Saturday, December 31, 2011

Ruído,é
o que são
os que ao
que não é
dão atenção.
O controlador
é o controlado,
e,o sofredor
é a dor:
não é pois necessário
nem controlar
nem ser curado,
por não ser
dissipada
a energia
a usar
no ultrapassar
da agitação
causada pelo pensar.

Padrões de pensamento
que podem até ter sido de livramento
repetidos só por há muito serem assim
não são para levar mui a sério,
são repetição ruim.

Além da mente
somos ação
e emoção:
velhice é ser só mente,
sendo a pior velhice a da gente
que só pensa e mente.

Arte que é arte
põe tudo no lugar
certo: destarte,
não há confusão no lugar.

Friday, December 30, 2011

No fazer no esquecimento
de nós mesmos, o bem estar;
na crença, o guerrear
e o entorpecimento.

E, se de cuidar Deus
tivesse das insignificâncias
nossas, nem ele era Deus
nem nós passaríamos de insignificâncias.

A mente é a reação
do passado ao presente,
a reação da separação,
não da cooperação.

E, todavia, sem inteligente
união, nada de vera criação;
mas, não é inteligente
a religiosa, a política obrigação:

fim da maneira separada
do pensamento urge, pois,
pela inteligência integrada,
mente pela sensibilidade completada.

Nem crença, nem maldade,
nem dogma, nem nacionalidade,
portanto, mas, boa vontade,
consideração e humildade.

E, é a não agarrada
mente que canta
e encanta,
à desgarrada.

Thursday, December 29, 2011

Olhar, observar, viver a vida, a beleza
não a partir de porquês, conclusões,
esperanças e desesperos, o que é estreiteza
e dor, mas, a partir das não acumulações.


Nada a ganhar,
nada a perder,
nada a proteger:
só imenso Ser!

Completamente sós,intocados,
em nós mesmos não centrados,
por nenhuma influência,
nenhum desejo intoxicados
é que ficamos libertados.

A energia da fricção
entre o que é e o que devia
ser, da contradição,
nada constrói, só desvia.

E, logicamente, não
é no aumentar da tensão
que tal energia passa a criativa:
alegria, só reconhecendo contradição.

A lei começou
quando terminou
o amor, a amizade,
e, tudo estragou.

O paraíso não
se conquista:
vive-se quando não
mais queremos
vir a ser
e vir a ter,
pois, então
somos e então
temos.

Wednesday, December 28, 2011

Pessoas à espera,
pessoas que exploraram
e que roubaram,
fim de uma era.

Com amor conquistar
e morrer para o conquistado,
sem estar amarrado
ao ego; dar sem pensar.

Tempo é observação
parada do movimento:não
há tempo para quem em união
está com a movimentação.
-
Ó mesquinhez
que te entretens a dividir
em vez
de a unir,

Cresce!:
Verdadeiro gozo
está no que floresce
grande e mimoso,
não no que parece.

-
Português universal,
português de Portugal,
português da verdade total,
português sem ideal.

Português da ação,
não da reação;
da criação,
não da imitação.
.
Nada é só nosso,
isto posso
e aquilo não posso:
nada é só nosso.
.
Silêncio não forçado,
sem centro a observar,
pode ser visitado
pelo infinito, pelo amado.

Tuesday, December 27, 2011

Liberdade já, não
depois; com expressão
ou não; sem causa
ou com causa.

Meditação é tranquilidade
da mente que não
procura, onde não
há espaço nem temporalidade.

Não procurando,
não desejando,
da sociedade não
há contaminação,

há inocência,
e, com a inocência,
uma grande possibilidade
de surgir a eternidade.

Sim, é a liberdade em relação
à inveja, à avidez, à ambição,
ao desejo de poder ter
que permite carácter/bondade florescer.

E, o amor brota da mente
serena,quieta e sem motivo:
serenidade não tem motivo,
serenidade não anseia por mais.

Thursday, December 22, 2011

O conhecido compreendido,
e, transcendido, é o amor,
mas, não o amor
egoísta, encolhido.

Não o amor da posse,da perdição,
do ciúme, do conflito; não
o amor do simples sentimento, da mera emoção,
mesmo da natalícia emoção.

Mas, o amor, não teórico mas cheio de atenção,
misericórdia, efectividade e compaixão
pelas mulheres, pais,filhos, amigos,
colegas, vizinhos e inimigos.

Só este grande Amor, rarefeita
a teoria de esquerda ou de direita
ou outra pode dar a paz, a felicidade,
a ordem e a beleza à humanidade!

Wednesday, December 21, 2011

Todas as atividades egoístas,
negociais, religiosas,sociais,
políticas, desportivas, culturais...
Fortalecem o eu.Mas, nos actos sexuais
pode verificar-se não só uma grande diminuição do eu,
como uma grande felicidade por meio da fusão, da integração sexual.
Sexo portanto a toda a hora e em todos os locais?
Certamente que não, certamente que não,pois, sexo é somente uma das funções;
mas, fusão dos eus em todos os momentos e em todas as funções, trabalho, alimentação,criação, lazer... Até na função dormir,certamente que sim, certamente que sim, já que, eus funcionando em perfeita relação são a felicidade completa,o Êxtase!
Do desejo é urgente a compreensão,
pois, no satisfazer
do desejo é, com seu prazer
e dor, engendrada a paixão.

E, se queremos mesmo compreender
o desejo é óbvio que escolher
não pode haver: não podemos dizer
este desejo vou ter e aquele não vou ter.

Todo o desejo compreender
na sua beleza, na sua obcessão, na sua fealdade,
na sua contradição, na sua fundamentalidade,
não perverter, suprimir, abusar do desejo, é que é viver!

Quem muito condenar, avaliar, identificar, escolher
pouco atento e consciente é, pois, em conflito está.
Não há mal algum no prazer, mas, querer repetir prazer
não pode ser já que tudo está sempre a mudar, até o prazer.
Não somos separados
dos desejos, nem da memória,
nem do conflito, nem da carência:
tentar preencher carência
ou dela fugir é o erro dos séculos:
quase tudo o que temos de fazer
é a nós próprios nos compreender.

Ficámos da palavra escravos:
quando a palavra deixa des ser
importante, direta passa a ser
a experiência, não mais do medo somos escarvos!
A ideia é fictícia, é irreal,
é ficção, é abstracta,
é o que devia ser...
O facto é concreto, é real,
é o que é.
Entre ambos está o tempo
e o esforço da compreensão,
da análise, da fuga, da ação,
do medo.

A mente é o resultado
do tempo, e, o tempo é
a palavra, o tempo é
pensamento.
Também o medo, o grande inimigo
da liberdade, surge da ânsia de ser
outra coisa diferente do que se é:
querer alcançar e depender
engendra o medo.
E, ficar sem medo
não é tornar-se corajoso,pois, em todo o vir a ser
há medo. O fim do medo
está em compreender o medo.

O passado está sempre a querer ser
presente, o que não pode ser,
pois, tal é fenecer.

Tuesday, December 20, 2011

Ação de massas
não é solução,
é mais confusão:
solução
é auto-conhecimento,
tratamento
do pequeno chão:
compreensão
de mim mesmo
é compreensão
de ti, e, desta compreensão
nasce a afeição,
o amor e a grande comunhão,
a Plenitude tão
procurada
e tão pouco encontrada!
Com a compreensão
da atenção
surge a afeição
que é a lubrificação
da tensão
da grande relação.
Romantismo, ilusão,
saudade são
reconhecidos e no chão
colocados.

Dirigimos então
a atenção para compreensão
da relação,enquanto ilusão
renasce ou não do chão.

E, nem na maior relação
haverá pleno conforto: vida é tensão
entre realidade e ilusão,
entre desejo de conforto e ação:
haja compreensão!

Monday, December 19, 2011

A dependência, a necessidade
é uma constante e desgastante conflitualidade
que vai do apego para a animosidade
e vice-versa e na qual não há nem compreensão nem libertação.

Importa pois ter grande consciência
do processo do apego e da dependência
da necessidade: com esta consciência
até se revela toda a sub-consciência.

Isto feito, consciência
una com inconsciência
resolvem não só dependência
como toda a pendência.
Beleza da humildade,
da virtude? Não
são da dor, não
são cultiváveis:
são vivas, são imparáveis,
são claridade!

Sunday, December 18, 2011

Acumular esforçadamente
conhecimento
é um movimento
do conhecido
para o conhecido,
não é portanto aprender:
aprender, descobrir
é ir
do conhecido
para o desconhecido.

E,pensamentos maus e caprichosos
não são diferentes do pensador,
do juiz, do que, sempre esforçadamente
e rapidamente se deteriorando os tenta controlar:
deixemos, bem o observando, todo o mau pensar
florescer, e, vejamo-lo esmorecer!

Descontente com o que és\tens
lutas e labutas, outra dependência
criando: segurança não tem existência,
tudo muda enquanto vens e não vens!

E ainda, utilização
é satisfação e infelicidade:
êxtase, felicidade
só com a grande comunhão!
Atenção total não
é só grande atenção,
é também atenção
a tudo\todos. De modo que atenção
para adquirir algo é distração,
falta de bondade.
Bondade
é totalidade
de atenção
sem nenhum esforço para ser
ou não ser,
adquirir ou não
adquirir.

O que existe é tudo o que observamos e conhecemos
mais o que não observamos e não conhecemos.
Se houver, se formos só que seja uma pequeníssima bactéria
que não morre quando nós morremos...
E,nos pais e nos filhos vivemos.

O pensamento é temporal;
o que é eterno, intemporal
é a atenção profunda e total
que é também bondade geral.

Não é mais importante o presente
nem desprezamos passado nem futuro:
o tempo não é nada, o modo é fundamental;
e, o modo é tudo/todos observarmos/vivermos
sem escolha, sem ocupação da mente:
mente ocupada é mente cega, mui doente!
MONTARGIL

Montargil da charneca,
das hortas, da cortiça, dos pais,
dos pêssegos, das melancias, dos arrozais,
da argila, do eco, da caneca,

e do CS Hotel do Lago Montargil,
entre a praia e a feira,
entre a Inglaterra e o Brasil,
entre o Fundão e Albufeira.

Montargil de Santarém,
de Rui Pereira, de Violante
Lopes, do rancho cantante,
de Pedro Velho, do Porto de Santarém,

e, da igreja Matriz
e do protestante,
do uno e do tris...
Onde todo é importante.

Montargil dos primeiros passos,
da tradição, da inteligência,
dos intermédios e dos últimos passos,
da sã convivência.

Montargil dos feijões
frades, das couves
com carne, do feijão com couves,
dos moinhos, e, dos Leitões!

Montargil do rio Sôr,
Montargil de Avis,
Montargil de Ponte de Sôr,
Montargil de bons, não de vis!
Ideia é separação,
confusão e adiamento,
mas Amor é solução,
ação no momento.