Thursday, November 08, 2007

GANHAR
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Todo o mundo ganhar
E perder a alma, não.
Como é bom parar,
E ser feliz então!
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E, após dormitar,
Comer sem dar sofrer.
É tão mau vomitar,
E, tão triste morrer!
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O frio está vindo,
Há que vestir mais roupa;
O outro está indo,
E, como ele me poupa!
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Contudo, trabalhar
É outro ajudar
A também melhorar.
Logo, há que amar!


MILAGRE
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Busca o bem estar,
O gozo, o prazer
De todo o vivo ser,
E há equilibrar.
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E há milagre, há
Louvor a Deus, ao Tao,
À Mãe, ao Pai e Ao
Que tudo tem e dá.
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Nunca queiras ganhar,
Se não irás perder;
Temos é que bem ver:
Sol, chuva, semear.
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Outro milagre vi:
De idade, beijando
Como novos; e ando
Com e sem paixão. Ri.
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E trata bem o ser
Objecto também; há
Então milagre lá
E cá; cego vai ver.
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E não é milagrismo:
É Tai-chi, algarismo
Uno, Cristianismo,
Verdadeiro Budismo.


Citações de: “O Tao do Ocidente”, de:
http://www.heilendestao.at/lit_por_ht.htm

SOBRIEDADE

“Que são paixões? O termo é usado para designar desejos irracionais ligados a fortes emoções, muitas vezes violentas. Poderíamos chamar de amor a este sentimento? A paixão não lida apenas com pessoas mas também com as causas defendidas vigorosamente; ou com os objetos, quando então ela degenera em consumismo. Paixão é um tipo de fanatismo. Enquanto a paixão mostra permanentemente seu lado desequilibrado, o amor em seus níveis mais elevados, é suave, tranqüilo e participativo. Sobriedade, um dos temas preferidos pelos filósofos do Tao, é ter um comportamento equilibrado. A sua falta coloca o homem em todo tipo de desvantagem. Ser sóbrio significa ter a mente bem preparada para dialogar, escolher e decidir. Quanto mais difícil for um problema, tanto mais sóbria e competente deve ser a ação. A chamada não-violência, tem tudo a ver com a sobriedade. Gera na outra parte, uma atitude de tal forma passional (??), que ao perder o controle da situação, já foi derrotada.”
“As grandes vitórias são sempre conseguidas mediante um diálogo sóbrio e eficaz. Conversar exige, é claro, muita preparação interior, e nem todos estão dispostos a investir em seu crescimento. Uma das tarefas daquele que deseja se aperfeiçoar, é justamente a substituição da paixão pela sobriedade. “ (pg. 10)
Comentário: não podemos ter prazer na derrota do outro(a), nem na nossa. O bom prazer, o nosso prazer (Deus-Tao é prazer, bem estar) está na felicidade dos dois, três, quatro... geral. E, a outra parte, complementar, não me parece que seja para derrotar, mas, para atrair a fazer o que precisa e tem de ser feito...



INSPIRAÇÃO

O escritor atua no físico (máquina de escrever, computador...) e obviamente no mental. Se naquele dia, falta-lhe inspiração, e ele se põe em wu-wei, isto é, em estado de mente despreocupada com a questão, o espaço aberto é rapidamente preenchido pelo Tao e pela resposta. (pg. 18)

25- "O vazio será cheio e o incompleto será completado."
Conheci uma moça, que vivia dizendo que era incompetente, que custava a entender as coisas, que suas opiniões não tinham o menor valor, etc. Ela não era nem uma coisa nem outra. Seria uma pessoa perfeitamente normal, não fosse esta atitude de sistemática lamentação. Creio que o que ela desejava no fundo, era se eximir da responsabilidade de tomar posições. Para muitas pessoas, esta postura, é bastante conveniente. A alienação voluntária, é incompatível com a ação social. A pessoa não se prejudica, não se expõe, mas também não participa. Confesso que até hoje, tenho muito pouca boa vontade com esse tipo de gente. E eu explico: na maior parte das vezes, essas pessoas sabem muito bem dos assuntos que dizem ignorar. Formam uma categoria de indivíduos desarmónicos, que vivem da mentira, do engano e do egoísmo. E dessa categoria, devemos manter prudente distância, já que pelo processo de interação, ela abala o equilíbrio que levamos muito tempo a construir. (pg. 18)


27- "Aquele que se vangloria, não será reconhecido."
Há no mundo, uma luta constante por alcançar postos, status e coisas assim. E depois de alcançados, começa uma nova batalha que é a de permanecer ou de preferência subir mais um degrau na escala social. O homem nunca se dá por satisfeito. Muitos usam de recursos absolutamente abjetos, outros utilizam as habilidades, muito aplaudidas, da diplomacia. Os menos criativos, armam intrigas com o mesmo objetivo.
O ambiente de trabalho propicia a existência de uma oficina muito especial onde é forjada uma moral peculiar: a do relacionamento da escalada. As pessoas que conhecem bem o organograma informal da empresa, isto é, quem de fato manda em quem, manipulam com rara destreza as espadas da maledicência, jogando para um canto qualquer, algum resto de ética que eventualmente ainda mantinham guardado. Aquele que chama muita atenção sobre si, estará colhendo rapidamente o que ele mesmo plantou: a rejeição e o repúdio. É uma questão de tempo. (pg. 19)
29 - "À força do masculino deve-se unir a flexibilidade do feminino, pois aí está a harmonia do Tao."
(prosseguimento)O fato de que o Tao age em nossos corpos e mentes, e que sua atuação é percebida nas coisas que nos cercam, faz com que algumas pessoas tenham a idéia de que se escolheu um nome mágico, para explicar o óbvio - se você se exercita na serenidade, a sua pacificação interna vem como resultado lógico, numa espécie de causa e efeito. O Tao não seria então mais do que uma bengala psicológica. Só que não é isto. O Tao é uma Ordem, uma origem e um fim, mas principalmente, é o conceito equilibrador de tudo que existiu, existe e existirá. É um conceito disperso e atuante em todos os lugares, em todos os tempos e em todas as dimensões. Creio que se o Tao fosse algo tão evidente e limitado, não teriam sido escritas obras do porte do Tao-Te-Ching, nem teriam sido erigidas ciências e terapias respeitadas e que se baseiam unicamente em suas virtudes. No dia em que tivermos nos exercitado o suficiente no Tai-Chi, de forma a visualizarmos imediatamente os componentes de uma questão qualquer, estaremos a um passo de realizações mágicas e certamente de uma grande sabedoria. (pg. 20)
31- "O Tao é implacável com a guerra."
Por que o Tao é implacável com a guerra? Ele não é apenas implacável com a guerra, mas com todos os conflitos e situações onde falta a serenidade e espírito de pacificação. Numa situação de divórcio, numa pendência entre superior e subordinado e coisas assim. (pg. 20)

Comentário: “Bem-aventurados os pacificadores, porque deles é o Reino dos Céus”, coisa forçosamente boa, disse Cristo. E, Buda estende a pacificação a todos os seres. Nirvana, mais do que bom!

33- "Conhecer o homem é inteligência, e conhecer a si mesmo é sabedoria."A inteligência, é um processo mental global basicamente ligado à lógica, e portanto às coisas que apresentam um mínimo de racionalidade. Quando examinamos o Universo, percebemos que apesar das aparências, ele está inteiro e harmônico. Visto sob um microscópio, ele poderia ser comparado à espuma de sabão em um copo. Seu aspecto muda; muda o formato das bolhas, tudo enfim em constante mutação. Esta analogia, deve ser entendida como a ação equilibradora e harmonizante do Tao em todo o Universo, visível ou não.
A inteligência consegue captar e explicar as coisas lógicas dentro de certos limites. Como no entanto o explicar o inexplicável? Pela inteligência, pela lógica, pela razão? Ou será que se pode negar que existem coisas que, pelo menos agora, são inexplicadas sendo que muitas delas, de caráter transcendente, JAMAIS poderão ser explicadas pela LÓGICA FORMAL. A sabedoria, é um pouco mais do que conhecimento. A sabedoria é a sutil solução que provém do subtil, da intuição, da vivência e até mesmo da experiência. A inteligência é um dom, mas não é uma finalidade em si. O homem verdadeiramente inteligente, deveria aproveitá-la para o auxiliar no desenvolvimento daquilo que EXPLICARÁ o inexplicável, o inusitado - a sua própria sabedoria. (pg.21)


36 - "Não atue nas coisas que por si se consertam."
Numa reunião de altos executivos, um dos temas debatidos era determinar até que ponto o desconhecimento de um problema na empresa prejudicava o objetivo final. A preocupação era válida, pois em firmas de grande porte é praticamente impossível que todas as pendências sejam conhecidas ou mesmo resolvidas. A síntese do trabalho revelou números surpreendentes - as melhores soluções, foram aquelas que se sucederam aos problemas dos quais sequer se tomou conhecimento na ocasião; resolveram-se por si. Em seguida vieram as questões para as quais os técnicos tiveram realmente que fazer uma análise do problema e tomar uma decisão. O mais notável nisto tudo, é que na sua maior parte os problemas da vida irão apresentar resultados semelhantes. Na área da saúde abundam casos de cura que o tempo se encarregou de resolver. É preciso, no entanto, muita cautela, quando lidamos com a saúde. Deixar deliberadamente que o tempo aja, sem tomar nenhuma outra providência, é no mínimo um ato de irresponsabilidade. Ao longo deste livro, temos falado no Tai-Chi, e sua capacidade de mostrar os dois lados de uma questão. Isto inclui obviamente questões de saúde. Teoricamente após estudos adequados, estaríamos em condições de curar e nos curar. Uma boa sessão de wu-wei, certamente acabará com uma dor de cabeça comum. No entanto, é conveniente lembrar que os médicos chineses, diplomados ou não, investiram anos e anos em estudos específicos, além de terem recebido uma herança riquíssima de seus antepassados. Se um desses profissionais disser: deixe o tempo passar que a cura virá, é bem possível que isto irá acontecer. A nós, que mal roçamos o conceito do Tao, será permitido, quando muito, tentar analisar e solucionar pequenos problemas sem maior importância, mas nunca nada que diga respeito à saúde.
(pg. 22)

EGRÉGORA
Egrégora, termo grego significando envolvimento, clima envolvente, estado de espirito resultante de fatores externos e internos. Música, odor, misticismo em suma a conjugação de diversos fatores criando no individuo um estado emocional próprio, de fé, de contemplação, etc.
Egrégora provém do grego "egrégoroi" e designa a força gerada pelo somatório de energias físicas, emocionais e mentais de duas ou mais pessoas, quando se reúnem com qualquer finalidade. Todos os agrupamentos humanos possuem suas egrégoras características: todas as empresas, clubes, religiões, famílias, partidos, etc.
Em miúdos, uma egrégora participa ativamente de qualquer meio, físico ou abstrato. Quando a energia é deliberadamente gerada, ela forma um padrão, ou seja, tem a têndência de se manter como está. No mais, as egrégoras são "esferas" (concentrações) de energia comum. Quando várias pessoas tem um mesmo objetivo comum, sua energia se agrupa e se "arranja" numa egrégora. Esse é um conceito místico-filosófico com vínculos muito próximos à teoria das formas-pensamento, aonde todo pensamento e energia gerada têm existencia, podendo circular livremente pelo cosmo.
Um exemplo de egrégora - tenhamos em mente um hospital. O principal objetivo dos que ali estão é promover a cura (independente de um êxito ou não) ou serem curados, portanto, um hospital carrega consigo uma "Egrégora de Cura". Aonde está essa egrégora? No chão, nas paredes, no nome, nos frequentadores do hospital, nos funcionários, pacientes e visitantes. Muitas mentes voltadas para um único ojetivo, eis a concentração de energia!
Seguindo essa teoria, se você deseja algo, deve mentalizar calmamente seu objetivo (como se já estivesse concretizado) com um período e frequência estabelecidos, conforme suas possibilidades e seu senso de disciplina. Suponhamos que a fictícia Amanda está solteira há anos, tendo apenas alguns casos superficiais e passageiros nesse período. Ela não encontra um par ideal simplesmente por que não estabeleceu o que quer. À partir do momento que ela conseguir "idealizar" essa pessoa, encontrá-la é mais fácil do que parece. Amanda, diariamente, mentalizava seu desejo (ela feliz com seu namorado, como ele seria, etc) pontualmente as 3 horas da tarde. Realizou suas mentalizações por um tempo considerável, de mais de três meses. Seus pensamentos criaram uma força capaz de atrair a pessoa certa, criaram em torno dela uma "Egrégora de Amor". Garanto que Amanda conseguiu encontrar quem procurava.
Da mesma maneira, uma missa, um encontro de algumas pessoas (ou muitas) voltadas para promover um mesmo fim (a cura de alguém, o fim de um problema, a superação de uma perda) tem um grande poder de formação de egrégoras.
Uma casa que foi palco de cenas de um crime violento, uma tragédia ou algo do tipo ficará maculada para sempre com sua egrégora de dor, confusão e sofrimento.[carece de fontes?] Difícilmente um futuro morador daquela casa não sinta as energias nefastas da egrégora local atrapalharem sua vida. Egrégoras atraem energia semelhante. A tendência para uma casa como essa é atrair mais crimes, perdas e dor, eternamente.[carece de fontes?] Mesmo que seja demolida, e construída uma nova edificação sobre o local, ele estará maculado. Apenas uma egrégora de luz, paz, amor e harmonia mais forte que a anterior poderá anulá-la e fazer retroceder seus efeitos danosos.
Por isso que têm coisas que parecem não mudar nunca. Pessoas presas a suas vídas, seus problemas. Presas às suas egrégoras negativas. Só atrairão energia semelhante. Sua negatividade sempre aumenta.
Se assim considerarmos, existem muitos locais tidos como sagrados no mundo. Certas matas, montanhas, construções... o que elas têm em comum? As pessoas acreditam ou acreditaram que elas eram sagradas, sobrenaturais, prodigiosas. Suas crenças alimentaram a egrégora desse local, que passou a adquirir essas características. Crer no sacro tornou-as sagradas!
Uma egrégora que confere poder a um amuleto. Você acredita que ele irá proteger-te. Ele adquire essa propriedade protetora, pois cria uma "Egrégora de Defesa".
Para alguns Ocultistas, uma egrégora pode tomar "vida própria". Assim, uma "Egrégora Sacra" (de um local sagrado) fará de tudo para manter sua sacralidade, nem que tenha que liquidar as energias intrusas que perturbam seu padrão energético. Assim, ela tomaria o caminho de menor resistência para conseguir manter-se intacta, seja ele qual for. Por isso, egrégoras podem ser destrutivas e gerar problemas. Essa teoria é controversa, e o parágrafo a seguir trata de explicá-la melhor.
"Egrégora é como um filho coletivo, produzido pela interação "genética" das diferentes pessoas envolvidas. Se não conhecermos o fenômeno, as egrégoras vão sendo criadas a esmo e os seus criadores tornam-se logo seus servos já que são induzidos a pensar e agir sempre na direção dos vetores que caracterizaram a criação dessas entidades gregárias. Serão tanto mais escravos quanto menos conscientes estiverem do processo. Se conhecermos sua existência e as leis naturais que as regem, tornamo-nos senhores dessas forças colossais."

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Egr%C3%A9gora

Tudo, equilíbrio, amor, amizade, consciência, perícia... pode ser sempre mais aprofundado...

Wednesday, November 07, 2007

FANTÁSTICO
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Não de partido, bairrístico,
Religioso, e, nem
Patriótico, clubístico,
Ou, de noventa ou cem...
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De todos, universal,
De si próprio também...
E, se inspirado mal,
Não força, e, ela vem.
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De todos os seres mesmo,
E, de todos os objectos:
Amar a todos a esmo,
Amar belos e abjectos.

Tuesday, November 06, 2007

Não basta receber, é preciso também dar... E, ainda há tantas coisas que o doente, inválido, pobre pode dar!

O sábio treina, delega e supervisiona constantemente; em contrapartida, o fanfarrão assume muitas vezes tarefas para as quais não está preparado. (base:http://www.heilendestao.at/lit_por_ht.htm)

O verdadeiro caminho, o bom caminho passa tanto pela intuição como pela razão.

Depois da necessidade satisfeita não podemos\devemos continuar a satisfazê-la...

Fazemos parte de Deus/Tao, e, cada ser tem de desempenhar a sua função para o bem estar geral. Essa função, é, eventualmente, não fazer nada: o descanso certo é preciso, e, pior do que não fazer é impedir de fazer.
“Que são paixões? O termo é usado para designar desejos irracionais ligados a fortes emoções, muitas vezes violentas. Poderíamos chamar de amor a este sentimento? A paixão não lida apenas com pessoas mas também com as causas defendidas vigorosamente; ou com os objetos, quando então ela degenera em consumismo. Paixão é um tipo de fanatismo. Enquanto a paixão mostra permanentemente seu lado desequilibrado, o amor em seus níveis mais elevados, é suave, tranqüilo e participativo. Sobriedade, um dos temas preferidos pelos filósofos do Tao, é ter um comportamento equilibrado. A sua falta coloca o homem em todo tipo de desvantagem. Ser sóbrio significa ter a mente bem preparada para dialogar, escolher e decidir. Quanto mais difícil for um problema, tanto mais sóbria e competente deve ser a ação. A chamada não-violência, tem tudo a ver com a sobriedade. Gera na outra parte, uma atitude de tal forma passional (??), que ao perder o controle da situação, já foi derrotada.”
Autor: http://www.heilendestao.at/lit_por_ht.htm

Comentário: não podemos ter prazer na derrota do outro(a), nem na nossa. O bom prazer, o nosso prazer (Deus-Tao é prazer, bem estar) está na felicidade geral. E, a outra parte, complementar, não me parece que seja para derrotar, mas, para atrair a fazer o que precisa e tem de ser feito...As grandes vitórias são sempre conseguidas mediante um diálogo sóbrio e eficaz. Conversar exige, é claro, muita preparação interior, e nem todos estão dispostos a investir em seu crescimento. Uma das tarefas daquele que deseja se aperfeiçoar, é justamente a substituição da paixão pela sobriedade. “

Influenciar pensamentos, desejos e acções no sentido do equilíbrio, da justiça, do não sofrimento, do bem estar geral...

A solução pode tanto estar no velho como no novo, no conhecido como no desconhecido...

Ficar vivo o mais tempo possível, ser o mais feliz possível, fazer sofrer o menos possível, ajudar a ser feliz o mais possível...

Umas vezes pensamos outras não pensamos nos problemas...

“Uma maldade pode ter algo de bom e um acto de bondade pode transformar-se no seu oposto.”

“Recentes estudos (Quais?) da Física Quântica sugerem haver uma relação de causa-efeito entre a vontade e o movimento de certas partículas sub-atómicas”

Autor: http://www.heilendestao.at/lit_por_ht.htm

Homenagear/agraciar/recompensar quem merece... Não aceitar homenagens não merecidas... Não ser falso humilde...

Fazer o que tem de ser feito.

Está sempre tudo em mudança, em expansão... Há sempre mais para aprender, fazer, amar

As frases acima que não estão entre aspas foram escritas lendo: “O Tao do Ocidente”, em: http://www.heilendestao.at/lit_por_ht.htm

Se a vida fosse só nascer, viver, morrer, ser alimento de outro(s) ser(es) e continuar a viver/ser nele(s), então os seres deixavam mesmo de existir enquanto seres próprios, individuais. Mas, como a evolução e a involução são visíveis em todo o lugar e tempo, o mais certo é que, pós morte do seu corpo, todo o espírito (todo o ser vivo deve ter espírito), mais ou menos tempo depois, mais ou menos longe, reencarne num ser superior ou inferior. E, como não sabemos se os espíritos não podem também morrer... o melhor é agradarmos sempre a Deus\Tao...

Monday, November 05, 2007

A ênfase não pode estar no ganhar nem no perder.

Não podemos apoiar pessoas e seres mesquinhos e egoístas.

Não podemos impedir o Tao/Deus de actuar.

A serenidade é muito importante ao bem estar e à intuição/razão.

Nem a religião, nem a política, mas, esta filosofia.

Porque haveria Deus de ser antropomórfico (ter as sua preocupações centradas no homem), se há tanto(s) mais?

Uma Lei natural (gravidade, p.e., que se aplica sempre, mas não a tudo, pensamentos, p.e.) é muito superior às Leis dos homens, que podem ser boas ou más, bem ou mal aplicadas.

Ordem palica-se a tudo, até aos pensamentos e desejos.

Inspiração: http://www.eurooscar.com/tao1/tao4.htm



“ O Tao é uma Lei Absoluta que faz com que todas as coisas... funcionem bem e harmoniosamente”

"Se há alguém que deva ser curado, o Tao cura.O remédio atua, mas é o Tao que cura.Se há alguma coisa que deva ser ajustada, o Tao ajusta:As Leis da natureza atuam, mas é o Tao que ajusta.Se há uma guerra que deva ser pacificada, o Tao pacificaas intenções se mostram, mas é o Tao que pacifica."

“Guarde bem isto: todas as coisas devem ter um mínimo de organização para poder existir, ou inversamente, tudo o que existe é organizado. O nosso Universo é cósmico, simplesmente porque ele existe. E por mais confuso que você o possa julgar, ele continua sendo cósmico. Mesmo que a paz não reine absoluta em nossos mundos, ele está aí para quem quiser ver. Nosso Universo tem lá seus pecados, o que não o impede de continuar existindo. E isto vem acontecendo há bilhões e bilhões de anos. Imagine um pacote comum de arroz. Os grãos apresentam-se mais ou menos enfileirados, como se obedecessem a uma seqüência. Agora, corte o pacote e deixe o arroz fazer o que ele bem entenda. O chão ficará cheio de grãos por todos os cantos: um verdadeiro Caos. Organizar este Caos, vai dar um enorme trabalho. Se a quantidade for muita, digamos, um verdadeiro celeiro, você gastaria a vida toda para repô-lo em seu lugar. Se fosse mais ainda, uma quantidade tão grande como o Universo, ninguém iria conseguir dar conta da tarefa. Teria que ser algum tipo de super-homem ou deus. Organizar todo o Universo e mantê-lo funcionando harmonicamente, é tarefa do Tao. Cada vez que alguma coisa sai do lugar, instantaneamente o Tao providencia algo para tomar o espaço que ficou vago. Às vezes pode demorar algum tempo para um gás preencher o vazio deixado por uma estrela que explodiu. A providência no entanto foi tomada no ato da explosão. Esta é a razão porque todas as coisas estão sempre mudando. Se você fotografar o Universo, uma fração de segundo depois ele já não será mais o mesmo.
Há sempre algo ocorrendo e que provoca um desequilíbrio, seguido de uma ação do Tao, que faz tudo voltar ao normal, por assim dizer.”

“Harmonia é o mesmo que entrosamento das partes, sensação de bem estar. Lembra sempre coisas boas e agradáveis - sons harmônicos, viver em harmonia... Para que fique mais claro o que queremos dizer, imagine uma platéia de teatro. Há uma Ordem cósmica imposta pela disposição das poltronas. Se além disso, todos estivessem gostando da peça, coexistiriam o cósmico e o harmônico. “

“O TAO É HARMONIZANTE
Um dos atributos mais notáveis do Tao, é sua ação reequilibradora ou harmonizante. Para melhor visualizar a ação do Tao e fortalecer seu permanente entendimento, o uso do Tai-Chi é insuperável. Vejamos como o Tai-Chi é constituído: tem a forma de um círculo e é dividido em duas partes; uma parte branca, e uma preta. Este desenho, simboliza uma situação harmônica, onde o fato ali mostrado, está em perfeito equilíbrio. Qualquer aumento, num dos lados, resultará em um estado desarmônico, problemático. Em compensação, nos apontará a solução, que estará sempre no outro lado. Se você usa o Tai-Chi em forma de medalha pendurada no pescoço, sem saber muito bem o que significa, ficará muito mais feliz quando passar a entendê-lo melhor e, quem sabe, guiar sua vida pelas idéias que ele simboliza. A propósito, o Tai-Chi não é um amuleto, nem é mágico nem deve ser usado como se o fosse. Ele é simplesmente um lembrete, tal como uma Cruz ou uma Estrela de Davi, que não devem ser confundidas como peças milagrosas. Observemos com mais atenção ainda o Tai-Chi. Inicialmente o círculo externo. O círculo em diversas religiões ou correntes de pensamento, significa unidade. De fato, o Tao tem completa independência, é totalmente auto-suficiente e auto-regulado. É portanto a própria Unidade. Em seguida nota-se que o círculo está dividido em duas partes iguais chamadas Yang e Yin, representando respectivamente o ativo e o receptivo, a dia e a noite, ou quaisquer outros opostos harmônicos ou complementares, dos quais se compõe uma determinada questão. Cada uma destas partes possui um pequeno círculo da cor oposta. Na parte branca há um ponto preto e vice-versa. Estes pontos representam a semente de seu complemento. Se no Tai-Chi, o branco está representando por exemplo, uma situação de paz, o preto estará significando a guerra. A semente da guerra, está sempre plantada numa situação de paz, da mesma forma como uma situação de guerra apresenta sempre a possibilidade de paz - uma só pode acontecer quando existe a outra. As duas partes juntas, se unem formando a questão guerra /paz. De fato, quando pode ocorrer isto que chamamos de paz? Quando existe uma guerra. Por seu turno o que pode quebrar a paz? Uma guerra. Os dois elementos estão, assim, ligados, amarrados. Um problema do tipo saúde/doença, se apresenta de maneira semelhante. Com efeito, a doença parte de uma situação de saúde. Ninguém fica doente estando doente, e sim quando se está sadio. A cura para qualquer doença está igualmente inserida na própria doença - quem se cura de algo que não possui? É preciso primeiro, que se esteja doente para ser curado. “

Comentário: Mas, convém frisar bem, o Tao é prazer, e tende sempre é para à vitória do prazer, e do bem estar.



Fonte: http://www.eurooscar.com/tao1/tao4.htm




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O TAO DA CURA ( Parte I, Os Meridianos, Chi - a Energia Vital, Parte III, O Elemento Fogo)
O TAO DO SHIATSU E DA ACUOUNTURA (em Alemao)
TAO TRAINING (Existe somente em Alemão)
OS 8 VASOS MARAVILHOSOS, Dào Verlag, Austria 2006 (em Alemao)





PARTE I

CONCEITOS BÁSICOS DA MEDICINA CHINESA
Deve haver muitos leitores que conhecem os conceitos básicos da medicina chinesa; se não conhecerem, poderão encontrar neste capítulo uma introdução sucinta ao Yin e Yang, à visão chinesa dos órgãos, os canais de circulação da energia ou meridianos, a força vital chi e o sistema dos Cinco Elementos.

YIN e YANG
Embora hoje em dia os conceitos de "Yin" e "Yang" façam parte da linguagem comum, são utilizados com freqüência de maneira imprecisa. Uma das razões é que conhecemos o Yin e o Yang tanto na cultura chinesa quanto na cultura japonesa. Essas duas culturas têm um conceito diferente e a definição de Yin e yang varia entre elas, Muitas vezes são as mesmas pessoas que seguem uma dieta macrobiótica, fazem um tratamento de shiatsu, interessam-se por Feng Shui e consultam um médico ou terapeuta que cuida delas com medicina naturista ou com acupuntura. O shiatsu e a macrobiótica pertencem à cultura japonesa, o Feng Shui e a acupuntura praticadas aqui são oriundas da China.

O ponto de vista oriental de Yin e Yang considera tanto a realidade espiritual quanto a material dos efeitos de dois pólos ou forças opostos que, por sua vez, são dependentes um do outro: Yin e Yang. Essa maneira dual depensar não nos é estranha. As raízes da cultura ocidental – tanto do helenismo e de suas filosofias ou religiões, quanto da cultura judaica e cristã – baseiam-se numa dualidade básica. Encontramos essa dualidade em conceitos como "matéria" e "energia" na física, bem e mal, céu e terra, cristianismo e islamismo, e igualmente nos sistemas binários de nossos ordenadores. Esse parentesco básico e espiritual deve ser a razão principal pela qual o Ocidente adotou uma parte muito maior do patrimônio cultural do Japão e da China do que, por exemplo, dos índios norte-americanos ou dos dogons da África Central.

Mesmo assim é importante compreender que existe uma diferença fundamental enter o conceito oriental de Yin e Yang e o princípio de dualidade do Ocidente. Yin e Yang são dois opostos que, juntos, formam uma unidade. Um depende do outro e são realidade somente em união com seu pólo oposto. O símbolo que conhecemos de Yin e Yang representa a lei universal da eterna transformação. Significa que um deles, quando chegou a seu apogeu, transforma-se no outro. O ponto branco dentro do campo negro e o ponto negro dentro do campo branco significam que a essência de um contém em seu núcleo a essência do oposto. Isso sugere portanto que não há nada que seja apenas Yin ou Yang, negro ou branco, feminino ou masculino, magnético ou elétrico, passivo ou ativo, bom ou mal, escuro ou claro. Significa que as mulheres também têm características masculinas e os homens, qualidades femininas, que uma maldade pode ter algo de bom e um ato de bondade pode transformar-se em seu oposto.

Yin e Yang não são conceitos absolutos. Atuam sempre relacionados um com o outro e descrevem a qualidade relativa dos diversos fenômenos e manifestações, e as relações entre a realidade física e a realidade imaterial. Um exemplo: no corpo humano, o peito é definido em relação às costas como Yin; mas, em relação à pélvis, ele é Yang. Outro exemplo: em relação ao dia se diz que a noite é Yin, mas em relação à abóboda negra do Universo a nossa noite na Terra é Yang, pois, ainda que pouca, contém uma pequena quantidade de luz.

A cultura ocidental tende, ao contrário, a pensar em conceitos absolutos. Nossa educação nos ensina a diferenciar claramente entre o bem e o mal. Nos filmes clássicos de bangue-bangue, o herói usa um chapéu branco e é simpático, enquanto os bandidos usam chapéus pretos, não estão barbeados e, além disso, são antipáticos. A maioria dos filmes policiais segue um modelo muito simples: os bons e os maus estão desde o princípio claramente marcados, não se transformam no decorrer da história e o final está claro: o mau morre.

O símbolo de Yin e Yang descreve outra visão da realidade: nem Yin nem Yang podem ser considerados maus ou bons. O símbolo de Yin e Yang mostra uma forma e uma maneira através da qual as coisas se transformam. Trata-se de uma descrição, e não de um juízo de valor. Expressa que os opostos se atraem, que se condicionam mutuamente, e que cada coisa e cada processo se converte cedo ou tarde em seu contrário. As seguintes combinações de Yin e Yang reproduzem a visão chinesa que, como já dissemos, pode variar em termos de aplicação e pode diferir dos conceitos japoneses. Quando se utiliza as categorias de Yin e Yang, é importante tomar consciência da natureza relativa e das polaridades descritas.

CARACTERíSTICAS GERAIS
Y I N Y A N G

Matéria Energia

Próton Elétron

Força centrípeta Força centrífuga

Solidificação Expansão

Movimento descendente Movimento ascendente

Terra Céu

Horizontal Vertical

Escuridão Luz

Noite Dia

Frio Calor

Lua Sol

Prata Ouro

Inverno Verão

Fim Princípio

Negativo Positivo

Feminino Masculino

Mole Duro

Entrar Sair

Quietude Movimento

Lento Rápido

Dentro Fora

Receber Dar

Molhado Seco

Campo de gravitação Crescimento

Raiz, tronco Galhos, folhas

Fruto Germe, brotos

Base Ácido


CORPO E PERSONALIDADE

Y I N Y A N G

Parte da frente Parte de trás

Metade esquerda Metade direita

Parte inferior Parte superior

Tronco Membros

Pernas Braços

Pélvis Cabeça

Órgãos compactos (Zang) Órgãos ocos (Fu)

Yong Qi Wei Qi

Sangue Energia

Encolher Esticar

Tranqüilidade e repouso Movimento e ação

Digestão e reprodução Luta ou fuga

Parassimpático Simpático

Acetilcolina Adrenalina

Ritmo cardíaco Ritmo respiratório

Instinto Inteligência

Introvertido Extrovertido

Silencioso, calmo Falador, esperto

Os pés na terra Prazer em experimentar

Conservador Progressista

Contemplativo Excitável, reativo

Depressivo Eufórico

A VISÃO CHINESA DOS ÓRGÃOS

A cultura chinesa tem uma visão dos órgãos e tecidos completamente diferente da ocidental. A razão é que os chineses não vêem o corpo e a alma como entidades separadas, como nós. Na medicina chinesa, cada órgão tem não só uma função psicológica, mas também emocional, intelectual e espiritual. Não considera o cérebro a sede da alma e do espírito, e sim cada célula do corpo e também o campo magnético do organismo. Por conseguinte, os órgãos internos são entendidos como unidade corpo-alma-espírito; não são definidos como formas anatômicas com funções psicológicas simples. Cada órgão é, portanto, parte do conjunto da personalidade, e suas ações recíprocas com outros órgãos são de importância vital para a plenitude do sentir, pensar, querer e atuar.

Por esse motivo, os órgãos não são vistos como unidade funcional psicológica, e sim como expressão das cinco forças elementares em intercâmbio constante. Corpo, alma e espírito são considerados formas de expressão dos cinco elementos que constituem a raiz comum dos mais diversos fenômenos da vida. A visão dos órgãos difere tanto que nem sequer coincidem com as definições anatômicas. O estômago, o duodeno e os primeiros quinze centímetros do intestino delgado, por exemplo, são considerados pela medicina chinesa como um único órgão, o Estômago. Os chineses concebem o processo da digestão – o desdobramento dos alimentos em partes isoladas, um processo que se inicia na cavidade bucal, e a absorção de carboidratos, albumina e gorduras sobretudo pela parte inicial do duodeno – como tarefa de um único órgão, o Estômago, ao qual se atribui, sendo Yang, ou um órgão oco, o elemento Terra.

Outro exemplo: a compreensão chinesa do baço não compreende somente este órgão, mas também o pâncreas e todos os tecidos linfáticos e o resto dos órgãos de nosso corpo. Por isso este órgão é chamado de Baço-Pâncreas. A função principal do Baço-Pâncreas é a construção e manutenção da substância física. Nesse sentido é que se junta ao pâncreas, que produz a maior parte das enzimas da digestão e todas as células e órgãos que constituem a base física do sistema imunológico, como as amídgalas, os gânglios linfáticos, as plaquetas Peyer e a polpa branca do baço em um só órgão, o órgão Yin do elemento Terra.

Os órgãos Zang e Fu

A medicina chinesa distingue seis órgãos Yin e seis órgãos Yang. Os órgãos Yin são chamados de Zang; o ideograma que representa Zang significa "compacto" ou "sólido". Os seis órgãos Zang têm uma consistência mais compacta e um teor mais elevado de parênquima que os seis órgãos Fu. São chamados também de órgãos-armazém porque, além de suas funções fisiológicas, recebem e armazenam formas de energia vital, o chi, e ainda a produzem e transformam. Os seis órgãos Zang são o Coração, o Pericárdio ou Circulação-Sexo, os Rins, os Pulmões e o Baço-Pâncreas.

Uma maneira fácil de lembrar quais são os órgãos Zang é: os órgãos que comemos são todos Zang; não é costume comer os órgãos Yang, pelo menos no Ocidente.

Os seis órgãos Yang são chamados de Fu. O ideograma Fu significa "oco". Os órgãos ocos são o Estômago, o Intestino Delgado, o Intestino Grosso, a Beixa, a Vesícula Biliar e o chamado Triplo-Aquecedor. A principal função dos órgãos Fu é tomar e digerir os alimentos, a absorção das partes nutritivas pelo sangue e a expulsão dos detritos pela urina, pelo suor e pelas fezes. A tarefa do Triplo-Aquecedor é a regulação da temperatura corporal e a coordenação das funções do peito, do ventre e da pélvis, além da coordenação entre a profundidade e freqüência da respiração, da circulação, da digestão e da sexualidade.

Cada elemento é atribuído um órgão Zang e um órgão Fu. Esses pares de órgãos receberam o nome de "órgãos acoplados". Suas funções fisiológicas, emocionais, intelecutais e espirituais estão estreitamente ligadas entre si, como, por exemplo, as funções dos Rins e da Bexiga, do Fígado e da Vesícula Biliar. Todo órgão Zang materializa a força Yin e todo órgão Fu representa a força Yang do mesmo elemento.

OS MERIDIANOS

Os meridianos são canais diminutos do corpo por onde flui a energia vital ou chi. Os pontos de acupuntura ou acupressura são aberturas do sistema de meridianos na superfície do corpo, por onde é possível afetar o fluxo de chi.

A medicina chinesa tradicional vê os meridianos como uma rede que une o interno ao externo: os órgãos internos à superfície do corpo, os tecidos caos órgãos sensoriais, as emoções aos pensamentos, Yin a Yang, a terra ao céu. O sistema de meridianos é composto de canais de energia que se encontram sobretudo no eixo longitudinal do corpo. Como exceções podemos lembrar os vasos Lo e como meridiano principal o Dai Mai, um dos oito vasos maravilhosos ou meridianos excepcionais, que rodeia a cintura como um cinto.

A rede dos canais de energia parece-se, em sua estrutura básica, com o sistema dos meridianos da Terra: os meridianos dos órgãos correspondem, nessa comparação, aos graus de longitude, os vasos Lo aos graus de latitude e o Du Mo ao equador. No Huang Di Nei Jing, a obra clássica do Imperador Amarelo sobre a medicina interna, datado aproximadamente do século III a.C., é descrito com detalhes e precisão o trajeto dos meridianos e o efeito dos pontos de acupuntura. Neste livro há comparações dos meridianos com grandes rios da China que atravessam o país, regam-no e fertilizam-no. O ideograma chinês para meridiano é Jinge significa "rio, caminho ou trilha", mas também "vaso sangüíneo".

O trajeto dos meridianos segue, durante uma parte, o trajeto dos vasos sangüíneos e dos nervos, e o chi, por outro lado, flui por gretas e canais finíssimos do tecido conjuntivo. Essas gretas formam-se sobretudo pelas diversas ligações dos músculos e grupos de músculos, assim como pelas capas de tecido conjuntivo que envolvem grandes partes do corpo como, por exemplo, a Fascia thoracolumbalis.

No Huang Di Nei Jing são descritos os 44 Jings, ou meridianos, com seu trajeto e sua função. Entre os mais importantes estão os doze meridianos e seus doze ramos profundos, que passam pelo interior do corpo e unem cada meridiano dos órgãos a seu órgão de origem e aos outros órgãos. No livro do Imperador Amarelo também são descritas as oito grandes correntes, também chamadas de "oito vasos maravilhosos" ou "meridianos milagrosos". Entre eles destancam-se sobretudo o Ren Mai(ou o Vaso da Concepção) e o Du Mai (o Vaso Governador), que percorrem a linha central da parte da frente e da parte de trás do corpo. Dizem que são "o mar de Yin" (Ren Mai) e "o mar de Yang" (Du Mai), e constitui o coração do sistema de meridianos. O conteúdo do Tao curativo é os cinco elementos e os doze meridianos dos órgãos correspondentes, motivo pelo qual não se fala aqui do Ren Mai, nem do Du Mai. Este tema é tratado detalhadamente em outro livro do autor, intitulado Tao de la medicina (1996, Editorial Haug).

Os doze meridianos dos órgãos formam pares: a cada meridiano Yin corresponde um meridiano Yang do mesmo elemento. Por isso se fala de "dois meridianos acoplados", cuja energia flui por dois canais ou represas, os vasos Lo, por meio dos quais eles se equilibram mutuamente. Cada meridiano de um órgão tem seu próprio vaso Lo, que vai desde esse ponto Lo até o ponto Yuan(ou ponto Fonte) do meridiano acoplado. É através dos vasos Lo que se restabelece o equilíbrio de um órgão e do meridiano correspondente, sobretudo mediante o meridiano acoplado, que sofre excesso ou falta de chi.

A função dos meridianos e dos valos Lo é a provisão de chi aos órgãos e tecidos, uma função parecida com a da circulação sangüínea, que leva oxigênio e substâncias nutritivas a todas as partes do corpo. A saúde de um órgão interno, a força dos músculos e tendões, ossos e dentes, assim como a sensibilidade, a compaixão, o amor, a segurança em si mesmo e uma mente clara está garantida sempre que houver energia vital suficiente nas zonas correspondentes, e que ela flua.

Os exercícios propostos neste livro estimulam o fluxo de chi pelos meridianos e seus órgãos, tecidos e órgãos sensoriais correspondentes. Se forem praticados com regularidade, ajudam a manter a saúde, impedindo o surgimento de doenças – cujo primeiro estágio costuma ser causado pela falta prolongada de chi, e só muito tempo depois é que surgem os primeiros sintomas físicos – e promovem uma integridade orgânica de corpo, emoções e pensamentos.

CHI, A ENERGIA VITAL

Chi é a palavra chinesa para força vital ou energia vital. A palavra japonesa correspondente é kie, na ioga, a mesma essência vital é chamada de prana. A maioria das culturas antigas têm o conceito de uma força vital com presença universal, que circula no ar, na água, na terra, nas plantas, nos animais e também no organismo humano. Trata-se de uma essência vital que está além das estraturuas subatômicas – uma energia que se encontra em todas as formas materiais e se concentra nos organismos vivos.

Mesmo que Paracelso e Mesmer, médicos europeus dos séculos XVII e XVIII respectivamente) tenham trabalhado e curado com a idéia de uma energia vital, esta perdeu a importância nas escolas ocidentais. O conhecimento e a manipulação da essência vital foram substituídos por um enfoque unilateral, que dá preferência a tudo o que é físico – e quimicamente medido.

Wilhelm Reich foi um médico austríaco e aluno de Freud que teve de fugir do nazismo na década de 1930 para os Estados Unidos. Foi o primeiro investigador do século XX a redescobrir a força vital universal, que chamou de "orgon", e demonstrou sua existência com experimentos científicos. Construiu acumuladores, cuja função consistia em densificar a concentração da energia vital disponível para aplicação posterior no campo da medicina e do aumento do bem-estar. Na atmosfera hipócrita e de visão estreita das décadas de 1940 e 1950 dos Estados Unidos, suas descobertas enfrentam uma grande resistência nos círculos médicos e sobretudo da Federal Drug Administration (FDA), que o acusou diretamente de farsante pela divulgação dos acumuladores de orgon. Como ele não respeitou a proibição, foi castigado com uma temporada na prisão, e seus livros foram queimados em praça pública. Wilhelm Reich, que durante muito tempo foi perseguido pelo desenvolvimento de sua "Vegetoterapia", a primeira forma de psicoterapia com orientação física que surgiu no Ocidente, e também por suas idéias socialistas e comunistas, não suportou esta última humilhação e morreu no cárcere.

Enquanto os norte-americanos não queriam nenhum envolvimento com o conceito de energia vital, os soviéticos dedicaram-se, também por razões militares e estratégicas, a realizar muitos experimentos com a força vital, que denominaram de "bioplasma". Seus trabalhos científicos levaram, entre outras coisas, ao desenvolvimento da fotografia Kirlian, que torna visível o campo energético ou aura dos organismos, bem como da matéria inerte.

As civilizações muito evoluídas da Índia e da China desenvolveram há três ou quatro mil anos atrás, técnicas de meditação e métodos terapêuticos para prevenir e curar enfermidades com o aumento da concentraçãoda energia vital. Na Índia, sobretudo nos Vedas e Upanishads, foram expostos diversos sistemas de ioga física e espiritual como, por exemplo, a Hatha-Ioga, a Bhakti-Ioga e a Raja-Ioga. Na China já são diferenciadas as diversas formas do chi, que são percebidas e utilizadas terapeuticamente.

Os conceitos mais importantes da medicina chinesa relacionados à força vital são Shi e Hsu. Shisignifica abundância ou excesso de chi, que se manifesta sob a forma Yang, com sintomas de calor como inflamações, dores pungentes e febre. Hsusignifica falta de provisão ou carência de chi, que nos leva com freqüência a Yin, ou sintomas de frio, como estar desequilibrado, ter sensação de surdez, edemas e dores crônicas, ou estar mesmo surdo. Com os exercícios dos meridianos descritos neste livro é possível, se eles forem praticados regularmente, equilibrar o excesso ou insuficiência de chi nos diversos meridianos e, por conseguinte, nos órgãos correspondentes, melhorando com isso a saúde e a qualidade de vida.

Os chineses fazem uma distinção entre o chi adquirido e o chi inato que herdamos de nossos pais e antepassados, ao qual chamam de "energia ancestral". Essa energia fica armazenada nos rins. A energia ancestral é necessária para o corpo utilizar o chi que se encontra no ar e nos alimentos.

O Aquecedor Médio – no ventre – é a estufa onde se "cozinha" a energia substancial ou Zong chi dos alimentos e dor que ingerimos. A energia ancestral é o combustível necessário para o processo de cozimento. O Zong chi, que se produz no ventre, flui para cima, para o peito, abastece o coração e os pulmões e se diferencia em Zong chi e Wei chi. Yong chié a forma de chi que nutre e constrói a substância corporal. Wei chié a energia protetora que defende o organismo contra as influências nocivas do exterior.


AS CINCO FORÇAS NATURAIS OU OS CINCO ELEMENTOS

Com os conceitos taoístas dos cinco elementos descreve-se minuciosamente a relação entre as forças naturais, o corpo e o espírito. Em todas as manifestações da natureza, entre as quais está incluído o ser humano, observa-se o efeito das mesmas forças e leis.

Na cultura ocidental foram formuladas as leis do mundo físico. Elas se limitam a aceitar unicamente aquilo que pode ser medido com métodos físicos e não podem ser aplicadas ao mundo das emoções e pensamentos, nem ao mundo da fantasia e da intuição. Isso nos levou a uma cultura unilateral, descrita em várias ocasiões: nossos conhecimentos do mundo material são muito ricos, precisos e variados e, apesar disso, nosso conhecimento das leis do mundo espiritual e psicológico é pobre, confuso e especulativo. Essa superioridade unilateral se expressa de tal modo que não nos damos conta das limitações que encarceram nossa mente. Um estudo sobre o I Ching*, o Livro das Transformações, o mundo espiritual dos lamas tibetanos, mestres zen japoneses ou xamãs indígenas mostra a existência de dimensões que superam de muito o psicológico e o conhecimento religioso das culturas européias.

A antiga cultura chinesa formulou as leis da natureza de tal modo que conseguiu explicar tanto os fenômenos observados no mundo material quanto os do mundo espiritual, além de encontrar uma relação enter eles de acordo com essas mesmas leis. A separação entre um mundo material e outro imaterial não existia, ao menos segundo nosso ponto de vista. Nas pessoas daqueles tempo existia a crença de que o mundo é um jogo de conjunto, de espíritos e demônios, de forças e de elementos naturais.

Como nas culturas que não dispõem de uma proteção técnica, essas pessoas tinham medo e um enorme respeito pelas forças naturais:o calor do verão que causa a seca, os tufões, as ondas gigantescas ou a ira dos deuses que se expressa no trovão. Era necessário invocar os espíritos protetores e contentar os demônios. Terra e fogo, céu e água eram divindades, cujos sinais era preciso levar em conta caso se quisesse sobreviver.

Os seres humanos começaram a observar e reunir experiências, que depois transmitiam de geração a geração. Observaram os ciclos da vida, o trajeto dos astros, as mudanças das estações e o firmamento. Também observaram os fenômenos da natureza na estreita relação com o homem, seus sentimentos, sua maneira de pensar, seus sonhos e suas doenças.

Nessas observações se cristaliza o ensino do Tao, que se descreve também como "o inominável, aquilo que dá origem a tudo sem ter direção alguma, nem vontade, nem objetivo. Aquilo que é." Do Tao surge a polaridade: Yin e yang, terra e céu, matéria e energia. De Yin e Yang nascem os Cinco Elementos que fazem surgir o mundo tal como é, que lhe dão forma, que o mantêm e o dissolvem de novo. É

importante compreender que nosso conceito de "elemento" não tem nada a ver com o conceito chinês. Os chineses não entendem elemento como uma substância material, e sim como uma força ou dimensão do universo. Vemos nas traduções que o conceito de elemento não se reduz a forças da natureza; descreve, ao contrário, as regularidades geralmente aceitas, ou princípios. Ao falar de elementos eles estão se referindo a fases de transformação da variedade de manifestações, da descrição de estados energéticos que voltam regularmente, coisa que coincide de maneira surpreendente com os conhecimentos da física moderna, sobretudo com sua idéia básica, a mecânica quântica e a Heisenbergsche Unschärferelation. Cientistas reconhecidos como Niels Bohr e Fritjof Capra reconheceram e demonstraram essa correspondência.

Segundo a visão chinesa, os Cinco Elementos expressam-se em todas as manifestações do cosmo: no firmamento, nas estações do ano, no clima, nas estrelas, nas plantas e nos animais, e também nos estratos rochosos e no ser humano. Os sentidos, órgãos e tecidos dos seres vivos acompanham os elementos, assim como os sentimentos e faculdades espirituais. Os elementos são forças que se mantêm mutuamente em equilíbrio, que se produzem mutuamente, que se transformam umas nas outras e se reprimem umas às outras. Quando a relação de forças dos elementos está em desequilíbrio, este se manifesta no ser humano como mal-estar e doença, e numa sociedade com debilidade, injustiça e guerra. Quando os elementos num ser humano, assim como num povo ou num país, encontram-se em igualdade de forças e em equilíbrio, há harmonia, saúde e beleza.


PARTE III

O ELEMENTO FOGO

A força do Fogo manifesta-se ao meio-dia e no sul (no hemisfério norte), em todas as épocas de floração, no calor e no verão. No ciclo Sheng o Fogo vem depois da Madeira: com a madeira se faz fogo. É chamado de Yang velho. No organismo humano o fogo é representado pelo Coração e pelo Intestino Delgado, pelo Pericárdio ou Mestre do Coração (Circulação-Sexo) e pelo Triplo Aquecedor. Manifesta-se também na língua e nas artérias, veias e capilares. Seu líquido corporal é o suor.

A natureza da Madeira é a expansão e o crescimento em todas as direções. A força do Fogo está dirigida verticalmente para cima. Vem das profundezas da terra para o céu, da matéria para o espírito, da esfera apática para a consciência. A força do Fogo toma a direção contrária à da força da gravidade. No campo espiritual-emocional o Fogo gera a alegria, a dança e o riso, a visão glohal e a consciência. Suas cores são o escarlate e o vermelho

Na China antiga havia uma cultura da corte com hierarquias rigorosas. A ordem social, cujo centro era o imperador e sua corte, considerava-se responsável pela harmonia entre o céu e a terra. Ao contrário da filosofia grega, que se baseia no cosmo e em suas leis naturais, e da filosofia indiana, com seus Vedas e suas Upanishads que entendem o ser interior dos homens como dimensão essencial do universo, encontramos no centro da cosmologia chinesa a ordem social e a ética. O comportamento correto dos homens leva a um comportamento correto da natureza. Quando a sociedade, a começar pelo imperador e sua corte, respeita as leis do Tao, o país fica a salvo de épocas de grandes secas, de epidemias, de fomes e de tufões. Essa visão social-mágica mantém a sociedade unida.

Essa maneira de ver as coisas impregnou também a medicina chinesa, onde se compara o organismo à corte e os diversos órgãos com as funções da corte. Por isso se diz: quando o homem individual cumpre suas obrigações sociais, respeita seus antepassados, acalma seus demônios e se mantém em contato com os espíritos elementares, que atuam através de seus órgãos, pensamentos e ações, mantém-se livre de enfermidades.

O órgão Yin do Fogo, o Coração, era chamado de príncipe do Fogo e soberano dos órgãos. Era considerado o centro da consciência, do sentir e do pensar. No coração manda Shen, o espírito do Fogo. O idelograma chinês Shen pode ser traduzido como "espírito", "alma", "Deus", "divino" e "eficácia". Quando dizemos que alguém tem "espírito", refletimos o significado desse ideograma.

Shen tem duas residências. A residência de baixo é o Coração, a partir de onde se encarrega de equilibrar os sentimentos e de favorecer uma maneira de falar sincera. Sua residência de cima é o terceiro olho, ou o chacra da frente, onde cria clareza de pensamentos e consciência no modo de viver. Quando essas faculdades são encontradas numa pessoa, seu Shenestá cheio de força e saúde. Isso se vê no brilho e na luz de seus olhos.

Quando o Shen está confuso e sem força, esse estado se manifesta em pensamentos pouco claros, falta de capacidade de pensar, uma maneira pouco clara de falar que pode levar a pessoa a pronunciar mal as palavras, a murmurar, balbuciar, gaguejar e até à mudez; tem altos e baixos emocionais muito grandes e diversas formas de histeria e de psicose maníaco-depressiva. Um Shen disperso e confuso expressa-se em nervosismo, pânico, medo do público, insônia e um olhar opaco. Todos esses sintomas têm sua base num transtorno do elemento Fogo.

Quando a energia de Fogo está intensa demais no Coração – os chineses a chamam de Shih, excesso – o exagero expressa-se num dilúvio de palavras, fofocas, suor em excesso e tensão nervosa. Essas pessoas acreditam que podem resolver tudo sozinhas, que podem controlar tudo. Muitas vezes não são capazes de delegar responsabilidades aos outros. Esta é uma característica dos estados emocionais e mentais da doença de mandar, que provoca amiúde um enfarte cardíaco ou uma insuficiência cardíaca. As investigações modernas da medicina ocidental sobre estresse, doenças causadas pelo estresse e tipos de personalidade que tendem à hipertensão e ao enfarte concentram-se naquele estado que os chineses denominam de Shih do Coração. Como veremos mais adiante, esse desequilíbrio surge na maioria dos casos por falta de energia do elemento Água.

Quando a energia do Fogo está muito fraca no Coração – o que se chama Hsu, deficiência – surgem as dificuldades de expressar-se clara e compreensivelmente, e a pessoa pode até ficar "sem fala", com o sentido do paladar reduzido ou ausente, tanto na língua quanto na psique.

O segundo órgão Yin do Fogo é o Pericárdio, também chamado de Mestre do Coração, ou Circulação-Sexo. É definido pela tradição chinesa como um primeiro-ministro ou chanceler do príncipe do Fogo, seu guarda-costas, o protetor do Coração ou sua fechadura. Sua tarefa é proteger o príncipe de danos e derrotas, transmitir suas instruções aos empregados e servos da corte e informar o príncipe do bem-estar destes últimos. No ser humano gera a generosidade consigo mesmo e com os outros, e a capacidade de irradiar calor e amor. O Mestre do Coração mostra-se em sua capacidade de dar e de saber acolher as dificuldades, as queixas, as críticas e o amor dos outros. Quando essa capacidade está bem desenvolvida, a pessoa é capaz de tomar algo "a peito", ou de deixar o seu coração falar. É carinhosa e calorosa. No outro extremo estão as pessoas que dizemos ter um coração frio, um coração de pedra, que são mesquinhas e que não lhes toca o coração. Nesse contexto seria interessante observar que uma pericardite que transcorre com dificuldade pode se converter, a nível orgânico, na chamada "couraça do coração".

Na fisiologia chinesa estão incluídas nas funções do Coração e do Pericárdio também o sistema circulatório e sua regulação. Por ele passam as artérias e veias como um "tecido" que pertence ao Fogo. Trata-se aqui de uma unidade funcional de coração, pericárdio, vasos sangüíneos e todos os hormônios e mecanismos de regulação que, aumentando ou reduzindo os vaoso, mantêm e dirigem a circulação sangüínea. Nos textos chineses clássicos o Mester do Coração é chamado muitas vezes de Rim-Yang, e parece comprovado que se trata do conceito mais antigo. Na medicina chinesa mais recente, o Rim-Yang está associado às glândulas supra-renais, cuja função principal, além de sua tarefa relacionada ao metabolismo, é dirigir a circulação sangüínea e manter o equilíbrio hídrico e dos eletrólitos. Essas definições mostram até que ponto o Mester do Coração assume uma postura central entre o Rim e o Coração, entre Água e Fogo, entre o pólo superior e o pólo inferior do ser humano.

Nesse contexto é preciso mencionar que os chineses diferenciam no organismo humano seis camadas de energias. Cada uma delas é nutrida, mantida e regulada por dois órgãos. A mais profunda dessas camadas, o núcleo de nosso corpo e de nossa personalidade, é composta pelos Rins e pelo Coração. Em alemão há um provérbio que reconhece essa relação: "provar alguém de rim e coração" (no sentido de colocá-lo à prova). Coração e Rim constituem a polaridade de Fogo e Água, de céu e terra, de cima e debaixo, de Deus e do Demônio, de Zeus e Hades, de Júpiter e Plutão, é o eixo vertical do ser humano. Num sentido mais amplo, é também a polaridade de cabeça e tronco.

Enquanto na Índia Shiva, o destruidor, é cultuado em igualdade de direitos com Brahma, o criador e com Vishnu, o conservador, e na China se considera fundamental o equilíbrio entre o que está em cima e o que está embaixo, a direita e a esquerda como uma meta a ser alcançada, a cultura ocidental atribui ao pólo de cima uma valoração de superioridade. Essa valoração levou a uma aspiração unilateral pelo alto e pelo bom, "de chegar ao céu" e, por outro lado, a criar o mal e o conceito de inferno. De acordo com essa idéia, as culturas ocidentais valorizam as regiões do Fogo – o amor, a língua e o espírito ("No princípio era o Verbo, e o Verbo estava em Deus, e o Verbo era Deus" é o início do Evangelho de João) – muito mais que as profundezas da Água – sexualidade, meditação e contemplação das camadas arcaicas da alma.

Uma relação existente entre o Rim e o Coração através do Mester do coração revela-se numa sexualidade satisfatória, que causa alegria e até o riso. Há um intercâmbio harmônico entre o dar e o receber, na capacidade de saber dar e receber amor. É característico que nossa cultura, embora libere a sexualidade de sua condenação, valoriza mais o orgasmo físico, que é uma função do elemento Água, que o espiritual.

Ainda que o Coração e o Pericárdio sejam os órgãos Yin do mesmo elemento, diferenciam-se bastante em seu campo de atuação. O Coração é responsável basicamente pelos "assuntos interiores". Suas funções são a clareza de pensamento, da linguagem, a responsabilidade e a capacidade de ter entusiasmo. Os nomes de alguns pontos do meridiano do Coração confirmam essa declaração. Shenmen (C7) significa "porta do espírito" ou "porta da consciência", Tongli (C5) significa "contato com o interior". Mas o Pericárdio é responsável pelos "assuntos exteriores" e regula o batimento e a freqüência cardíaca a nível orgânico, e a circulação do sangue. Um sintoma de falta de energia no Pericárdio é mãos e pés frios. Uma pessoa que tem pouco calor carece de energia no Pericárdio, assim como aquela que vive a sexualidade com pouca alegria; uma pessoa tacanha, a quem custa muito dar; uma pessoa que demora muito a "esquentar", ou uma pessoa fechada que nunca sorri.

Na verdade os pontos do meridiano do Coração são utilizados sobretudo para o tratamento de transtornos psíquicos como insônia, nervosismo, histeria, depressão e epilepsia, assim como transtornos da fala e dificuldades de ouvir os outros. Os pontos do meridiano do Pericárdio ajudam mais no caso de doenças cardíacas a nível físico como, por exemplo, dor no coração, angina pectoris, taquicardia, transtornos do ritmo cardíaco e debilidade circulatória. Mas alguns deles têm uma ação marcadamente psíquica.

O órgão Yang acoplado ao Coração é o Intestino Delgado. A chave da compreensão de sua função é a assimilação dos alimentos no processo de digestão. Do mesmo modo que a nível orgânico o Intestino Delgado se encarrega da absorção dos alimentos pelo sangue, também é responsável no espiritual pela assimilação de idéias. A falta de energia no Intestino Delgado é vista nas pessoas que absorvem conhecimentos, convicções e idéias fixas de outras pessoas sem antes digeri-las e que não conseguem formar, segundo seus próprios critérios, as próprias visões. Uma pessoa que tem a capacidade de assimilar é reconhecida por um sorriso sutil e silencioso nos olhos e em redor dos lábios.

O Mestre do Coração é acoplado ao órgão Yang Sanjiao, o Triplo-Aquecedor, um órgão que é mais um conjunto de funções que uma realidade orgânica. Segundo os ensinamentos chineses, existem "três cavidades ardentes" no organismo: a cavidade torácica (para a função respiratória), a cavidade abdominal (para a função) digestiva) e a cavidade pélvica (função excretora e reprodutiva).

A tarefa do Triplo-Aquecedor é coordenar entre si esses espaços funcionais como, por exemplo, ajustar a profundidade e freqüência da respiração aos processos de digestão ou sexualidade, e a regulagem da temperatura e do equilíbrio. Parece que o conceito chinês de Sanjiaoengloba vários centros de regulagem da temperatura corporal no cérebro, sobretudo no hipotálamo. O Triplo-Aquecedor é o mais complexo e, por isso mesmo, a conexão de funções do organismo mais fácil de desequilibrar. Nos textos clássicos aparece como mininistro do exterior do Fogo, como protetor dos órgãos Yin e Yang, e como ministro da energia, que supervisiona as diversas formas de chie garante sua distribuição por todo o corpo.

Quando o Fogo está em equilíbrio numa pessoa, o verão lhe traz alegria e satisfação. Uma pessoa assim tem equilíbrio interior e contempla os acontecimentos desse ponto de vista. Sabe quando deve falar, e quando deve car-se. Alegra-se sem cair no pieguismo, sabe guiar e dirigir os outros e sabe também quando é hora de se retirar. Seus olhos brilham. Conhece a bondade e a generosidade, e tem bom gosto.
*Uma versão deste livro pode ser encontrada na coleção Arca da Sabedoria, do Editorial Edaf.







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Tel: 0043/1/405 23 28 e-mail: achim.eckert@gmx.net

Fonte: http://www.heilendestao.at/lit_por_ht.htm

Thursday, November 01, 2007

DEMARCAR
.
Demarcar para quê?
Nada é nosso, mas tudo
É de todos: para, vê,
Defende como no judo.

UNIDADE
.
O superior é deus
Para o inferior;
E este é, com os seus
Mil, deus do superior.
.
Eu e tu somos só um;
O bicho é como nós;
O outro(a) somos nós num
Tempo ou lugar após.
.
Também somos um com coisa,
Com terra: como ave
Com o ramo onde poisa,
Como piloto e nave.

Tuesday, October 30, 2007

INDOEUROPEU


II. PRÉ-HISTÓRIA LINGÜÍSTICA
II.1. O indoeuropeu - o indoeuropeu, a proto-língua(antes da escrita?), era uma língua flexional. A flexão nominal era feita de acordo com a função sintática; a flexão verbal caracterizava-se, dentre outras marcas, pela presença do números singular, plural e dual. A proto-língua estava ligada a vários povos de cultura pastoril e guerreira. Com a fragmentação da antiga unidade indoeuropéia surgiram duas grandes famílias lingüísticas:
ramo europeu - línguas centum, que conservaram as antigas oclusivas guturais do indoeuropeu;
ramo asiático - línguas satem - evolução das oclusivas guturais para consoantes fricativas. Ex: latim - equus, sânscrito - açvas
Distribuição dos ramos oriundos do indoeuropeu
Ramo europeu - centum Ramo asiático - satem
Grego Sânscrito
Itálico Iraniano
Eslavo Armênio
Báltico *Hitita
Albanês *Tocário
ºIlírico *Frígio
ºTrácio
Germânico
º = línguas extintas; * = línguas mortas
QUADRO COMPARATIVO DAS LÍNGUAS INDOEUROPÉIAS
( apud BUNSE:1983,17)
Sânscrito Grego Latim Gótico Inglês Alemão
asmi eimi sum im am bin
asi ei es is are bist
asi esti(h) est ist is ist
smas esmen summus si(j)um are sind
stha este estis si(j)uth are seid
santi eisi(n) sunt sind are sind
II.2. Línguas germânicas na Europa e em outros continentes
a) Europa - alemão, dinamarquês, feróico (Ilhas Feröe), frísio (província holandesa de Friesland), holandês, inglês, islandês, letzeburguês (dialeto franco-moselano do alemão em Luxemburgo com status de língua), norueguês e sueco.
b) Outras regiões - afrikaans (desde 1925 a segunda língua da República Sul Africana);
iídische (antes da Segunda Guerra Mundial falado a leste e sudoeste da Europa. Hoje em dia falado na América do Norte e América do Sul).

Fonte: http://www.filologia.org.br/vicnlf/anais/caderno02-01.html

RUNAS

Durante os últimos vinte anos, observou-se no Ocidente um crescente interesse pelas várias formasde religião oriental, tais como o budismo, o hinduísmo e o taoísmo. Em termos populares, esse interesse manifestou-se em atividades como a ioga e a meditação transcendental e no estabelecimento muito difundido de cultos religiosos orientais que giram em torno de indiví­duos que se dizem gurus.
Numa reação oposta a esse afluxo de religiões orientais, muitas pessoas também demonstraram um crescente interesse pelas verdades espirituais contidas nas antigas culturas célticas e por suas filosofias esotéricas. Isso levou ao re­nascimento da arte céltica como uma força espiritual, à formação de grupos de estudos neodruídicos e à criação de círculos pagãos que reivindicavam vínculos tradicionais com a versão céltica da Velha Religião pré-cristã.



Só recentemente, nos últimos oito ou nove anos, manifestou-se algum novo sinal de interesse pelas formas não-célticas das antigas crenças religiosas praticadas pelos povos anglo-saxônicos e escandinavos. Nos últimos anos, pesquisas sérias se desenvolve­ram nesse campo, especialmente no tocante às runas anglo-saxônicas e nórdicas. De início, essas pesquisas eram de natureza superficial e lidavam de um modo elementar com o alfabeto rúnico como um sistema de adivinhação. Embora esse seja um aspecto importante das runas, elas encerram também um significado espiritual associado à religião pagã da Europa setentrional que se originou na Idade do Bronze e no Neolítico.

O propósito deste livro é tríplice: primeiro, explorar as runas a partir de uma perspectiva histórica e descrever suas origens; segundo, revelar seu uso prático como um método eficaz de pre­dizer o futuro; terceiro, demonstrar que são símbolos arquetípicos de um sistema de crenças espirituais comparável a filosofias orientais como as do I Ching e do Tao Te King. Ante o atual desencanto com a religião estabelecida, é de se esperar que as pessoas inteligentes venham a promover formas alternativas de espiritualidade. Ao apresentar a antiga sabedoria das runas, temos por escopo mostrar àqueles que buscam uma realidade espiritual que existe uma filosofia de base ocidental com a qual poderão entrar facilmente em contato, já que seus símbolos fundamentais estão profundamente gravados na consciência popular. Mesmo os nomes dos dias da semana derivam dos velhos deuses e deusas nórdicos. Seus títulos, além disso, estão gravados em muitos topônimos britânicos que constituem relíquias dos dias da dominação viking e saxônica.

Quando se invocam esses símbolos arquetípicos, os resulta­dos podem ser deveras surpreendentes. Como a escritora escocesa Fiona MacLeod formulou tão claramente: "Os Velhos Deuses não estão mortos - nós, sim". Sob a superfície da sociedade moderna, os deuses pagãos continuam tecendo suas fórmulas encantatórias. Os críticos do sistema de crenças espirituais pagãs costumam condená-lo como atávico, primitivo ou bárbaro. Há, decerto, aspectos do velho paganismo que as pessoas modernas têm dificuldade em compreender ou abordar. Este livro não ten­tara atenuar os aspectos mais sombrios da adoração dos deuses pagãos. Importa reconhecê-los e aceitá-los dentro de seu contexto histórico, do mesmo modo que se impõe aceitar o lado mais sombrio do nosso mundo contemporâneo. No entanto, um es­tudo sério e equilibrado do paganismo, especialmente de suas relações com os novos problemas ecológicos que se apresentam nos dias de hoje, revelará sua relevância para a presente crise planetária. No momento em que a humanidade se empenha numa luta desigual contra sua própria destruição e a da natureza, os ensinamentos da Velha Religião pagã nos oferecem um caminho alternativo. Esses ensinamentos nos são revelados mediante o uso das runas, que proporcionam um projeto pagão de esclarecimento espiritual tanto pessoal como coletivo.

Evidentemente, qualquer menção à palavra "runa" em nos­sos dias evoca imagens bizarras de encantamentos mágicos secretos, maldições e feitiçaria da Idade Média. Lançar as runas tornou-se, no folclore popular, algo relacionado com magia negra, filmes de terror e a fantasia dos escritores de novelas sobrenaturais. Na verdade, as runas, tanto em suas versões nórdicas como saxônicas, nada têm a ver com misteriosos rituais executa­dos à luz da lua cheia ou qualquer dos outros pesadelos do mundo pseudo-oculto. As runas são um alfabeto mágico e sagrado usado pelos antigos povos da Europa setentrional com finalidades seculares e espirituais, incluindo a adivinhação do futuro. Sua justificada e sinistra imagem resulta da rejeição da sabedoria pagã pela Igreja cristã medieval. Com o advento do cristianismo, os Velhos Caminhos foram condenados como adoração do demônio e magia negra. As práticas pagãs proibidas incluíam vá­rios métodos ocultos (escondidos) de predição do futuro, pois os sacerdotes cristãos acreditavam que só Deus poderia ter o conhecimento de tais assuntos. Os pagãos, segundo a definição cristã, "ateus", e por isso deviam estar sendo iludidos pelos demônios, a quem adoravam como deuses, quando se diziam capa­zes de prever os acontecimentos. O termo "pagão" deriva do latim "paganus", termo que designa uma pessoa que reside no campo. Essa é uma referência ao período em que os citadinos cultos do Império Romano estavam sendo convertidos à nova religião, enquanto a gente do campo ainda seguia os Velhos Caminhos.

Conquanto na Idade Média o termo "runa" tivesse degenerado a ponto de ser comumente usado para descrever qualquer palavra ou símbolo mágico usado numa feitiçaria ou encantamento seu sentido original refletia a tradição da Sabedoria Antiga que ele efetivamente representava. A palavra "runa" pode ser rastreada até o norueguês antigo "run': que significa um mistério ou segredo. Decorre daí o fato de o conselheiro particular do rei, no poema épico anglo-saxônico Beowulf, ser chamado “Run-Wita” ou pessoa que conhece os segredos. "Run" veio provavelmente do alemão antigo "runa”, que significa "aquele que sussura”, e originariamente do radical indo-europeu "ru", que significa "coisa misteriosa e secreta". A desusada gíria "to rown”, “room” ou “round" (1) nos ouvidos de outra pessoa era muito utilizada entre os povos anglo-saxônicos e durante o começo da Idade Média. Designava o ato de passar uma informação ou mexerico secreto num cochicho.

É evidente que nem sempre a informação secreta assim transmitida constituía um simples mexerico da corte ou da aldeia. A indicação de que os segredos sussurrados eram de certo modo misteriosos sugere um método oral de ensino do saber arcano. No mundo clássico de Roma e da Grécia, a expressão "religião dos mistérios" era usada exclusivamente para formas de espiritualidade que envolviam a iniciação num culto secreto que pro­metia contato direto com os deuses ou forças divinas, representantes simbólicos dos diferentes aspectos da natureza. Esses cultos do mistério floresceram secretamente como alternativas pa­ra a religião do Estado ou existiram como um ensinamento oculto, reservado a uma minoria do sacerdócio estabelecido.

Pode-se, pois, admitir com segurança que as runas, embora usadas como um alfabeto secular, tinham originariamente um significado espiritual. A pessoa que sussurrava os segredos ou runas era um sacerdote ou uma sacerdotisa da Velha Religião pagã, ou um xamã (mago) que operava fora do sacerdócio oficial. Alguns etimologistas sugeriram que o termo "runa" designa não apenas um sussurrador de segredos como também uma "pessoa que sabe", isto é, "um sábio", que pratica as artes secretas da magia. Quando falamos em magia neste livro, não nos referimos aos truques do mágico de feira, mas a um complexo sistema de exercícios psico-espirituais destinados a provocar mudanças na consciência do mago. As pessoas que empregavam as runas com finalidades mágicas acreditavam que a força vital existente em todos os seres vivos e em muitos objetos inanimados podia ser usada para produzir mudanças sutis na realidade. Muitos desses efeitos são de natureza psicológica, mas isso não diminui o seu impacto, tanto no cenário antigo como no moderno.

Como uma interessante informação subsidiária sobre o fato de o runa ou pessoa que sussurra ser um mago, pode-se traçar um paralelo entre essa definição e o antigo culto dos Sussurradores do Cavalo. Estes constituíam uma sociedade secreta rural organizada nas linhas maçônicas e cujos membros eram recrutados nas fileiras dos moços, ferreiros e trabalhadores agrícolas que li­davam com cavalos. Dizia-se que os membros dessa fraternidade possuíam um conhecimento secreto, ou poderes mágicos, que os capacitava a domar cavalos selvagens e curar animais doentes. Esses atos eram executados mediante o uso de palavras mágicas, encantamentos e o sussurro de fórmulas secretas ao ouvido dos cavalos. Tais fórmulas eram hermeticamente guardadas pelos Sussurradores do Cavalo. Só eram transmitidas aos novos inicia­dos depois que eles faziam um terrível juramento de fidelidade aos outros membros. Com freqüência os ferreiros eram eleitos grão-mestres da fraternidade, pois os camponeses tradicionalmente os consideravam magos naturais. Os Sussurradores do Cavalo constituem provavelmente um resquício da antiga adoração pré-­cristã dos cavalos como animais sagrados dos deuses. A adoração dos cavalos era muito difundida na Idade do Ferro entre os celtas, escandinavos e germanos. Acredita-se que a Sociedade dos Sussurradores do Cavalo ou da Palavra dos Cavaleiros ainda exista em remotas áreas campestres, especialmente na Escócia e em East Anglia.

Onde e como as runas surgiram como alfabeto? A origem das runas talvez seja o mais indecifrável de todos os mistérios. Escreveram-se sobre o assunto mais absurdos do que sobre to­dos os outros alfabetos antigos, incluindo o hebraico e o egípcio, aos quais também se atribuiu um sentido mágico e religioso.

Alguns especialistas em alfabetos e línguas antigos aventaram a hipótese de que as runas tivessem derivado do alfabeto latino padrão, o que implicaria uma gênese relativamente recente. Essa suposição tem como ponto de partida o fato indiscutível de que vários dos caracteres rúnicos se assemelham às letras do alfabeto latino. Um perito alemão datou as runas do início do período cristão, enquanto outro afirma que o alfabeto se desenvolveu na época em que os exércitos romanos ocuparam a Germânia. Teria sido, então, levado para a Escandinávia por viajantes. No entanto, outro perito sustenta que as runas são de origem grega e que foram adotadas pelos godos a partir de uma mistura dos alfabetos grego e romano. Segundo essa teoria, as runas se origina­ram no mar Negro por volta do século III da nossa era. Foram então levadas aos países célticos por mercenários germânicos, e finalmente chegaram às regiões n6rdicas.

Segundo o professor R. W. Elliott, as teorias que supõem origem grega e latina estão sujeitas a muitas críticas. Ele acredita que as runas tenham se originado na região alpina do norte da Itália e que, apesar das semelhanças 6bvias com o alfabeto latino ortodoxo, pertençam a uma linhagem muito mais antiga. Para justificar sua afirmação, Elliott menciona o uso de símbolos ou letras mágicas gravadas em bastões como forma de adivinhação pelas antigas tribos que habitavam o Tirol italiano. Essa prática é muito semelhante à gravação de runas em pedaços de madeira especiais usados para adivinhar o futuro pelos sacerdotes germânicos e n6rdicos.

Elliott especula também que algum antigo mestre rúnico da Germânia poderia ter aprendido as runas em sua forma italiana e passado a usá-las. Da Germânia elas teriam passado ao norte, ao longo das rotas comerciais então existentes, chegando às tribos costeiras do mar do Norte. Dali teriam alcançado a Jutlândia e a Escandinávia. Embora apresentem semelhanças com o alfabeto latino e possam ser vertidas diretamente para as letras inglesas atuais, é provável que as runas tenham tido uma origem independente na Pré-Hist6ria.

Os especialistas sugerem que as runas podem ter uma genealogia comum à das gravuras rupestres pré-hist6ricas conhecidas como caracteres de Hallristinger, usadas pelos povos do Neolítico e da Idade do Bronze. Aventou-se que os traços retos e angulosos das runas se devem ao fato de elas terem sido originariamente gravadas em pedra. Esse método de gravar símbolos ou caracteres antigos teria impedido o uso de letras redondas ou curvas.

Os caracteres de Hallristinger foram usados inicialmente pelos homens da Idade do Bronze que viveram por volta de 1300-­1220 a.C. Esses caracteres, a exemplo dos antigos hier6glifos egípcios, consistem em símbolos que encerram um significado religioso. Incluem diversas variações do círculo: um círculo com um pingo no centro, círculos com cruzes gregas no interior e círculos com oito raios que se estendem a partir do centro.



Os caracteres de Hallristinger

Esses antigos caracteres, encontrados em gravuras rupestres, constituem uma das formas mais antigas de escrita européia. Cada um dos símbolos tem um significado especial na tradição religiosa xamanista; neles estão representados a adoração solar, a fertilidade, as estrelas e o cosmos, assim como conceitos místicos. Acredita-se que os caracteres de Hallristinger tenham sido os antecessores do alfabeto rúnico, ao qual se assemelham.

Todos eles representam o sol e sugerem a adoração solar pagã. Outros caracteres de Hallristinger, como espirais, linhas onduladas e triângulos invertidos, podem ser identificados como símbolos mágico-­religiosos associados à sexualidade feminina e à adoração da Grande Deusa Mãe.

Uma forma que se destaca nos caracteres de Hallristinger é a suástica. Esse signo antigo foi desvirtuado devido ao uso que o Partido Alemão fez dele, durante o período de 1933-45, adotando-o como emblema por causa de seu significado mágico e de sua origem na velha cultura indo-européia ou ariana. Com isso, destruiu-se o seu simbolismo anterior como representação da força vital. Muitos dos líderes nacional-socialistas, incluindo Adolf Hitler, interessavam-se pelas runas. Eles estavam, pois, bem conscientes da antiga relação da suástica com as idéias religiosas que formavam a base espiritual do sistema rúnico.

A suástica tem origens muito antigas. Uma gravura rupestre pré-histórica encontrada perto de Ilkley, em Yorkshire, mostra um símbolo suástico. Outra suástica pode ser vista numa inscrição medieval numa igreja de Sutton, em Bedfordshire. Um desenho mostra uma figura masculina de cabelos compridos dançando. Uma das mãos está erguida, enquanto a outra aponta para baixo, num gesto ritual clássico, indicando que o céu e a terra são unos. No peito do dançarino há a representação de uma suástica estilizada. Esse desenho particular é idêntico a outros encontrados os na igreja de Little Waltham, em Essex, nos caracteres de Hallristinger e na pedra pré-histórica de Yorkshire.

A suástica é um símbolo arquetípico universal. Sob várias formas, pode ser encontrada nas religiões dos astecas, budistas, chineses, dinamarqueses, hindus, americanos nativos, saxões e escandinavos. A palavra "suástica" é sânscrita e significa literalmente “tudo está bem". Acredita-se que ela derive da roda do sol ou da cruz grega dentro de um círculo, que constitui outro símbolo importante entre os caracteres de Hallristinger. Ela denota o movimento diário do sol através do céu e o ciclo anual das estações, referidos ritualmente na observância religiosa pagã. No Extremo Oriente, a suástica é conhecida em toda parte como um símbolo de boa saúde, felicidade, sorte e perfeição cósmica.

Há indícios de que a suástica tenha sido usada pela Igreja durante o período medieval, muito embora o Partido Nacional ­Socialista Alemão possa tê-la adotado especificamente como seu emblema político por ser um símbolo pagão. Nigel Pennick, que escreveu extensamente tanto sobre a suástica como sobre as runas, afirmou que a mitra usada por Thomas Beckett quando foi assassinado apresentava uma borda de suásticas. Tinha também uma inscrição pagã: "Salve, ó Terra, Mãe do Homem. Possas tu prosperar no abraço de Deus e inundar-te de frutos para o bem do homem". Murmurou-se que Beckett tinha vínculos clandestinos tanto com a Velha Religião pagã como com a religião he­rética dos cátaros, e que sua morte fora um homicídio ritual. Pennick cita também o uso cristão da suástica num vitral da Igreja do Santo Sepulcro, em Cambridge, e numa igreja de Cliffory, no condado de Sligo, onde há uma pedra de idade desconhecida com uma cruz céltica e uma suástica entalhadas. Todos esses exemplos cristãos podem ser reminiscências pagãs, mas que dizer da suástica gravada que foi encontrada nas ruínas de uma antiga sinagoga judaica a leste do Jordão, mencionada por Pennick?

A suástica está diretamente vinculada às runas pelos caracteres de Hallristinger, assim como pelo fato de ser freqüentemente encontrada nas vizinhanças dos símbolos rúnicos. Um exemplo clássico é o do famoso menir de Hogby, na Suécia. Esse menir está gravado com várias runas, assim como com cruzes gregas, cruzes do Calvário cristão, espirais e suásticas. Pennick cita a in­fluência escandinava sobre a vizinha Finlândia, que também possui tradições xamanistas nativas. Ainda em 1939, aviões da Força Aérea Finlandesa exibiam a insígnia da suástica em suas asas. Tanto as medalhas militares como as civis emitidas pelo governo finlandês usavam a suástica em seu desenho. Assim que as tropas alemãs invadiram a França, em 1940, a suástica desapareceu, salvo nas bandeiras e insígnias militares nacional-socialistas. No co­meço dos anos 30, o escritor inglês Rudyard Kipling ordenou que a suástica que antes adornara as capas de seus livros fosse retirada. Kipling não advogava o nacional-socialismo; como amante apaixonado da Índia, usara a suástica em seu antigo sentido, como um amuleto de boa sorte.

O nacional-socialismo adotou a suástica por ser ela um símbolo místico que tinha um significado considerável para a raça ariana ou indo-européia. De acordo com sua ideologia política, um ariano era qualquer pessoa não-judaica de ascendência teutônica ou nórdica. A palavra "ariano" equivale, em sânscrito, a "nobre" e se refere aos povos cavaleiros e guerreadores que surgiram perto do mar Cáspio com uma identidade racial própria por volta de 3000 a.C. Foram eles os ancestrais dos povos tribais germânicos, romanos, gregos, eslavos e iranianos, que formaram a base da atual família européia de tipos raciais. Os arianos ou indo­europeus domesticavam cavalos selvagens, criavam gado e adoravam deuses e deusas que eram personificações das forças da natureza. Esses povos arianos invadiram a Índia por volta de 1500 a.C. e colonizaram a Grécia antiga e a Ásia Menor.

Hitler acreditava fervorosamente que a raça alemã descendia dessa antiga raça de nobres guerreiros. No auge da última guerra, enviou expedições à Índia e ao Tibete em busca de provas que apoiassem suas teorias raciais. Especificamente, essas expedições esperavam estabelecer contato com uma tribo semilendária de arianos brancos que se supunha viver num vale remoto do Himalaia. Essa tribo misteriosa pode ter sido o modelo original dos Mestres Ocultos ou da Grande Fraternidade Branca, que, segundo ocultistas teosóficos do século XIX, viviam no Tibete e guiavam os passos da humanidade. 'Embora a expedição de Hitler tenha fracassado, revelou-se em 1984 que um explorador francês estabelecera contato com esse povo. Até que publique suas descobertas, entretanto, será impossível dizer se a existência desse povo comprova as teorias nacional-socialistas sobre a pureza racial alemã. Isso parece muito pouco provável.

Ignorando as fantasias raciais de Hitler, podemos situar historicamente a origem das raças germânicas e escandinavas que usaram as runas. As primeiras referências detalhadas às tribos germânicas foram feitas por Júlio César, que lutou contra os celtas na Gália e na Bretanha. César defrontou-se com os germanos, que viviam na Escandinávia e na região que é hoje a parte setentrional da Alemanha. Parece que os germanos estavam intima­mente ligados aos celtas e partilhavam com eles a mesma linhagem indo-européia. Com efeito, no século II a.C. as tribos germânicas e célticas se uniram para atacar os exércitos do Império Romano.

Conquanto os romanos civilizados considerassem bárbaras (do grego "barbaros", que significa "estrangeiro", mas é usado atualmente para designar uma pessoa selvagem ou inculta) todas as outras raças, os povos germânicos possuíam uma estrutura social muito complexa e, pelos padrões contemporâneos, sofistica­da. Viviam em aldeias bem-construídas e em grandes fazendas onde criavam gado e plantavam. Suas casas eram solidamente edificadas, com paredes de varas trançadas e teto de sapê sustentado por vigas transversais. Próximo às casas de moradia havia construções menores, identificadas pelos arqueólogos como oficinas, padarias, depósitos de alimentos, barracões de tecelagem e celeiros.

Muito embora germanos e romanos tenham sido inimigos durante vários períodos históricos, havia entre eles estreitos vínculos comerciais, relacionados com o ouro e a prata, a joalheria, a cerâmica e as armas. Essas permutas mercantis eram bilaterais, pois tanto os romanos adquiriam produtos dos chamados bárbaros quanto estes de Roma. Mesmo depois do colapso, esses importantes vínculos comerciais se mantiveram, na medida em que os mercadores germânicos comerciavam com o Oriente Pr6xi­mo e o Império Bizantino.

Grande parte de nossos conhecimentos sobre as tribos germânicas vem de Cornélio Tácito, soldado, senador e historiador romano falecido em 120 d.C. Em seu famoso livro Germania, ele descreve os costumes e as relações sociais das tribos germânicas. Tácito tinha uma opinião nada lisonjeira acerca da decadente sociedade romana de seu tempo e com freqüência comparava as degeneradas atividades de seus concidadãos com as virtudes da sociedade tribal germânica. Certamente há poucos indícios de que ele endossasse a crença, bastante difundida entre seus contemporâneos, de que o mundo bárbaro começava fora das por­tas das cidades romanas.

Como ex-soldado, Tácito estava naturalmente interessado nas habilidades guerreiras das tribos germânicas e em seu armamento. Ele mostra como os germanos utilizavam lanças curtas de lâmina estreita, que podiam ser usadas tanto à queima-roupa como lançadas à maneira de dardos. Com freqüência, os soldados com­batiam nus (à moda céltica) ou vestidos com uma capa curta de lã. Sabemos por outras fontes que os germanos usavam dardos farpados, machados de arremesso de gume duplo e a seax, uma espada de lâmina larga e curta, ao estilo romano. Os escudos parecem ter sido usados tanto como defesa quanto simbolicamente. Todo guerreiro que jogasse fora seu escudo durante uma batalha ficava desonrado e perdia o direito de participar dos ri­tos religiosos.

Quanto à sociedade, Tácito nos diz que os germanos escolhiam seus soberanos entre os homens e mulheres de nascimento nobre. A tradição espiritual de uma realeza divina estava bem-estabelecida entre os povos da Europa tribal. Os comandantes de seus exércitos confiavam mais no exemplo do que na autoridade e muitas vezes conduziam os homens na batalha. Tácito in­forma também que os germanos levavam para a batalha emblemas religiosos, totens e imagens divinas procedentes de seus bosques sagrados para proteger-se do inimigo. Não raro consagravam-se ao deus da guerra Tyr antes de partir para a batalha. Os soldados eram também acompanhados pela família nas campanhas fora do país. Os romanos diziam que os exércitos germânicos à beira da derrota se reanimavam à vista de suas mulheres, que, desnudando os seios, gritavam-lhes palavras de encorajamento. Conquanto as sociedades germânicas e escandinavas desse período tenham uma imagem masculina, Tácito afirma que as mulheres ocupavam nelas uma posição de destaque. Os germanos acreditavam que as mulheres possuíam uma divindade inerente e um dom de profecia natural. Daí seus conselhos serem avidamente procura­dos quando se tratava de questões de importância para a tribo.

Para os assuntos mais relevantes, uma assembléia dos chefes de cada clã era convocada com o fito de discutir a situação. Essas assembléias realizavam-se depois da lua nova ou da lua cheia, ocasiões consideradas auspiciosas pelos germanos, que, diz Tácito, contavam a passagem do tempo pelas noites, e não pelos dias. Esse seria um traço remanescente das sociedades matriarcais pré­históricas que floresceram na Europa antiga. Cada chefe tinha a oportunidade de emitir suas opiniões durante a assembléia, e, se os guerreiros gostassem do que ouviam, entrechocavam suas espadas. Caso contrário, gritavam-lhe insultos. Além do autogoverno, essas assembléias ministravam justiça. A pena capital era reservada aos crimes mais sérios, como o assassínio ou a traição. Os crimes menores eram punidos com multas pagas em gado ou com o confisco de propriedade. Parte das multas ia para o Grande Rei e o resto era dado à vítima do crime ou aos seus parentes. Democraticamente, a assembléia elegia magistrados que administravam justiça nas aldeias em âmbito local. Eram assistidos por representantes eleitos entre o povo. Embora todos os germanos tivessem o direito de usar armas, a assembléia devia estar convencida de que o portador era suficientemente competente para usá-las antes que a permissão fosse concedida.

O traje diário universal na Germânia à época da visita de Tácito era uma grande capa presa por um broche. Na estação fria, usavam-se também grossas peles de animais. A roupa feminina consistia numa simples capa e numa túnica interna sem mangas, de linho ou de lã. Embora Tácito não mencione a joalheria, sabemos, graças a descobertas arqueológicas de objetos da colonização saxônica da Inglaterra, que os germanos usavam ornamentos, nos quais se exibia um artesanato considerável.

Em contraste com a licenciosidade sexual reinante em Ro­ma, Tácito via os germanos como um povo virtuoso. Dizia ele que os germanos eram os únicos entre os povos não-romanos a ter apenas uma esposa oficial. Havia algumas exceções, como entre os membros da classe política superior, que por razões de Estado precisavam tomar outras esposas a fim de forjar alianças. Os dotes matrimoniais eram trocados entre as duas famílias co­mo um ato ritual destinado a propiciar o favor dos deuses que presidiam a fertilidade. Tácito obviamente considerava os germanos puritanos, segundo os padrões romanos. No entanto, há indícios de que os povos germânicos e escandinavos consideravam o ato sexual uma forma de adoração à força vital. Uma de suas mais importantes festas sazonais era realizada no despontar da primavera, quando um homem e uma mulher, que representavam o deus e a deusa da fertilidade, se acasalavam ritualmente. Reminiscências populares dessa festa da primavera sobreviveram no período cristão, como no dia 1o.de Maio, que, a despeito dos protestos de clérigos indignados, não raro envolvia espalhafatoso simbolismo sexual e jogos eróticos.

Os germanos tinham aparentemente uma vida social muito sadia. Tácito observou que nenhuma outra nação manifestava tamanho apego a festas. Era considerado um sério insulto não acolher um viajante em casa. Ele ou ela devia ser convidado a entrar e receber os melhores alimentos e bebidas disponíveis. Não se fazia distinção entre amigos e estranhos no tocante à hospitalidade. Em contraste com as ricas iguarias das mesas romanas, os alimentos das festas germânicas eram simples e consistiam geral­mente em carne fresca, frutos silvestres, coalhada e vinho de cevada.

Com o declínio do poder imperial romano, teve início a expansão dos reinos tribais germânicos. Na escola nos ensinam que, depois da queda do Império Romano, a Europa mergulhou nu­ma Idade das Trevas bárbara, que só foi iluminada pelos ensina­mentos da cristandade medieval. Como vimos, os povos tribais da Europa, tanto os germanos como os celtas, possuíam uma for­ma civilizada de sociedade, invejada por alguns romanos. Embora dominação da Inglaterra pelos saxões seja encarada como um ato bélico, não foi assim que começou. No século VI o monge Gildas, que testemunhou o fim da Pax Romana, observou que os germanos eram admitidos na Bretanha "como lobos num aprisco". Originalmente, mercenários saxônicos eram convidados pelos celto-romanos a ir à Bretanha para defender a população nativa contra os ataques dos piratas nórdicos.

Outro monge, Beda, escrevendo no século VIII d.C., afirmou que os primeiros povoadores convidados a entrar na Inglaterra foram os saxões, os anglos e os jutos. Alguns germanos foram levados à Bretanha pelos romanos, porque estes adotavam a política de recrutar soldados nas terras conquistadas. Mesmo antes da retirada das legiões romanas, soldados saxônicos tinham feito ataques esporádicos à costa inglesa. Em 367 d.C. os saxões, aliados aos pictos e aos escoceses, invadiram o norte da Inglaterra. Conhecem-se muitos povoamentos saxônicos que se estabelece­ram no sul da Bretanha nos últimos dias da ocupação romana.

Em 428 d.C. os comandantes saxônicos Hengist e Horsa, que parecem ter sido também sacerdotes do culto do cavalo sagrado, foram chamados à Bretanha para ajudar a protegê-la de ataques externos. Os dois saxões chegaram com vários navios carrega­dos de tropas armadas. Quando, finalmente, os governantes britânicos exigiram a saída dos saxões, a situação converteu-se em guerra aberta. Em 495 d.C., o líder celto-romano Artur obteve várias vitórias contra os saxões, mas acabou sendo morto numa batalha. Com ele morreu a última resistência organizada ao estabelecimento dos reinos saxônicos no sul da Inglaterra.

Os invasores saxônicos ainda eram predominantemente pagãos, embora existam testemunhos de santuários cristãos na Bretanha romana. Há amplos indícios de que o uso das runas estava bem-estabelecido entre os invasores saxônicos. A seax ou espada curta era usada pela maioria dos guerreiros germânicos. Acre­ditava-se que algumas dessas armas, especialmente as que tinham sido abençoadas num bosque sagrado, possuíam poderes mágicos. Tais espadas podem ser facilmente identificadas porque possuíam uma conta de âmbar ou um pedaço de cristal de rocha incrustado no punho. O âmbar era considerado sagrado pelos antigos pagãos. Os proprietários desse tipo de armas costumavam dar-lhes nomes individuais, como Desencadeadora de Tempestade ou Matadora de Inimigos. Acreditava-se que elas tinham existência independente, alimentada pela força vital dos inimigos a quem matavam.

Algumas dessas espadas mágicas eram gravadas com runas. Um exemplo famoso é a seax desenterrada em Faversham, em Kent. Há nela uma letra rúnica, Tyr, em forma de seta apontada para o céu. Essa runa está especificamente associada ao deus da guerra Tyr ou Tiw. É óbvio que essa espada tinha sido dedicada por seu proprietário a esse deus numa cerimônia religiosa. Todo guerreiro cuja espada estivesse gravada com a runa de Tiw tinha a vitória garantida. Segundo um antigo poema nórdico (ver p. 51 do livro A Sabedoria Sagrada das Runas), aquele que quisesse tornar-se hábil nas artes marciais devia familiarizar-se com a runa da guerra. O nome de Tiw devia ser talhado no punho de sua espada, no dorso da lâmina e duas vezes na "face brilhante".

Dois outros exemplos de armas gravadas com runas são dig­nos de nota. Um deles é a espada de ferro encontrada na ilha de Wight. Gravada na bainha de prata, há uma inscrição rúnica em que se lê "Ai das armas do inimigo!" e "Aumento da dor", uma descrição horripilante do potencial da espada. Outra descoberta arqueológica foi descrita como a pedra de Roseta de Rune­lore. Era a lâmina quebrada de uma seax retirada do fundo do Tâmisa em 1857. Ela continha o alfabeto rúnico completo e mais uma palavra escrita com caracteres rúnicos que se acredita ser o nome de seu proprietário. Segundo alguns peritos, essa espada teria sido fabricada em Kent e dataria do século IX d.C.

Assim como os germanos começaram sua colonização da Bretanha por ataques costeiros, os nórdicos ou vikings também iniciaram suas investidas quando os primeiros reinos saxônicos se estabeleceram. Para compreender a influência dos vikings na Europa medieval, temos de identificar com precisão a era dos vikings. Ela durou de 800 a 1000 d.C. Ao longo desse período, os vikings mantiveram vínculos comerciais regulares com o Oriente Médio. Negociavam pedras preciosas e peles, que empregavam para abrir rotas comerciais até o Extremo Oriente, incluindo a Índia. Graças a esses contatos, a prata e a seda árabes chegavam à Europa setentrional e ocidental. Quando esse comércio internacional entrou em colapso, devido às guerras na Rússia e no Oriente Médio, os ataques isolados dos piratas nórdicos foram subtituídos por invasões das áreas costeiras européias por grandes contingentes de guerreiros fortemente armados.

A mais conhecida dessas incursões na história inglesa foi o ataque ao Mosteiro de Lindisfarne, em Northumberland, em 793 d.C. Foi desse ataque que nos ficou a imagem do viking como um raptor de cabelos compridos e capacete provido de chifres. O ataque foi precedido por sinais de mau agouro. Segundo a Crônica anglo-saxônica, houve redemoinhos, tempestades e a visão de dragões no céu antes do ataque viking. Tornou-se crença generalizada entre os monges que a pilhagem e a destruição de Lindisfarne tinham sido um castigo de Deus por causa dos pecados do povo. Os monges não especificam que pecados seriam esses, mas ou eram de natureza sexual ou constituíam a manutenção de práticas pagãs.

A partir do século IX, as incursões vikings se intensificaram. Em 839, um vasto contingente de invasores noruegueses atacou a Irlanda e tentou substituir a religião cristã pela adoração ao deus do trovão Thor. No entanto, em 844 o chefe viking foi captura­do pelos irlandeses e afogado. No final do século IX, grandes áreas do norte da Inglaterra e sul da Escócia estavam sob o domínio dos vikings. No século X eles receberam terras no norte da França em troca da promessa de cessar seus ataques e ocuparam fortalezas saxônicas no sul da Inglaterra.

Os nórdicos conseguiram esses sucessos porque tinham uma sociedade organizada. Na Escandinávia, a estrutura social viking era tão requintada quanto a de qualquer sociedade da Europa contemporânea. As aldeias eram construídas ao redor de relvados, como no estilo medieval tardio, e havia grandes fazendas, que produziam alimentos tanto para seus proprietários como para a comunidade local. No período de 950-1050, quando os vínculos comerciais na Europa entraram finalmente em colapso, o conceito de um Estado centralizado veio substituir o de uma sociedade rural. Isso implicava a criação de uma poderosa aristocracia, com chefes tribais recrutados na classe guerreira e entre os ricos proprietários de terra. Havia três classes sociais principais na sociedade viking. O homem mais poderoso era o rei, mas, como vimos na sociedade germânica, ele não era um governante absoluto, pois devia dar satisfações ao povo. Depois do rei vinham os condes, constituídos por proprietários de terra e mercadores. Os primogênitos dessa classe herdavam as propriedades e davam continuidade à linhagem familial. Num antigo poema irlandês, diz-se que o primogênito de certa família cavalgava caçando com os cães, era hábil espadachim e especialista nas runas, usadas para cegar as armas dos inimigos, acalmar as ondas, apagar as chamas e superar os reveses. O grupo social mais importante, porém, era o da classe trabalhadora, que compreendia fazendeiros arrendatários, ferreiros, fabricantes de ferramentas e armas, artistas e caçadores.

Seria incorreto considerar "bárbaros incivilizados" os saxões ou os nórdicos. Por certo eles não tinham atingido o mesmo grau de especialização tecnológica encontrado na sociedade européia durante o último período medieval. Não obstante, tinham uma estrutura social democrática e consciência moral altamente desenvolvida. Embora os ataques às costas britânicas pelos saxões e vikings constituíssem eventos sangrentos, tornam-se insignificantes quando comparados mesmo às pequenas guerras ou às atrocidades terroristas de nossos dias.

Como vimos nesta breve história, os povos da Europa setentrional que usaram as runas não eram selvagens irracionais impelidos pela volúpia do sangue. Eram, sim, o produto de uma organização social complexa, comprometida com a democracia e uma política comunitária voltada para os interesses do povo. É lamentável que a imagem atual dos vikings, difundida por filmes inexatos de Hollywood, tenha feito uma lavagem cerebral no público, levando-o a aceitar uma visão sensacionalista da vida durante o período em que as runas eram de uso geral.

Nota: 1 "Cochichar': "murmurar': "sussurrar". (N. do T.)





Como se pode imaginar, uma leitura mais aprofundada do livro A Sabedoria das Runas – Michael Howard, Editora Pensamento, que traz todas as conexões históricas, poéticas e de sabedoria ancestral de modo simples e direto, poderá ser capaz de dar uma maior abrangência ao significado das runas, porém é mister que apresentemos a configuração básica correta, a despeito de certa literatura lançada aos borbotões no mercado brasileiro.

FEOH Posição normal: Dinheiro, sucesso e grande riqueza.
Invertida: Bancarrota, perda de estima pessoal.

UR Posição normal: Boa sorte e progresso numa carreira.
Invertida: Oportunidades perdidas, influências negativas, má sorte e doenças menores

THORN Posição normal: Proteção. Uma decisão importante a tomar. Boas notícias de longe.
Invertida: Uma decisão apressada será tomada. Más notícias.

OS Posição normal: Sabedoria ou bom conselho dado por uma pessoa mais velha
Invertida: Uma pessoa mais velha causa problemas. Rumores e inverdades. Mau conselho de alguém que tenciona prejudicar

RAD Posição normal: Viagem. Uma viagem ou dia santo trará felicidade ou progressos em direção às metas da vida.
Invertida: Protelações. Uma viagem desagradável. Uma visita a parentes enfermos ou amigos com problemas

CEN Posição normal: Orientação vinda de pessoas de alta posição social. Iluminação.
Invertida: Perda de prestígio social e/ou de posses valiosas.

GYFU Posição normal: Um presente que indica amor correspondido e a consolidação de um relacionamento.
Invertida: Separação. O fim de uma amizade ou de um caso amoroso. Tristeza causada pelos íntimos do buscador.

WYN Posição normal: Felicidade. Transformação da vida para melhor.
Invertida: Infelicidade. Perda da afeição das pessoas amadas.

HAEGL Posição normal: Doença. Adiamento nos planos porque o Wyrd não se mostra favorável ao buscador.
Invertida: Desastres causados por forças naturais. Adiamentos criados por forças que estão além do controle humano.

NYD Posição normal: Urge precaver-se contra a cobiça. Recomenda-se cautela para que todos os planos sejam bem-sucedidos.
Invertida: Não aja precipitadamente. Devagar se vai ao longe. Um julgamento precipitado leva ao desastre.

IS Posição normal: Um obstáculo ao progresso. Arrefecimento emocional de um relacionamento.
Invertida: Desavenças com amigos ou parentes próximos.

GER Posição normal: Período de espera. Advertência no sentido de não falar mal dos outros nem julga-los antes que se conheçam todos os fatos.
Invertida: Problemas com a lei. Palavras ásperas ditas intempestivamente causam arrependimento.

EOH Posição normal: Morte. Adiamentos. Notícias de um amigo ou inimigo passado.
Invertida: Morte. Volta a velhos problemas. Nostalgia ilusória pelo passado.

SIGIL Posição normal: Saúde. A força vital. Orientação na vida.
Invertida: Advertência para que se controlem as questões de saúde. O esforço excessivo pode ser perigoso para o bem-estar.

EH Posição normal:Viagem. Mudança de residência. Mudança de emprego.
Invertida: Inquietação. Viagem frustrante que termina em fracasso.

MAN Posição normal: Parentes. Conflito com o mundo oficial ou com o mundo exterior que amplia a perspectiva na vida do buscador.
Invertida: Perigo de inimigos ocultos. Isolamento da família auto-imposto.

LAGU Posição normal: Viagem por água. Intuição. Poderes psíquicos.
Invertida: Confusão. Engano. Pensamentos confusos.

ING Posição normal: Conclusão. Fim de um ciclo. Realização de um sonho.
Invertida: Um sonho é estilhaçado. Ruptura da vida por forças psíquicas.

DAEG Posição normal: Prosperidade. Mudança de vida para melhor.
Invertida: Coação. Mudanças de vida que levam a circunstâncias desagradáveis.

ODAL Posição normal: Influências ancestrais. Propriedade. Heranças. Notícias de longe.
Invertida: Problemas com propriedade e heranças. Comunicação vã com alguém que não responde.

Fonte: Extraído do Livro “A Sabedoria das Runas” – Michael Howard – Editora Pensa
Fonte: http://clientes.netvisao.pt/agoraky/runas.htm

OS IBEROS

Neste estudo pretende-se aprofundar o conhecimento sobre o povo que deu nome á Península onde hoje vivemos. Dado que este trabalho é uma investigação vão sendo acrescentados mais elementos logo que estejam estudados e compilados.

Quem Foram
As fontes clássicas
Os Gregos deram o nome de Ibéria aos espaços limítrofes do mundo para eles conhecido, situados na área caucásica( A Cólquide, lugar do mítico Vellocino de Ouro), por uma parte, e no que hoje é Espanha e Portugal(lugar por sua vez, relacionado com o mito das Maçâs de ouro do Jardim das Hespérides). Hércules tinha que tirar o ouro das ninfas do entardecer(Hespérides) em um dos seus trabalhos, depois tinha de atravessar o espaço a que se chamou Colunas de Hércules(Estreito de Gibraltar), porta para um oceano tenebroso.Deste modo, a primeira referência á Ibéria do Ocidente é meramente geográfica.
Em busca do Vellocino de Ouro
Hecateo de Mileto(Séc. V A.C.) contudo ignora que se trata de uma península, enquanto Herodoto, no mesmo século, já distinguia a área do sul de Tartessos da Ibéria mediterrânea ao relatar a aventura que levou Colaios de Samos(por volta do ano 630 A.C.) até ao sul peninsular.
Tudo leva a pensar que, depois de um primeiro momento, a Ibéria constituia um conceito etnográfico mais do que geográfico, com o sentido de ser iberos, em príncipio, os originários da Península Ibérica.
Língua e escrita
Com o tempo, contudo, os autores clássicos reunem mais informação e transmitem topónimos e nomes de tribos que servem para ordenar as grandes áreas geográficas a partir de critérios línguisticos. Assim, Tovar desenha a linha divisória entre as zonas onde se consignam topónimos antigos com a raíz Iltir o Iltu(Iltirta/Lérida), por exemplo), que seriam de população ibera, e aquelas em que exista o sufixo -briga(Segobriga/Saelices,por exemplo), de origem celta.
Escrita Ibera
O Ibero é uma língua anterior ao Indoeuropeu(o grego e o latim são Indoeuropeus) que se equipara a outras antiquisimas faladas no Mediterrâneo das que não há rasto( apesar de alguma coincidência de léxico com o euskera), o que faz com que seja quase impossível de traduzir. Na área oriental penisular utiliza-se uma escrita semisilábica composta com 29 sinais que no sul se apresenta com um grafismo próprio.
Baseando-se na extensão do Ibero que aparecem inscrições e em epígrafes monetários, os investigadores estabeleceram que os povos iberos se extendiam pelo Languedoc ocidental, o Rosellón, Catalunha, parte de Aragão, Castellon, Valência, Alicante, Murcia, Albacete, Cidade Real e Andaluzia. Contudo, é evidente que o sistema de escrita ibérico ultrapassou a área da cultura ibérica.
Mas o conceito de cultura ibérica não pode estar somente ligado á língua , por muito importante que esta seja, sem que se compreenda um sistema de formas de vida, de acordo com o que se depreende da investigação arqueológica.
A Arqueologia revela a cultura Ibérica
Os iberos não vieram de nenhum lado, estavam aqui.
Depois de se pôr a hipótese de que os Iberos erm originários da Ásia ou África, falar hoje da sua procedência do exterior não tem sentido. Tudo leva a crer que não foram as migrações dos povos as responsáveis pelas trocas culturais da Proto-História peninsular, sem que esta evoluisse sobre a base dos seus próprios antecedentes. Os Iberos são as mesmas gentes que existiam na Idade do Bronze e do Ferro, mas com outro quadro de relações externas e outra cultura. A diferença está em que, no dado momento, passarm do anonimato a um nome que permaneceu na História.

arqueologia mostra que a culutura ibérica na segunda Idade do Ferro, entre 600 e 50 a.c., que é uma etapa de renovação tecnológica, económica e social em que aparecem as sociedades complexas em toda a Europa.
Uma nova situação económica
A partir de 800 a.c., a Ibéria recebe as colonizações históricas. Primeiro os fenicios de Tiro e, a continuação, os gregos de Focea que se instalaram permanentemente no Mediterrâneo Ocidental em busca de recursos económicos que, em boa medida, produzem as sociedades indígenas.
Nesta nova dinâmica, a economia dos povos ibéricos evoliu de maneira espectacular: a produção de bens muda de escala e aparecem fenómenos de enriquecimento pessoal.
na área tartésica, localizada na província de Huelva, constitiu a partir do séc. VII a.c. um forte foco de civilização que , em muitos aspectos , se espalhará até ás regiões do vale do Guadalquivir e de Portugal e Extremadura.
Mas também noutras regiões se deram feitos significativos de uma evolução económico-social.
Este conjunto de trocas anuncia a grande renovação que vai ser levada a cabo com a aparição da cultura ibérica no séc.VI a.c.
Hierarquização nos povoados e nas necróples
Os povoados foram implatados de distintas maneiras. Ou bem se produzem concentrações de núcleos dispersos em centros que se ampliam e rodeiam de muralhas com torres, em vez que um número limitado de casas multiplica a sua superfície e diversifica as suas funções, em algumas regiões, a população principal gera acampamentos secundários especializados, seja para a agricultura ou na defesa e vigilância das terras circundantes.
A interpretação dos restos funerários vão no mesmo sentido. Nesses anos destacavam-se como algo singular o carácter incinerador da cultura ibérica. Contudo , hoje têm se visto cremações de cadáveres em culturas distintas desde épocas muito mais antigas do que a Ibérica em que era costume queimar os cadáveres por ritual. Pode-se observar que é absolutamente certo que os povos iberos cremavam os seus mortos.
Desenvolvimento de formas artísticas
Nas regiões compreendidas entre o sul de Valência e Sevilha e Córdoba aparece com a cultura ibérica o monumento funerário ornamentado com esculturas. Constitiu a primeira manifestação artística que reitera a categoria do fenomeno da cultura ibérica. A partir do ano 500 a.c., a linguagem das imagens artísticas dá a conhecer o mito ibérico: as lutas heroicas, a victória sobre as forças animais, o tratamento do aristocrata-guerreiro e do aristocrata-ginete precedem a aparaição das figuras femeninas, como a dama de Baza, em grandes túmulos. As representações artísticas prosseguiram o seu curso nos santários ou nas decorações artísticas.
Lugares de culto
Como em toda a sociedade evoluida, á sociedade ibérica lhe corresponde uma religião com um panteão de divindades. Os deuses e as deusas ibéricas adoptaram formas humanas, animais e vegetais.
Paralelamente os túmulos e a própria casa, espaços distintos destinavam-se a celebrações sacras: eram santuários oficiais. Edificados em diversos lugares, tanto nas cidades como no campo. O mais característicos dos santúários ibéricos são os exvotos, termo pleo qual eram designados os objectos deixados junto da divindade como testemunho piedoso: figuras de bronze, esculturas de calisa ou de terracota, com alguns microvasos e concentrações de determinados utensílios.
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Fonte: http://palma1.no.sapo.pt/os_iberosresumo.htm


LUSITANOS
Entre as numerosas tribos que habitavam a Península Ibérica quando chegaram os romanos, encontrava-se, na parte ocidental, a dos lusitani, considerada por alguns autores a maior das tribos ibéricas, com a qual durante muitos anos lutaram os romanos[carece de fontes?]. Não se sabe ao certo qual a sua origem.
Tito Lívio na História Romana escritor do século I a.C., menciona-os incorporados como mercenários no exército de Aníbal, tomando parte na batalha da Trébia e depois atravessando os Pirenéus, após a destruição de Sagunto, a caminho de Itália.
Os lusitanos, segundo teses mais modernas, seriam de origem pré-celta, como o provam os escritos em língua lusitana encontrados em território português e Estremadura espanhola.
Conhecem-se só três inscrições lusitanas, todas elas muito tardias; todas elas usam já o alfabeto latino. Anteriormente ao período romano não existia uma epigrafia lusitana própia.
/wiki/Imagem:Bronce_Alcantara.jpg/wiki/Imagem:Bronce_Alcantara.jpg
/wiki/Imagem:Bronce_Alcantara.jpg /wiki/Imagem:Bronce_Alcantara.jpgBronze de Alcántara, ou Tabula Alcantarensis, inscrição romana na Lusitânia
As principais inscrições foram feitas em território português em Lomas de Moledo e Cabeço das Fraguas; a outra inscrição procede de Arroyo de Cáceres (Extremadura, Espanha). A modo de exemplo mostramos aqui a inscrição de Cabeço das Fráguas do século III d.C.:
«OILAM TREBOPALA
INDI PORCOM LAEBOCOMMAIAM ICCONA LOIMINNA OILAM VSSEAMTREBARVNE INDI TAVROM IFADEM[...]
REVE TRE[...]»
Esta inscrição traduz-se habitualmente como: "[é sacrificada] uma ovelha a Trebopala, e um porco a Laebo, oferenda a Iccona Luminosa, uma ovelha de um ano a Trebaruna e um touro semental a Reve Tre[baruna(?)]".
/wiki/Imagem:Lusitania-karte_3-1275x1575.png
/wiki/Imagem:Lusitania-karte_3-1275x1575.png /wiki/Imagem:Lusitania-karte_3-1275x1575.pngMapa da Lusitânia e das suas principais cidades
Descrição linguística: As inscrições lusitanas (escritas em alfabeto latino) mostram uma língua celtoide facilmente traduzível e interpretável, já que conserva em maior grau a sua semelhança com o celta comum. A conservação do p- inicial nalgumas inscrições lusitanas, faz que muitos autores não considerem o lusitano como uma língua celta mas celtoide. O celta comum perde o p- indoeuropeu inicial. Por exemplo: "porc/om" em lusitano seria dito "orc/os" em outras línguas celtas como o celtíbero, goidélico ou gaulês.
Para estes autores, o lusitano mais do que uma língua descendente do celta comum ,seria uma língua aparentada ao celta comum, é dizer, uma variante separada do celta mas com muita relação a ele.
Os lusitanos foram considerados pelos historiadores hábeis na luta de guerrilhas, como o provaram quando chefiados por Viriato se livraram do cerco de Vetílio e o perseguiram até ao desfiladeiro da Serra de Ronda, onde desbarataram as tropas romanas. Utilizavam como armas o punhal e a espada, o dardo ou lança de arremesso, todo de ferro, e a lança de ponta de bronze. Diz-se também que eles untavam o corpo: que usavam banhos de vapor, lançando água sobre pedras ao rubro, e tomavam em seguida um banho frio; comiam apenas uma vez por dia.
/wiki/Imagem:Nt-Viriato_Viseu.jpg/wiki/Imagem:Nt-Viriato_Viseu.jpg
/wiki/Imagem:Nt-Viriato_Viseu.jpg /wiki/Imagem:Nt-Viriato_Viseu.jpgMonumento a Viriato em Viseu, Portugal
Praticavam sacrifícios humanos e quando o sacerdote feria o prisioneiro no ventre faziam vaticínios segundo a maneira como a vítima caía. Sacrificavam a Ares, deus da guerra, não só prisioneiros, como igualmente cavalos e bodes. Praticavam exercícios de ginástica como o pugilato e corridas, simulacros de combates a pé ou a cavalo: bailavam em danças de roda, homens e mulheres de mãos dadas, ao som de flautas e cornetas; cada um tinha apenas uma mulher. Usavam barcos feitos de couro, ou de um tronco de árvore.
As lutas dos lusitanos contra os romanos começaram em 193 a.C.. Em 150 a.C. o pretor Sérvio Galba, após ter infligido aos lusitanos grandes punições aceitou a paz com a condição de eles entregarem as armas, aproveitando depois que os viu desarmados para os chacinar. Isto fez lavrar ainda mais a revolta e durante oito anos os romanos sofreram pesadas baixas.
Esta luta só acabou com o assassínio traiçoeiro de Viriato por três companheiros tentados pelo ouro romano. Mas a luta não parou e para tentar acabá-la mandou Roma à Península o cônsul Décimo Júnio Bruto, que fortificou Olisipo, estabeleceu a base de operações em Méron próximo de Santarém, e marchou para o Norte, matando e destruindo tudo o que encontrou até à margem do Rio Lima. Mas nem assim Roma conseguiu a submissão total e o domínio do norte da Lusitânia só foi conseguido com a tomada de Numância, na Celtibéria que apoiava os castros de Noroeste.
Em 60 a.C. Júlio César dá o golpe de misericórdia aos lusitanos.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Lusitanos#Tribos


MITOLOGIA LUSITANA

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FONTE: http://pt.wikipedia.org/wiki/Mitologia_lusitana



TERMO MOURA

Especula-se que o termo moura (moira) possa derivar da palavra grega "moira", μοίρα, que literalmente significa "destino" e da deusa Moira, originária da mitologia Grega. Também se considera uma possível orígem a palavra latina "maurus", "obscuro", nome dado aos nativos da Mauritânia.
Outra corrente indica que a origem poderá vir das palavras celtas "mori" que significa mar ou "mori-morwen" que designa sereia provavelmente relacionadas também com as ondinas ou as ninfas, os espíritos sub-humanos que habitavam nos rios e nos cursos de água.
Uma outra possível origem de moura (moira), também de origem celta, é "mahra" e "mahr", que significa espírito.
FONTE: http://pt.wikipedia.org/wiki/Moura_encantada#Variantes_de_Mouras