,
Pesticidas e que mais,
Só poderão azeitonas
Doentes dar, animais.
.
Mas, gémea é mui grande,
Indestrutível, amiga:
E, como sobreiro lande
Dá, ela vê inimiga.

Monday, September 24, 2007

FIBRA!
.
Lixo não pode ficar
Mui tempo nos intestinos:
Há portanto que tragar
Fibras de: couve, citrinos,
.
Cenouras, maçãs, aveia,
Pão de trigo integral,
Ao almoço e à ceia,
Este é novo Graal.
.
Fibras são fundamentais,
Já que ácidos arrastam:
Dão mais vida aos mortais,
Aos que na mesa as gastam.
.
Menos ácidos são menos
Micélios, isto é:
Bastante menos venenos,
Como colesterol, é.
.
E, menos colesterol,
Menos hipertensão
E enfartes; há controle
De cancro: tudo mais são.

Sunday, September 23, 2007

ANTA DO MATANGA
.
Quase destruíram anta:
Estúpida ignorância!
E só já há uma “manta”,
Isto tudo por ganância.
.
Foi um verdadeiro rancho,
Só faltou a concertina:
Há quem seja torto gancho,
Mas há sempre quem atina.
.
Sinalizamos e não:
Preservamos descoberta;
Com não à violação,
Bem fechamos a aberta.
.
Há evolução e classes,
Involução e matanga;
E, por onde quer que passes,
Vai de “smoking” e de tanga!
.
Matanga e matagal:
Do nascente traz o sol
Matanga p’ ra Portugal:
Gente dura, gente mole.
.
Estevas e tira sebo,
Boa horta, vigiada;
Numa rica fonte bebo,
Como amora molhada!

Friday, September 21, 2007

CHEIROS
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Com mente controlada,
Verdade é encontrada,
Caca não é ignorada,
Glória é alcançada!
.
Alvo: com gananciosos
Acabar, ou invejosos,
Ou então com medrosos.
Fazer só maravilhosos!
.
Alvo: o conhecimento
Espalhar, e, com cimento
O fixar. Ir com o vento,
Ter dos deuses alimento!
.
Com terceiro olho ver
Tudo, e, ouvir e ler…
Cambada vencer, vencer..
E, um pequeno deus ser!
.
E línguas aprender,
E aos números render
Homenagem; não querer
Ver mais, mas isto bem ver.
.
Fazer música, tocar,
E concertina levar;
Com muitas bolhas de ar,
Consciente respirar.
.
Trovoada libertou,
De certeza que eu vou,
De certeza que estou,
E isto já acabou!
.
Cheiro de relva cortada,
Ou de seara segada,
Ou de mulher (re)catada,
Ou da rosa perfumada!!

Thursday, September 20, 2007

SHIV(b)A
.
A comida segue curso Seu...
fezes expulsas são;
Alimentado, o urso Não
brama, evolução!
.
Cria, preserva, destrói...
Não é criado, não morre...
É Deus, e, nada lhe dói;
Tudo conhece, não corre.
.
É a mente controlada
Perfeitamente; consorte
Que lhe está mui colada:
Não toques – divino porte!
.
Sem água não há vida;
Leva a água suja
Para a ETAR; assim lida,
Para que ela não fuja!




ESPIRAL
.
Doce melodia, flauta
Mágica... lento moer,
Saltos e seios, e, lauta
Refeição. Sem o sofrer!
.
Acordeon, sobremesa
Doce, cuidado com sal...
Andes e caneta tesa,
Experimenta se vale.
.
Vale, sim senhor;
E quase tudo mistura
Para que não haja dor;
E só razão não atura!
.
Longe, não esquece fezes
Nem trabalhar, nem brincar...
Para que tu o não leses,
E em avatar ficar.
.
Ponto final. Tu uniste,
Tu separas e tu bebes...
Médico tu já o viste:
Salta e não salta sebes.

Tuesday, September 18, 2007

CALAR
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Será melhor o calar?
De facto, se poderoso
O liberta, só amar
Nos resta, ao criminoso!

Monday, September 17, 2007

SESMARIAS
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Sesmarias são assim:
Não é teu se tu não tratas;
Digo: quanto a mim,
Assim acabam piratas!
.
Sesmarias assim são:
Será teu, se tu cultivas:
Terás dinheiro e pão,
Com justo preço e ivas.
.
Assim são as sesmarias:
Com o retorno às terras,
Mendigo, mendigarias?
Mas, às gentes te aferras!

AVERSÕES
.
E aversões, para quê,
Se até as mal cheirosas
Fezes são para que dê
Tudo bem? Mas ruinosas
.
São as podres, estragadas,
E, há que deitá-las fora,
Não podem nunca ser tragadas,
Não p’ró vizinho, na hora.
.
E vão ser purificadas,
Dissolvidas, p’ra voltarem
A ser reunificadas,
Em fezes não se tornarem
.
" FIBRAS NATURAIS (A sua importância nas doenças cardio-vasculares)
.
As fibras naturais já são bem conhecidas pelo seu papel nas prisões de ventre, na prevenção dos cancros intestinais e na perda de peso. Mas é menos conhecida a sua eficácia no combate à hipertensão, colesterol, aterosclerose, AVC’s e enfartes do miocárdio.
Progresso e efeitos colaterais...
Há 100 anos atrás, o regime alimentar-tipo continha uma quantidade sufciente de fibras alimentares. O pão, que era sobretudo feito à base de farinha de trigo integral, continha farelo, que é parte fibrosa externa do grão de trigo.
Na mesma época, as doenças coronárias e a hipertensão eram raras. Poucas pessoas sofriam de apendicites, de diverticuloses, de cancros do intestino grosso, de obstipação, de hemorróidas, de diabetes ou de obesidade.
Depois, durante o último quarto do séc. XIX, a indústria agro-alimentar destacou-se por duas descobertas, aclamadas como importantes progressos tecnológicos.
A primeira foi a invenção de cilindros de grande velocidade para moer a farinha. A partir de então, era possível produzir farinha de trigo fina, que tinha um sabor melhor (?) do que a maior parte das farinhas de trigo integral e que era menos susceptível de se deteriorar.
O segundo avanço foi o desenvolvimento da indústria de conserva. No entanto, o processo de conservação reduzia grandemente o teor em fibras dos alimentos.
Como estas duas alterações se produziram ao longo de vários anos, ninguém notava que qualquer coisa estava mal. Mas, no séc. XX, os cientistas começaram a perder-se em conjecturas perante o elevado crescimento de certas taxas de mortalidade e de obesidade.
No decorrer dos anos 40 e 50, um cirurgião britânico, o Dr. Denis Burkit, observou que nunca tinah visto casos de doenças diverticulares ou de cancros do cólon entre os elementos de certas tribos rurais da África Oriental, depois de autopsiados.
Investigações mais profundas revelaram que a obesidade, a apendicite, os ataques cardíacos, a obstipação e as hemorróidas eram igualmente raras na região.
O Dr. Burkitt emitiu então a hipótese de que a base do problema residia na quantidade de fibras na alimentação. Ele e outros médicos procuraram saber o que acontecia à stribos que migravam para as grandes cidades africanas e adiptavam uma alimentação pobre em fibras.
Os resultados da investigação vieram confirmar a sua hipótese: ao adoptarem uma alimentação desprovida de farelo e outras fibras, inúmeros africanos tornavam-se obesos e desenvolviam todos os outros tipos de doenças próprias da civilização ocidental. O Dr. Burkitt estabeleceu igualmente uma relação entre a hipertensão e a falta de fibras no regime alimentar.
A investigação confirma
Mais recentemente, os investigadores demonstraram que uma alimentação rica em fibras podia reduzir de forma drástica os riscos de hipertensão.
Um dos estudos mais significativos para este efeito recaiu sobre mais de 30. 000 homens e visava determinar de que maneira as fibras alimentares influenciavam a tensão arterial. Os resultados são bem significativos: se comer menos de 12 g de fibras por dia, aumentará em 60% os riscos de desenvolvimento de hipertensão, comparativamente aos das pessoas que comem 12 g ou mais.
Este estudo, a par de muitos outros, sublinha portanto a importância primordial de incluir fibras na alimentação regular.
Dois tipos de fibras
A maior parte das pessoas tem tendência para agrupar todas as fibras numa única categoria. Os investigadores são porém mais minuciosos. Eles dividem aquilo a que nós chamamos simplesmente as fibras em dois grupos:
as fibras solúveis
as fibras insolúveis
Estes dois tipos de fibras provêm de certas partes das plantas. Pode tratar-se de sementes, de cereais, de legumes ou de frutos, que o organismo não consegue digerir porque os enzimas do aparelho digestivo não as conseguem decompor (os alimentos animais não contêm fibras).
No entanto, certos alimentos contêm os dois tipos de fibras, embora a maior parte contenha mais fibras solúveis do que insolúveis. De qualquer modo... é importante consumir-se os dois tipos de fibras.
Fontes naturais de fibras insolúveis: bananas, bróculos, arroz integral, couve de bruxelas, couve-flor, milho, lentilhas, massas, batatas, espinafres, cereais de farelo de trigo, gérmen de trigo, pão de trigo integral, bolachas de trigo integral..
Fontes naturais de fibras solúveis: maçãs, damascos, cevada, bagas, couve, cenouras, aipo, grão de bico, toranjas, nectarinas, farelo de aveia, flocos de aveia, laranjas, pêssegos, ervilhas, feijões, batata doce, nabos, courgetes...
As fibras insolúveis:
... Não se dissolvem na água. Elas ajudam, entre outras coisas, a prevenir a obstipação. Mas, quando em grande quantidade, podem agravar os sintomas de diarreia. As fibras insolúveis atravessam o aparelho digestivo e mantêm praticamente a mesma consistência que no momento em que foram ingeridas.
Uma vez nos intestinos, as fibras insolúveis reduzem consideravelmente o tempo durante qual os alimentos se mantêm no aparelho digestivo. O que provoca igualmente uma redução nos efeitos nefastos desencadeados pelos resíduos que se alojam demasiado tempo nos intestinos. É uma das razões pelas quais os investigadores crêem que as fibras insolúveis ajudam a prevenir o cancro do cólon.
As fibras solúveis:
As fibras solúveis têm a propriedade de se dissolverem na água. Ajudam a reduzir as taxas de substâncias gordas e de colesterol no sangue. Ao entrarem nos intestinos, as fibras solúveis impregnam-se de água e, literalmente, incham.
Foi demonstrado que as fibras alimentares se ligam aos ácidos biliares para serem evacuadass do aparelho digestivo (lembremos que o fígado produz ácidos biliares a fim de facilitar a digestão. Ora, a evacuação dos ácidos ajuda a retardar a formação de micélios, indispensáveis à absorção do colesterol e dos outros lípidos.
Menos micélios significa portanto menos colesterol e consequentemente também menos açúcares digeridos que podem passar para o sangue.
As fibras solúveis contribuem para nos manter de boa saúde, reduzindo a quantidade total de colesterol que circula no sangue e, mais particularmente, o colesterol LDL ou o "mau colesterol". Deste modo, reduzem os riscos de hipertensão, de aterosclerose, de doenças coronárias ou de acidente vascular cerebral (AVC).
Assim, no âmbito de um estudo, um grupo de 20 homens cujas taxas de colesterol eram superiores a 260, foram submetidos a um regime diário compreendo 17 g de fibras, acrescentando-se assim ao regime destes homens produtos á base de aveia e de feijão (com efeito, isto equivale a uma porção de cereais quentes com farelo de aveia e a cinco biscoitos com farelo de aveia por dia ou várias porções de feijão cozido ou de sopas á base de feijão).
Após somente três semanas de uma dieta rica em fibras solúveis, os pacientes constataram que a sua taxa de "mau" colesterol (LDL) baixava, em média, 24%.
Por outro lado, elas ajudam igualmente os diabéticos a regularizar as taxas de glicémia e, por esse motivo, a fazer baixar as suas necessidades em insulina.
Contudo, para além de uma descrição geral do efeito que as fibras solúveis exercem sobre os ácidos biliares, os investigadores não conseguiram ainda explicar ao certo porque é que estas fibras são benéficas...
... É razoável esperar uma redução de 10 a 20% no colesterol ao consumir em cada dia uma quantidade moderada de fibras solúveis.
Indicações e prevenções das fibras:
Insolúveis – prisão de ventre, cancro do cólon, cancros do inetstino, perda de peso...
Solúveis – colesterol, hipertensão, aterosclerose, obesidade, enfartes e AVC’s, diabetes..."
Fonte: Espiral – Centro de Alternativas, Praça Ilha do Faial, 14-A/B e 13 –C – Lisboa – Tel. 213663990 – ALIMENTAÇÃO – Nº 197 – Jan/Fev 07

Sunday, September 16, 2007



DAMIÃO DE GÓIS
. Damião de Góis, cronista
De D. Manuel Primeiro,
Renascentista, de vista
Larga, e, pouco misseiro,

.
Feitor, não adulador,
Da protestante reforma
Adepto… Inquisidor
Mesquinho, vil, pôs na forma.

.
Mas, não só inquisidor:
Também genro invejoso,
Muito esclarecedor,
Foi denunciante maldoso.

Saturday, September 15, 2007

SALTOS
.
Medo de morrer, perder
Isto ou aquilo? Medo
Só de ser injusto, ver
Sofrer inocente quedo.
.
Para quê tanto apego,
Se temos de largar tudo?
Para regar faz um rego,
Serás então bem sortudo.
.
O cão é pequeno, chora;
Criança lhe diz: caluda!
E, a compaixão do que ora
Pode levar-lhe taluda.
.
Fugir do frio, por certo,
E do calor também: ter
Presente quem ‘stá perto
Do querer e não querer.
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Os saltos são para cima
E, para baixo: injustos
P’ ra baixo, p’ ra cima prima
Que reconhece os justos!
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Cão que é bom, com bom dono,
Pode, ao reencarnar,
Ao voltar depois do sono,
Em pessoa se tornar!
A FEIRA
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Somos filhos do passado:
Móveis, nele assentamos;
E, voamos num alado
Cavalo; p’ ró céu rumamos.
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Mercadores, peregrinos,
Trovadores, bons e maus,
Espanhóis e montenegrinos,
Vieram, com e sem paus…
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Assentaram arraiais,
Melhoraram os acesos,
E, venderam sempre mais
E mais, alguns bem possessos!
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Novos tempos, novas feiras…
Temos de voltar às terras,
Algumas até p’ ra freiras,
Farás assim se não erras.
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Escreve, oh homem bom:
Há tanto p’ ra escrever;
E canta, toca, faz som…
Há gente para te ver!
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Profissionais não são
Melhores que amadores:
Só fazem uma, não dão
Para acabar com as dores.

Friday, September 14, 2007

LUZ
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Pobre do que não faz nada
De pesquisa, criação,
Descoberta: nem a fada
Vale na situação.
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E, pobre do invejoso:
Anda sempre atrasado,
É como o preguiçoso,
Foge-lhe o cobiçado!
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Pobre do que tem cabeça
E não pensa, e persegue
Pura e vera condessa.
Não haverá quem lhe legue.
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Pombo, rola alma não
Têm? Mas voam e nós
Não! Não há logo razão
Para desprezar avós!
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Sempre algo nos transcende,
E sempre o transcender
Connosco: luz que acende
Se não fazemos sofrer!

Thursday, September 13, 2007

TRABALHO
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Fazer tudo com arte,
(Todos beneficiamos
Do bem fazer): melhor parte
Vem quando trabalhamos.
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Juntas-te a outros homens
Para maior fortaleza;
Já os nossos pais dos dolmens
Tal fizeram, com pureza.
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Trabalhar por melhor mundo
Com tal determinação,
Que até no mar profundo
Resulte bem tal acção.
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China, muitos tibetanos
Mataste, e, ‘té chineses...
Mas tu não queres tiranos,
Como nós, os portugueses!

Mau grado as por vezes insidiosas notícias de pessoas porventura desesperadas que matam e se matam, ou que, matando por fraqueza, procuram ocultar a todo o custo tal facto, ou que, ainda, pensam poder dispor de animais e pessoas a seu belo prazer, não podemos de modo algum desistir de trabalhar e lutar por um mundo, um universo até, de mais felicidade e bem estar para todos os seres. A este propósito saúdo e dou as melhores boas vindas nesta nova visita do Dalai Lama a Portugal.
Com o budismo aprendi a igualdade não só de todas as pessoas, como de todos os seres sensitivos, com a capacidade para a dor e para o prazer (todos fogem da dor, procurando o bem estar). Parece-me todavia que falta ainda reconhecer a igualdade de corpo/matéria e alma (não poderão existir uma sem o outro).

Wednesday, September 12, 2007

OLHO VIVO
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Se nos aproximamos dela,
Afasta-se, outro vem;
Mas, pincel pomos á tela,
Que inspiração contem.
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É a música, o jogo,
A água, o sem medo,
A Prudência, o fogo,
O olho vivo, o ledo!
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Que parvoíce matares:
Só incomodam um pouco!
Para quê esperneares?
Para quê ficares rouco?



-----Está mais do que provado: o critério para saber se podemos matar ou não, não pode ser o da alma, isto é, se não tem alma podemos matar, se tem alma não podemos, pois, muitas vezes, o que tem alma e o que não tem confundem-se. O critério tem portanto de ser: se faz sofrer injustamente, e, nada fará sofrer mais do que a morte, não podemos fazer. A alma é ou tem, que é o mesmo, a capacidade do sofrimento e do prazer. Se temos prazer à custa do sofrimento injusto de outro ser, tal é mau e levará a uma perda na relação prazer\dor. É por isso que comer carne ou peixe, só em último caso e sem alegria, já que pode provocar dor injusta de comidos e justa de comedores.
----- Alma gémea é uma alma que é como nós, pensa como nós, quer como nós.
---- O/quem excluído num lado tem forçosamente de ir para outro.
---- No mundo nada nem ninguém se perde, tudo\todos se transformam (Lavoisier).
---- Não podemos apoiar a injustiça nem os injustos, nem que o estejam a ser para consigo próprios.
---- Quando uma prática causa mais dor do que prazer, e, temos de entrar nesta avaliação com o factor tempo, que é bem real, acabamos por a abandonar.
---- Se jogamos, e jogamos, devemos jogar perfeitamente, com amor pelo adversário (sem adversário não há jogo!). Devemos procurar ganhar e desfrutar da vitória com gozo; mas, se perdemos (querer ganhar sempre é outra forma de acabar com o adversário), devemos desfrutar da derrota igualmente com gozo, o gozo do jogo!
---- Alma complementar é, claro, uma alma que nos complementa, com quem dividimos tarefas e gozos. Como há muitos lugares, muitas direcções, muitos momentos existirão muitas almas gémeas e complementares.
---- Ser ou alma disputante é aquele que partilha o mesmo recurso connosco. Querer acabar com o ser partilhando o recurso é a base da guerra, do sofrimento, da morte. Esperar, ir noutra direcção é a essência do prazer, da inspiração, da vida...

Monday, September 10, 2007

FUGIR...
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Fugir do que faz sofrer;
Procurar inspiração;
Não causar dor nem morrer;
Não fazer perseguição.
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Defender os oprimidos;
Todos os seres amar:
Amar fracos e feridos,
Por todos orar, rezar.
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Que todos os seres sejam
Felizes, até diabo;
Todos felizes almejam
Ser: de nada bom dês cabo.
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A trabalhar não te mates,
Nem procurando prazer;
Pois, quer ates quer desates,
Com calma tens de o fazer.


GRANDE POSITIVO
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Dois é só um numa forma
Diferente: recordar
Bons momentos é a norma
De um feliz bem estar.
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Não faz e procura não
Deixar fazer: negativo
É, invejoso e vão;
Viva grande positivo!

Saturday, September 08, 2007

FAZ UNS DESENHOS…
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Ouve os sons de uma fonte
Que não é fonte e chama
Inspiração; lembra monte,
Regatos e Dalai lama.
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Faz uns desenhos e pede
Música e moscatel
Com gelo; tudo bem mede;
Lembra amigo de Fratel.
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A doçura da presença
Das hortenses cor de rosa;
A Célia p’ ra que vença
Sem a via dolorosa!
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Finalmente chega brisa;
Uma abelha não cessa;
Bolotas vou buscar; frisa
Isto: guerra é má peça!
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O que sobressai na alma
É a vastidão: presente
Tanto lá, como na palma
Da mão, é omnipresente!

Friday, September 07, 2007

ENTORPECIDO?
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Estás tu entorpecido,
Enterrado no passado,
Porventura esquecido
de ser grande moderado?
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Tens de ser já despertado,
Acordado, com firmeza
Musicado; concentrado
Na tua sã realeza!
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Estás sempre em viagem
Astral: dormir ao volante
Não! Cuidado, coisas reagem;
Vigia pedra gigante!
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Tu tens grandes objectivos
(‘ stá quase tudo errado):
Escolhe os correctivos,
Tem cuidado com o marado!
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Objectivo o primeiro
(revisão): fazer felizes
Todos os seres. Dinheiro
Para todos, tu mo dizes!

Tuesday, September 04, 2007

Ensinar não é uma função vital, porque não tem o fim em si mesma; a função vital é aprender.(Aristóteles)

O objectivo da educação é a virtude e o desejo de converter-se num bom cidadão.(Platão)

Dar o exemplo não é a melhor maneira de influenciar os outros. - É a única.(Albert Schweitzer)

Quando damos a uma criança tudo o que ela quer, damos-lhe também o aborrecimento.(Frank Clark)
É fundamental que o estudante adquira uma compreensão e uma percepção nítida dos valores. Tem de aprender a ter um sentido bem definido do belo e do moralmente bom.(Albert Einstein)